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Review Blackview BV9200 | Um celular bruto, mas com defeitos

Por| Editado por Léo Müller | 09 de Fevereiro de 2023 às 15h52

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Review Blackview BV9200 | Um celular bruto, mas com defeitos
Review Blackview BV9200 | Um celular bruto, mas com defeitos
Blackview BV9200

O Blackview BV9200 é mais uma opção de rugged phone que passa pela bancada de testes do Canaltech. Esse smartphone bruto traz características físicas que podem ser atrativas até mesmo para os usuários mais exigentes.

Com uma tela LCD de 120 Hz, ele entrega um ótimo nível de nitidez. Além disso, a presença de uma tecla híbrida possibilita a personalização conforme a necessidade de cada um. Mas, será que faz sentido comprar o Blackview BV9200 apenas com base nessas duas características? Confira a minha opinião na análise completa.

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O design bruto do Blackview BV9200

O Blackview BV9200 tem um corpo mais robusto, mas isso se deve ao fato de o produto ser um rugged phone — telefone rígido ou resistente. Consequentemente, ele é muito pesado para um usuário normal carregar na mão ou no bolso.

Todavia, é importante ressaltar que ele não foi feito para o uso típico. A rigidez da sua carcaça é focada em quem passa por situações adversas, nas quais um smartphone normal não resistiria. Trata-se de um aparelho para praticantes de esportes radicais ou mesmo pessoas que trabalham ao ar livre com ferramentas e precisam do celular para se comunicar com clientes ou colegas constantemente.

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A estrutura do aparelho mescla a traseira em plástico, com uma leve sensação de emborrachado, e o metal nas laterais. Os parafusos ficam propositalmente expostos para dar um aspecto mais rústico ao celular.

À direita, estão os botões e controle do volume e de energia, já do lado esquerdo, está a gaveta tripla para dois chips de operadora e um cartão microSD. Um destaque desse aparelho é a tecla PTT — push to talk —, que tem a função de ser pressionada para permitir a comunicação, algo semelhante ao visto em walkie talkie.

Pode parecer uma funcionalidade desnecessária, mas faz sentido para quem pensa em utilizar o celular em locais mais afastados. Sabe-se que em florestas, rodovias ou grandes parques, o sinal de operadora não é muito bom, logo, esse tipo de funcionalidade facilita a conversa entre pessoas na mesma área.

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Mas, para evitar que a usabilidade seja limitada, a Blackview transformou esse botão em híbrido. Dessa forma, outros recursos podem ser ativados por ele, e até mesmo apps e jogos podem ser abertos. Todas as opções são configuradas no menu de “Gestos e Teclas”.

Um acessório que me incomodou bastante foi a palheta para abertura da gaveta de chips e da proteção presente na conexão USB-C. O plástico não é muito resistente e é muito fácil perder esse elemento. Por isso, prefiro a ferramenta disponibilizada pela Doogee em seus celulares.

Vale ressaltar que o Blackview BV9200 tem certificação TÜV Rheinland Low Blue Light, que garante a proteção adicional aos olhos e reduz os riscos presentes na luz azul. Além disso, as proteções IP68 para uso embaixo d’água por até 30 minutos, em 1,5 m de profundidade, bem como IP69K para resistir a temperaturas extremas.

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Tela

O grande destaque do Blackview BV9200 é a tela. Apesar de ser LCD, o nível de cores é de ótima qualidade, e isso permite a visibilidade dos conteúdos de maneira mais atrativa do que em outros modelos que possuem o mesmo tipo de painel.

A resolução do display de 6,6 polegadas é Full HD+, e possui taxa de atualização de até 120 Hz. Essa frequência pode ser configurada de maneira automática, travada em 120 Hz no modo “Alto”, reduzida para 90 Hz em “Médio”, ou ativa no modo padrão de 60 Hz em “Normal”.

No entalhe, vemos o formato em gota, que já é ultrapassado, mas muito visto em rugged phones. Se a tela não tivesse tantas bordas, o notch não incomodaria tanto, como acontece no caso do BV9200.

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Configurações e desempenho

O BV9200 tem a interface Doke-OS 3.1, e a personalização é diferente de tudo que eu já testei pelo nome que possui. Porém, parece bastante com a HarmonyOS, da Huawei. Entretanto, traz alguns aplicativos e jogos inúteis, e a instalação de alguns apps populares, como a Netflix, só é efetuada via APK, pois na Play Store é apontada a incompatibilidade com o produto.

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Outro ponto que me surpreendeu foi a presença de alguns aplicativos, incluindo um browser, em russo, da empresa Yandex. O problema não é a origem do navegador, mas sim o fato de ele não ser traduzido. Essa questão de tradução se mantém em algumas funções do menu de configurações, que estão em inglês.

Um grande problema de fabricantes de smartphone que são de pequeno ou médio porte é a dinâmica de atualização dos aparelhos. O Blackview BV9200 está atualizado com o Android 12, e isso é um ponto positivo.

Porém, grande parte dos modelos já está começando a ganhar o upgrade para o Android 13, ou, pelo seu período de anúncio, esperava-se que ele já viesse de fábrica com essa versão. Entretanto, o maior problema não tem a ver com o sistema, mas com o pacote de segurança.

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Sabe-se que o Google tem um software que pode apresentar vulnerabilidades, mas a empresa trabalha para corrigir constantemente qualquer tipo de bug. Então, a partir do momento em que uma fabricante não segue o mesmo cronograma da desenvolvedora do sistema, isso gera agravantes para a experiência de uso.

Na parte de velocidade, o BV9200 tem o chipset MediaTek Helio G96, sendo a plataforma da empresa focada no público gamer, mas não tem avanços tão atrativos quanto a linha Dimensity. Os jogos rodam de maneira mais básica, e não dá para explorar os gráficos no máximo sem sentir travamentos. Então, é bom apreciar a performance com moderação.

Para complementar, ele tem 8 GB de memória RAM e 256 GB de armazenamento interno. É importante destacar que o hardware desse espaço de uso está na versão UFS 2.1, que pode ser usado para expandir a RAM com mais 6 GB. Porém, esse processo pode afetar a velocidade de “manuseio” dos inúmeros dados e informações exibidos no smartphone.

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Nos testes de benchmark, o aplicativo 3DMark mostrou que o Blackview BV9200 fez 325 pontos no Wild Life Extreme. Utilizando o Geekbench, os registros foram de 501 pontos em single-core e 1.162 pontos em multi-core no modo CPU e 1.496 pontos na versão Compute. Com isso, é notório que o smartphone quase empata com o Doogee S98 Pro e fica bem próximo do Moto G52.

Câmera

O sensor presente na câmera principal do Blackview BV9200 tem 50 MP, acompanhado por mais dois sensores de 8 MP para imagens ultrawide e 0.3 MP com o intuito de desfocar o fundo das imagens. Na câmera com maior resolução, os resultados fotográficos são básicos.

Isso demonstra que a marca focou mais na resistência do que na parte fotográfica. Porém, comparando com outros modelos da mesma faixa de preço, esse smartphone se sai muito bem. O HDR é equilibrado, o nível de cores agrada, mas não dá para esperar mágica de um sensor trabalhando em conjunto com o chipset da MediaTek, que possuem otimizações mais fortes em performance do que para fotos.

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Mesmo sob a forte luz do sol, a câmera ultra grande-angular não se sai bem. Ela reduz consideravelmente o nível de iluminação do ambiente, pois a abertura da lente é f/2.2, e isso impacta negativamente na fotografia.

As gravações em vídeo possuem como resolução máxima o 2K a 30 fps. As filmagens têm o mesmo nível de competência da câmera principal. A nitidez é boa, mas a estabilização óptica faz falta ao se movimentar. Você pode ver em detalhes na amostra abaixo:

Selfie

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As selfies capturadas com o sensor frontal de 16 MP são bem parecidas com as do S98 Pro. O nível de cores poderia ser melhor e o HDR mais preciso, mas, só de não deixar o céu todo esbranquiçado, já temos uma câmera simples e funcional em mãos.

Quando o assunto é nitidez, sinto a falta de mais detalhes, mesmo com o modo de embelezamento desligado.

Vídeo da câmera traseira do BlackView BV9200

Sistema de som

Os alto-falantes do BV9200 são um ponto de desmérito da marca. As duas saídas de áudio, com assinatura Harman Kardon, reproduzem o som de forma estéreo, mas que não conseguem definir o tipo de tonalidade ressoante.

No volume máximo — que é muito baixo, quando comparamos com outros modelos dessa categoria —, há uma distorção incômoda. Os tons graves são inexistentes, já os médios e agudos são reproduzidos de maneira simplória.

Bateria e carregamento

Em celulares de alta resistência, a bateria precisa ser um destaque para garantir que a experiência em ambientes com maior dificuldade de recarga seja positiva. Porém, não obtive o mesmo resultado com o Blackview BV9200.

No teste padrão de reprodução de séries na Netflix ao longo de 3 horas — com o brilho da tela em 50% —, os 5.000 mAh ofereceram um gasto de 27%. Isso significa que, utilizando apenas com esse propósito, o celular duraria 11 horas ligado, um pouco abaixo do Doogee T10, que pode durar mais de 12 horas.

No teste de experiência real — utilizando por 6 horas para consumir conteúdos, acessar às redes sociais e jogar —, o período não melhorou muito. A bateria descarregou antes de completar esse ciclo. A duração total nesse tipo de experiência prática é de apenas 5 horas.

Concorrentes diretos

Um grande concorrente do Blackview BV9200 é o Doogee S98 Pro. Os dois aparelhos possuem o MediaTek Helio G96, e a experiência de performance é equivalente. Porém, aponto uma leve desvantagem para o modelo analisado neste texto por ter a interface cheia de defeitos de tradução e apps desnecessários.

Por outro lado, o modelo S98 Pro tem tela LCD de 6,3 polegadas, e o tamanho não é a sua maior desvantagem, mas sim a ausência da taxa de frequência maior. Querendo ou não usar, é bom ter opções já disponíveis no celular.

Apesar de o BV9200 ganhar em fotografia, o sensor de calor e a câmera de visão noturna do Doogee S98 Pro são grandes atrativos. Mas, o gasto adicional de R$ 1.700 ao invés de pagar R$ 1.300 só faz sentido por causa da existência desses recursos e da autonomia de bateria, que é muito melhor no modelo da concorrente chinesa.

O Blackview BV9200 é um rugged phone barato que vale a pena?

O Blackview BV9200 é um bom celular para quem busca uma opção fisicamente parruda, mas que entrega outros diferenciais de maneira intermediária. A tecla com funções personalizáveis é interessante, a tela tem ótima nitidez, mas isso não é tudo que o usuário busca e precisa.

Contudo, são muitos pontos negativos para a experiência de uso, porque a interface não está traduzida corretamente, bem como alguns apps. Isso sem contar o fato de o sistema já ter saído de fábrica com uma geração a menos do que o esperado.

Seu preço está mais em conta que algumas outras alternativas no segmento, ficando próximo dos R$ 1.300. Mas, colocando um pouco mais de dinheiro — fora de períodos promocionais —, é possível comprar um Doogee S98 Pro, que entrega mais recursos focados em quem é aventureiro.

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