Qual a diferença entre o áudio HiFi do Apple Music, Deezer e Tidal

Qual a diferença entre o áudio HiFi do Apple Music, Deezer e Tidal

Por Caio Carvalho | Editado por Bruno Salutes | 17 de Setembro de 2021 às 19h00
Deezer/Divulgação

Depois de se tornarem um serviço praticamente essencial para todos os amantes de música, as plataformas de streaming agora apostam em recursos para melhorar a qualidade sonora. E você certamente já deve ter ouvido falar do chamado “Lossless Audio” — também conhecido como áudio de alta fidelidade (HiFi, na sigla em inglês) —, que compacta os arquivos para reproduzir 100% dos dados de uma gravação.

Hoje, entre os grandes serviços de streaming de música, apenas o Spotify não oferece o áudio lossless. Tudo começou com o Tidal, que apresentava essa característica como um diferencial em comparação com a concorrência. Mas não demorou muito para que Deezer, Amazon Music e Apple Music entrassem na jogada.

Mas será que tem diferença entre, por exemplo, o áudio lossless do Tidal para o Apple Music? E entre os demais serviços? É o que vamos explicar.

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O que é um áudio sem perdas (lossless)?

O Apple Music foi um dos últimos apps de streaming a lançar o formato de áudio lossless (Imagem: James Yarema/Unsplash)

Áudio sem perdas (lossless), ou áudio de alta fidelidade (HiFi, abreviação para “high fidelity”), é um tipo de compressão de áudio que preserva todos os dados originais de uma gravação. Daí os nomes “sem perdas” e “alta fidelidade”, pois, na prática, significa que você vai ouvir exatamente aquilo que foi gravado dentro de um estúdio.

A maioria das técnicas de compressão acabam “descartando" boa parte dos dados originais de uma gravação justamente para diminuir o tamanho dos arquivos. A técnica se popularizou com a chegada dos formatos AAC (Advanced Audio Coding) e do famoso MP3, que ocupam menos espaço e dependem de menos largura de banda durante a reprodução, mas fazem com que a qualidade final caia drasticamente.

No áudio HiFi, por sua vez, o tamanho dos arquivos é um dos itens menos importantes, já que a prioridade é manter todos os elementos da gravação original. Arquivos sem perdas têm uma frequência de amostragem mais alta do que a qualidade encontrada em um CD, que é de 44,1 kHz a 16-bit. Para efeito de comparação, Deezer e Apple Music alcançam até 192 kHz a 24-bit.

Existem alguns formatos de áudio sem perdas, mas os mais populares são WAV (Waveform Audio Format) e AIFF (Audio Interchange File Format). Há ainda o FLAC (Free Lossless Audio Codec), que consegue comprimir dados sem perda de qualidade, e mais recentemente a Apple lançou o ALAC (Apple Lossless Audio Codec), que é a mesma coisa do FLAC, só muda o nome.

Também há o MQA (Master Quality Authenticated), que no momento é usado apenas pelo Tidal entre os principais serviços de streaming.

E esse tanto de siglas e números?

Uma referência usada para saber se um áudio tem a mesma qualidade da gravação feita em estúdio é a amostragem de um CD, que tem 44,1 kHz a 16-bit (Imagem: Phil Hearing/Unsplash)

Eu sei, eu sei. Decodificar um monte de siglas e números pode ser uma tarefa confusa. Mas tenha em mente o seguinte: quanto maior for a taxa de amostragem em um áudio, mais detalhes estarão presentes e mais próximo ele estará daquilo que foi gravado em um estúdio.

A referência básica é a amostragem de um CD, que tem 44,1 kHz a 16-bit, alcançando qualidade máxima de 1411 kbps. A maior qualidade disponível usada atualmente nas plataformas de streaming de música é na amostragem de 192 kHz a 24-bit. Nessa condição, a qualidade máxima de um arquivo chega a 9216 kbps, desde que sejam usados equipamentos específicos.

No mobile, que é aonde a maioria das pessoas ouvirá músicas sem perdas, essas quantidades são diferentes. Preparamos um tabela a seguir com essas informações:

Serviço de streaming Formatos Qualidade máxima de streaming
Apple Music AAC, ALAC 192 kHz a 24-bit
Amazon Music HD FLAC 192 kHz a 24-bit
Deezer FLAC 44,1 kHz a 16-bit
Tidal AAC, ALAC, FLAC, MAQ 192 kHz a 24-bit
Spotify Ainda não divulgados Ainda não divulgada

Eu preciso de um equipamento para reproduzir áudio HiFi?

Sim. Para reproduzir um áudio sem perdas, é necessário ter um aparelho externo compatível com um ou mais dos formatos citados anteriormente. Fones de ouvido Bluetooth, assim como praticamente todos os alto-falantes de smartphone, tablets e outros dispositivos de consumo convencionais, não possuem tecnologia própria para transmitir dados sem perdas.

Para atingir a qualidade máxima de estúdio (192 kHz a 24-bit), você precisará de um DAC (conversor digital-analógico) externo. O acessório converte o áudio digital para analógico, podendo ser escutado em um fone de ouvido compatível com áudio HiFi. O problema é que esse tipo de conversor não costuma ser barato e pode exigir o uso de outros acessórios, o que pode encarecer ainda mais essa brincadeira.

Quais as diferenças do formato de áudio HiFi do Apple Music, Amazon Music, Deezer e Tidal

Apple Music

O Apple Music não cobra valores adicionais por músicas em áudio lossless (Imagem: Apple/Divulgação)

O Apple Music foi o último serviço de streaming de música a ganhar o recurso de áudio lossless. E com a vantagem de não cobrar nada a mais por isso, o que significa que o plano individual custa os mesmos R$ 16,90 de antes.

Em mais um episódio de “Apple sendo Apple”, a companhia apresentou um formato proprietário de áudio, chamado ALAC (Apple Lossless Audio Codec), que reproduz músicas na amostragem padrão de CDs (44,1 kHz a 16-bit). Essa é a qualidade nativa em todos os iPhones, iPads e Macs compatíveis com o formato.

É possível ultrapassar essa amostragem e chegar a 192 kHz a 24-bit. Mas, neste caso, você precisa ter um conversor digital-analógico externo e um fone de ouvido com fio que tenha suporte para esse tipo de codec.

Em resumo:

  • Qualidade máxima de streaming de áudio: 192 kHz a 24-bit;
  • Formatos compatíveis: AAC, ALAC;
  • Preços: R$ 8,50 para estudantes, R$ 16,90 no plano individual e R$ 24,90 no plano familiar. Teste gratuito de três meses para novos usuários;
  • Número de músicas com áudio sem perdas: 75 milhões (até o final de 2021).

Amazon Music HD

O Amazon Music ganhou uma versão dedicada para múiscas em alta definição e sem perda de qualidade sonora (Captura de tela: Amazon/Divulgação)

No final de 2019, a Amazon lançou o Amazon Music HD, uma versão do serviço de streaming de músicas que tem foco justamente na reprodução de áudio de alta fidelidade. A plataforma oferece duas opções: “Alta Definição”, que tem amostragem de CDs (44,1 kHz a 16-bit); e “Ultra HD”, para reprodução em 192 kHz a 24-bit.

No momento, o Amazon Music HD não está disponível no Brasil. Nos Estados Unidos, é possível adquiri-lo como uma assinatura individual ou em conjunto com o Amazon Prime. Assinantes da versão Amazon Music Unlimited, que também é cobrada separadamente do Prime, ganham o Music HD sem custo extra.

Em resumo:

  • Qualidade máxima de streaming de áudio: 192 kHz a 24-bit;
  • Formatos compatíveis: FLAC;
  • Preços: nos EUA, US$ 18 (R$ 95, na conversão direta) já incluindo os benefícios do Amazon Prime, e US$ 10 para assinatura única. Teste gratuito de 90 dias para novos assinantes;
  • Número de músicas com áudio sem perdas: mais de 60 milhões na opção “Alta Definição", e “milhões” na "Ultra HD".

Deezer

Para áudios de alta fidelidade e sem perdas, o Deezer conta com o plano Deezer HiFi, que é mais caro que a versão Premium do serviço (Imagem: Deezer/Divulgação)

O Deezer também tem um plano com áudio lossless para chamar de seu. Batizada de Deezer HiFi, a assinatura permite ouvir músicas no padrão de compressão FLAC. Vale lembrar que esse é o plano com maior qualidade sonora disponibilizado pela Deezer. O modelo Premium, embora seja mais barato, oferece áudios em MP3 a 320 kbps.

Em resumo:

  • Qualidade máxima de streaming de áudio: 44,1 kHz a 16-bit;
  • Formatos compatíveis: FLAC;
  • Preços: R$ 26,90 mensais. Teste gratuito de um mês para novos assinantes;
  • Número de músicas com áudio sem perdas: mais de 70 milhões.

Tidal

O Tidal foi pioneiro no lançamento do áudio sem perdas para usuários comuns. E foi seguido de perto pela concorrência (Imagem: Tidal/Divulgação)

Se hoje temos a popularidade do áudio lossless nos serviços de streaming, é porque a novidade começou graças ao Tidal. No início, o serviço se colocava como diferente da concorrência por oferecer alta fidelidade na reprodução de músicas na plataforma.

O tempo passou e a companhia lançou uma modalidade ainda mais específica: o Tidal HiFi, que alcança amostragem de até 192 kHz a 24-bit. Também é o único serviço de streaming de música compatível com o formato MQA.

Em resumo:

  • Qualidade máxima de streaming de áudio: 192 kHz a 24-bit;
  • Formatos compatíveis: AAC, ALAC, FLAC, MAQ;
  • Preços: R$ 33,80 no plano individual e R$ 50,70 no plano familiar. Teste gratuito de um mês para novos assinantes;
  • Número de músicas com áudio sem perdas: mais de 70 milhões.

E o Spotify?

O Spotify não ficará de fora da festa do áudio sem perdas, mas a plataforma está atrasada nesse quesito. O Spotify HiFi foi oficializado no início de 2021 e tem previsão de lançamento para o final do mesmo ano.

Outros detalhes são escassos: sabe-se apenas que ele estará disponível para quem pagar uma taxa adicional e que a qualidade sonora será de, pelo menos, 44,1 kHz a 16-bit. Não se sabe quantas músicas serão compatíveis com o formato de áudio lossless.

Fonte: Gear Patrol, What Hi-Fi

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