Mobile World Congress 2020 pode ser cancelada. Decisão sairá nesta sexta-feira

Por Felipe Junqueira | 11 de Fevereiro de 2020 às 11h05
MWC

O coronavírus nCoV-2019 continua a se espalhar rapidamente, totalizando mais de 40.000 casos confirmados e ultrapassando as 1.000 mortes. E a difícil compreensão do vírus só piora o caso. Agora, cientistas trabalham com a possibilidade de o período de incubação do agente transmissor ser de 24 dias, e não 14, como se acreditava até o momento.

E isso pode afetar diretamente a maior feira de tecnologia móvel do mundo, a Mobile World Congress (MWC). Apesar de todas as precauções tomadas pela GSMA, organizadora do evento, a MWC 2020 corre o risco de ser oficialmente cancelada. Uma reunião a ser realizada na próxima sexta-feira (14) vai definir se isso acontecerá ou se novas medidas serão tomadas para tentar assegurar a saúde dos participantes e trabalhadores do evento, depois que Intel e Vivo também desistiram de participar.

Caso se confirme o novo período de incubação do vírus, uma das medidas se torna ineficaz. A GSMA determinou que todos os viajantes tenham permanecido, ao menos, 14 dias distantes da província chinesa de Hubei, onde fica a cidade de Wuhan, foco inicial da epidemia. Isso porque, caso o vírus possa ficar incubado por 24 dias, sem que uma pessoa demonstre sintomas neste período, a medida seria insuficiente.

Para além da segurança de funcionários e visitantes, os organizadores também sofrem com problemas estruturais. Várias empresas já cancelaram a presença na feira, como a LG, Ericsson, Sony, Amazon e Nvidia, esta última um dos principais patrocinadores. Outras marcas avisaram que vão reduzir a presença, enquanto muitas outras ainda cogitam desistir totalmente de ir a Barcelona este ano.

OMS já decretou emergência global de saúde por conta do nCoV-2019 (Foto: Agência Brasil)

Com todos esses problemas em vista, os organizadores vão se reunir no final desta semana para decidir se seguem com os planos de realizar a MWC 2020 ou se descartam totalmente a ideia. A decisão não é fácil, porque envolve cerca de 500 milhões de euros em ingressos e 14.000 postos de trabalho temporários.

Mas o lado econômico não deve pesar mais do que a saúde pública. O coronavírus se mostra mais perigoso do que se imaginava inicialmente. O vírus se espalha cada vez mais rápido, e todas as medidas tomadas para tentar conter a epidemia vão fracassando. Uma vacina só deve ser introduzida no segundo semestre do ano.

Apesar de ter baixo nível de fatalidade, a Organização Mundial da Saúde considera o caso emergência global. E realizar uma feira com milhares de pessoas do mundo inteiro interagindo em uma única cidade, neste momento, pode não ser uma boa ideia.

Fonte: Cadena Ser

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