Para internautas, Taylor Swift fez jogada de marketing para promover Apple Music

Por Redação | 23.06.2015 às 15:12
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No começo desta semana, a cantora pop Taylor Swift publicou uma carta aberta em seu Tumblr pessoal, criticando o fato da Apple não pagar justamente os artistas cadastrados em seu novo serviço de streaming de música, o Apple Music. As reclamações da cantora americana surtiram efeito em menos de 24 horas após a divulgação da carta, já que a Maçã mudou suas políticas de royalties. Só que muita gente já levanta teorias de que toda essa história, na verdade, é uma grande farsa.

Tudo começou na última sexta-feira (19), quando Swift anunciou que não iria disponibilizar seu álbum mais recente, 1989, na nova plataforma de música da Apple. Sem espeficiar os motivos, a decisão pegou muitos usuários de surpresa, uma vez que a cantora sempre manteve um relacionamento amigável com a gigante de Cupertino — toda sua discografia está acessível na iTunes, além de seu clipe mais recente, Bad Blood, ter aparecido durante a apresentação do Apple Music.

Dois dias depois, no domingo (21), a cantora publicou uma carta na qual criticava as ações da Maçã quanto ao pagamento de artistas. Acontece o seguinte: o Apple Music é um serviço pago por meio de uma assinatura mensal, mas oferece um período gratuito de testes que dura três meses para os usuários se habituarem ao software. Contudo, os artistas só recebiam sua parte nos lucros obtidos pelo serviço após esse período de gratuidade.

Foi justamente essa a afirmação de Taylor Swift em seu Tumblr, que definiu a atitude da Maçã como "chocante, decepcionante e completamente diferente da empresa historicamente progressista e generosa" que conhece. "Três meses é muito tempo para algo não-remunerado e é injusto pedir a alguém para trabalhar por nada. Nós não lhe pedimos iPhones de graça. Por favor, não nos peça para lhe fornecer nossas músicas sem nenhuma compensação", escreveu.

Após todo o ocorrido, desde a última segunda-feira (22) centenas de usuários estão usando seus perfis nas redes sociais para discutir que tudo isso não passou de uma jogada de marketing, tanto da Apple quanto de Swift, para promover o Apple Music.

O motivo é simples: Taylor Swift é uma das cantoras pop mais conhecidas atualmente, com milhões de fãs em todo o mundo — para efeito de comparação, o disco 1989 vendeu 1,2 milhão de cópias na primeira semana em que foi lançado. Em contrapartida, o Apple Music, embora apresente uma proposta bastante competitiva com relação aos concorrentes, ainda não tem a força de serviços como Spotify, Rdio e o próprio iTunes.

O que muitos internautas estão conspirando é que, além de ajudar na promoção do Apple Music, Swift ajudou a companhia a se colocar como uma empresa diferente das rivais, que ouve o pedido dos usuários, e principalmente dos artistas. A teoria é defendida também por uma declaração de Ed Cue, vice-presidente sênior de softwares e serviços para internet da Apple, ao BuzzFeed, em que dizia que a Maçã deseja que "artistas sejam pagos pelo seu trabalho, e quando nós ouvimos isso deles — tanto pela Taylor quanto de artistas indie – nós escutamos". "O tuíte da Taylor hoje solidificou a questão para nós e decidimos fazer uma mudança", declarou o executivo.

Taylor Swift

Além dos internautas, Tom Conrad, ex-executivo da Pandora, concorda que o caso "Apple vs Taylor" não passou de uma cena teatral. Em uma série de tuítes, o empresário declarou que a situação foi provavelmente forjada como uma tentativa da Maçã tentar limpar sua imagem perante outros artistas.

"Primeiro: Spotify, YouTube, Pandora e outros pagam os artistas pelos períodos gratuitos. É a coisa certa a fazer. Segundo: Taylor tirou seu álbum do Spotify não porque ela estava deixando de ser paga, mas porque ela acredita que o serviço ‘desvaloriza a música’. Terceiro: ela nunca tirou nada do YouTube, que é o serviço gratuito mais popular e que certamente desvaloriza mais a música do que o próprio Spotify”, escreveu no Twitter.

Ele continua dizendo: "Quarto: a carreira de Taylor foi construída através da rádio, que é o maior serviço gratuito de comunicação e não paga um centavo aos artistas. Quinto: a Apple não está se livrando do seu serviço gratuito, mas vai passar a pagar os artistas. Isso apenas a coloca em pé de igualdade com os outros players. Sexto: lembre-se: a Apple usa a música para ganhar bilhões. Sétimo: a carta aberta e a resposta da Apple é super teatral. Nada ali sugere que a Apple trata os artistas com mais justiça que qualquer outro serviço. Oitavo: meu ponto de vista é que há muita animosidade entre os artistas e o Vale do Silício. Não deveríamos tratar disso como um progresso. É apenas status quo".

Se é uma teoria da conspiração ou não, fato é que o Apple Music ganhou ainda mais projeção a poucos dias de seu lançamento, marcado para o próximo dia 30 de junho. O serviço deve chegar ao Brasil em breve custando entre US$ 4,99 e US$ 7,99.

Fonte: Cult of Mac, Business Insider