Como uma empresa está apostando no crescimento dos Chromebooks no Brasil

Por Rui Maciel | 24 de Fevereiro de 2021 às 09h40
Reprodução

O ano de 2020 foi um marco importante para quem acompanha o mercado de PCs por dois motivos. Primeiro porque, puxado pela pandemia e o consequente aumento do home office, a venda de computadores cresceu no período - 302,6 milhões de unidades, segundo a consultoria de mercado IDC, um crescimento de 13,1% em relação a 2019.

E segundo, porque a participação de mercado dos Chromebooks - computadores que têm o Chrome OS, do Google, como sistema operacional - superou as vendas de PCs da Apple (Mac OS) pela primeira vez na história. E isso ocorreu durante três trimestres seguidos do ano passado.

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E esse crescimento pode indicar uma tendência de crescimento dos Chromebooks não apenas em cima dos equipamentos da Apple, mas também sobre o dominante Windows. E para isso, basta ver a evolução dos números: basicamente, no primeiro timestre de 2020, Apple e o Google estavam virtualmente empatados, com o o Windows tendo 87,5% do mercado, o macOS, 5,8%, e o Chrome OS, 5,3%. Mas no segundo trimestre de 2020, o Windows caiu para 81,7%, o macOS cresceu para 7,6% e o Chrome OS saltou para 10,0%.

Já nos dois últimos trimestres, os notebooks com o sistema operacional do Google abriram vantagem, confirmando a tendência: no terceiro, o Chrome OS teve 11,5% de participação, o MacOS pulou para 8,4% e o Windows caiu mais uma vez, para 78,9%; por fim, no quarto trimestre, o SO do Google cresceu ainda mais, indo para 14,4% de marketshare, com o MacOS perdendo participação e indo para 7,7% e a plataforma da Microsoft descendo mais um pouco, registrando 76,7% no período.

Vale registrar que os resultados do quarto trimestre chamam mais a atenção, já que é nesse período em que as vendas de PCs tendem a ser maiores. Se em 2019 o Mac OS bateu o Chrome OS sem dificuldades, em 2020 virou o jogo com estilo.

Ainda de forma geral, no ano a ano, o cenário de participação dos sistemas operacionais de PCs ficou assim:

  • Windows: participação diminuiu de 85,4% em 2019 para 80,5% em 2020 - queda de 4,9 pontos;
  • Chrome OS: participação aumento de 6,4% em 2019 para 10,8% em 2020 - crescimento de 4,4 pontos;
  • macOS: participação aumentou de de 6,7% em 2019 para 7,5% em 2020 - acréscimo de 0,8 ponto

O fato é que esse crescimento de participação dos Chromebooks pode ser uma tendência duradoura. Os dispositivos baseados no Chrome OS estão expandindo para além do seu uso educacional e caindo nas graças dos usuários, que começam utilizá-los para outros fins, além da escola. Além disso, eles são comercializados em uma gama muito maior de equipamentos (Acer, Samsung, Dell, HP, Assus, Lenovo, etc), logo, são consideravelmente mais baratos que os da Apple e até alguns modelos com Windows - algo bem importante com a economia mundial em recessão.

E de olho nesse crescimento, já há empresas investindo forte nos Chromebooks no Brasil. Uma delas é a Agasus, que atua no mercado de locação de equipamentos, outsourcing e soluções em TI.

Recentemente, a companhia anunciou uma parceria com o Google for Education para oferecer às escolas do país um modelo de assinatura para aquisição de Chromebooks Educacionais, que são gerenciados por meio da licença Chrome Education Upgrade (CEU). Os equipamentos já vêm com o G Suite for Education - conjunto de ferramentas colaborativas do Google for Education - e, por meio desse serviço, as instituições de ensino podem ter uma solução de hardware e software para as aulas do dia a dia.

E para explicar melhor como funciona o serviço e a aposta no crescimento dos Chromebooks no Brasil, o Canaltech conversou com Caio Roma, Business Development Manager da Agasus.

Caio Roma, da Agasus: previsão de aluguel de mais de 15 mil Chromebooks ao longo de 2021 (Imagem: Divulgação / Agasus)

Confira como foi o papo:

Canaltech: Como funciona a parceria da Agasus com o Google for Education? Como as escolas podem ter acesso aos equipamentos e ferramentas e como funciona o modelo de cobrança tanto para a instituição de ensino, quanto para os pais?

Caio Roma: A Agasus atua na área de locação de hardware de TI, conhecido como Hardware as a Service (HaaS). E nós desenvolvemos uma solução, em parceria com o Google, voltada para o público educacional. Além do Chromebook por assinatura, as instituições de ensino podem adicionar soluções Google for Education, como as licenças Chrome e o G Suite for Education. E as principais vantagens do nosso plano de assinatura são:

  • Chromebook Educacional por uma assinatura mensal
  • Soluções Google for Education inclusas na assinatura
  • R$0 de investimento inicial
  • Manutenção quando e onde precisar
  • Atendimento em todo o Brasil
  • Período e quantidade ilimitada
  • Logística leva e traz


CT - Os Chromebooks oferecidos têm uma configuração única ou isso pode variar conforme a demanda da instituição? E como funciona a política de upgrade dos equipamentos? É algo anual e obrigatório ou ocorre conforme a demanda das escolas?

C.R.: O Chromebook é um conceito de notebook desenvolvido pela Google em parceria com os principais fabricantes de hardware, rodando o sistema Chrome OS que preza o uso intenso da nuvem, ou seja, Cloud Computing. Portanto, esses equipamentos não possuem configurações robustas e nem amplo espaço de armazenamento interno, mas contam com alta integração com a nuvem do Google - devido ao sistema operacional Chrome OS. A Agasus oferece o seu modelo de assinatura com os modelos dos principais fabricantes do mercado.

As políticas de upgrade de Chromebooks estão em linha com os prazos das assinaturas - que, normalmente, flutuam de 24 a 48 meses. Entretanto, sugerimos prazos diferentes de upgrade dependendo do tipo de usuário. Por exemplo: para os alunos aconselhamos a troca do parque a cada 2 anos; para os educadores, sugerimos a troca a cada 3 anos.


CT - E que conjunto de softwares as escolas e alunos têm acesso ao aderirem ao modelo de assinatura? Há a possibilidade de algum tipo de customização?

C.R.: A assinatura de Chromebook permite que todos os dispositivos venham com o G Suite embarcado, um conjunto de apps feito sob medida para as escolas, que oferece vantagens como segurança integrada com várias camadas e suporte 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem custo extra. Eles foram desenvolvidos para que professores e alunos aprendam e inovem juntos, transformando como a escola trabalha.

Entre as principais aplicações estão:

  • Google Meet – para se conectar aos alunos virtualmente usando vídeochamadas e mensagens seguras para que o aprendizado continue fora da escola.
  • Classroom – ferramenta para que os educadores criem, classifiquem e coletem tarefas com facilidade, enquanto compartilham feedback com os alunos instantaneamente.
  • Documentos, Planilhas e Apresentações – Colabore e trabalhe junto com seus alunos em tempo real em documentos, planilhas e apresentações.
  • Drive – Armazene e organize tarefas, documentos com segurança e tenha acesso a tudo de qualquer dispositivo conectado ao G Suite.
  • Gmail – sistema de e-mail para toda a escola ou universidade.


CT - Considerando que o Windows é a plataforma dominante nos PCs, os alunos e professores passam por algum tipo de treinamento para se adaptarem ao ecossistema do Google? Ou já acontece uma adaptação natural?

C.R.: As instituições de ensino que estão migrando de plataforma - por exemplo: do Windows para a solução Google - recebem um treinamento completo das ferramentas. As ferramentas do G Suite são baseadas em nuvem e podem ser utilizadas facilmente nas salas de aula. Os recursos na central de professores, como treinamentos e tutoriais, tornam mais fácil ficar por dentro em pouco tempo.

CT - Caso um notebook seja danificado, como funciona o procedimento de troca? Há alguma penalidade financeira para os pais ou a instituição?

C.R.: Oferecemos uma solução completa de hardware e software, com segurança, escalabilidade e custo acessível. Com isso, as escolas que optam pelo modelo de assinatura têm acesso ao suporte de manutenção para troca ou reparo dos dispositivos e logística “leva e traz” em todo o território nacional.

Vale ressaltar que os Chromebooks foram pensados exclusivamente para o mercado educacional e concebidos para suportar quedas, arranhões e outros "castigos" que podem acontecer com o dispositivo. Eles são muito mais resistentes e duráveis aos desgastes pelo uso de alunos do que um notebook tradicional.

Chromebooks: notebooks com Chrome OS ultrapassaram os equipametos com Mac OS pela primeira vez em 2020 (Imagem: Divulgação / Agasus)


CT - Na questão da demanda, que tipo de instituição deve buscar mais por esse modelo de assinatura? Instituições de ensino básico, fundamental ou superior?

C.R.: O modelo de assinatura de dispositivos funciona para qualquer tipo de instituição, pois é uma excelente alternativa para preservar o caixa e, ao mesmo tempo, garantir mais tempo dedicado ao sistema de ensino. A solução de assinatura da Agasus e Google encaixa em qualquer tipo de instituição, do berçário às universidades. Entretanto, temos como expectativa uma maior aderência em instituições do ensino básico e fundamental.


CT - Em um cenário de pandemia, como tem sido a demanda por esse modelo de assinatura de notebooks? Quem vem demandando mais desse modelo: empresas ou escolas?

C.R.: O último ano representou um árduo, mas recompensador, aprendizado para empresas e instituições de ensino. Todas tiveram a oportunidade de identificar avanços, integrá-los e se preparar para novas necessidades. Para isso, os processos precisaram ser adaptados, muitas vezes com expansão dos investimentos em TI. Símbolo dessa dinâmica foi a adoção em massa do home office, circunstância que exigiu muito das empresas para o rápido aumento da quantidade de equipamentos disponíveis para os seus times, além de suportar diversos colaboradores espalhados em suas residências, com reforço das estruturas de cibersegurança.

No mesmo caminho, a pandemia acelerou o uso das ferramentas digitais na educação e o ensino híbrido vem sendo apontado como pilar das rotinas escolares em 2021. Essas ações, reforçam a evolução do processo de ensino-aprendizagem e tornam a implementação da escola digital cada vez mais urgente. 


CT - A Agasus também tem serviço de locação para smartphones e tablets. As instituições de ensino também vêm demandando por esses dispositivos, principalmente tablets? Ou esses dois produtos são mais demandados por empresas?

C.R.: Os tablets ainda possuem relevância no mercado educacional, pois são dispositivos que se adequam muito bem ao ambiente de ensino, complementando atividades que demandam maior interação e criatividade dos alunos. Nos últimos tempos, no entanto, perderam um pouco de espaço para os dispositivos 2 em 1 - notebook com a funcionalidade touchscreen.

Sobre o mercado corporativo: tablets e smartphones continuam com uma alta demanda, principalmente para empresas dos setores de logística, varejo e energia.


CT - E ao longo de 2020, quase inteiramente dominado pela pandemia, quais foram os equipamentos mais buscados pelas empresas nesse modelo de assinatura? E qual a expectativa da Agasus para esse modelo de negócio em 2021?

C.R.: De olho no potencial de desenvolvimento do setor educacional nacional, a Agasus projeta alugar mais de 15.000 Chromebooks ao longo de 2021. Boa parte desse otimismo está atrelada ao aumento do uso das ferramentas digitais na educação e a tendência do ensino híbrido.

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