Como o PIX está transformando os métodos de pagamento no Brasil

Como o PIX está transformando os métodos de pagamento no Brasil

Por Matt Swann | 06 de Maio de 2022 às 15h00
Caio Carvalho/Canaltech

Em novembro de 2020, o que poderia ser visto como apenas o lançamento de mais um método de pagamento no Brasil iniciou uma transformação na forma como as pessoas administram seu dinheiro. De acordo com o Banco Central do Brasil, hoje, pouco mais de um ano após o lançamento do PIX, mais de 400 milhões de chaves estão cadastradas. No início de março deste ano, o PIX também bateu um novo recorde de volume diário de operações, atingindo 58,5 milhões de transferências.

Com números como esses, ninguém pode questionar o sucesso do PIX e o tremendo impacto que a combinação de tecnologia, eficiência e excelente experiência do usuário pode ter na vida financeira das pessoas.

O aspecto central que diferencia o PIX de outros meios de pagamento, e uma das razões pelas quais ele está promovendo mais inovação, é seu excelente desempenho. O Banco Central, por ser idealizador e detentor do produto, determina que a operação deve ocorrer em no máximo 10 segundos.

O conhecimento adquirido ao gerenciar um grande volume de transações simultâneas em alta velocidade vem gerando um impacto positivo para além das transferências de dinheiro.

No Nubank, o desempenho diferenciado já era um traço comum dos nossos produtos. No entanto, a experiência do PIX em termos de volume e requisitos de performance elevou os limites de nossa arquitetura e infraestrutura. Isso levou a melhorias nas bibliotecas e sistemas compartilhados por muitos de nossos serviços e sistemas, resultando em um produto que mudou profundamente a forma como os brasileiros transferem dinheiro. Além disso, o PIX também mostrou que pode ser uma solução para pagamentos e de acesso ao sistema bancário, em checkouts de e-commerce, supermercados, pequenas e médias empresas e muito mais.

Enquanto aprendemos com esse novo método, as primeiras decisões sobre infraestrutura técnica também colocaram o Nubank em uma boa posição ao adotar o PIX.

Inovação do Banco Central, o PIX forçou rápida adaptação do mercado e caiu no gosto do público (Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Muitas vezes as pessoas me procuram para ter uma perspectiva técnica de como o Nubank conseguiu escalar tão rápido – hoje, alcançamos mais de 53.9 milhões de clientes no Brasil, liderando uma revolução nas soluções no setor de bancos digitais na América Latina. E isso só foi possível porque optamos por construir uma arquitetura de microsserviços resiliente e ágil.

Isso significa que podemos dividir as responsabilidades dos serviços — ou partes de um software — em pequenos pedaços que se comunicam facilmente entre si. Como resultado, quando temos qualquer tipo de pico, podemos dimensionar o microsserviço exato que precisamos, resolvendo rapidamente o problema e reduzindo o alcance de instabilidades.

Além disso, o Nubank possui o que chamamos de organização com sharding (ou fragmentação), formando um grupo de pequenos Nubanks dentro de nossa própria estrutura, o que nos permite crescer horizontalmente com eficiência. Dessa forma, temos um ambiente mais dinâmico, capaz de reduzir o impacto de qualquer oscilação de performance mantendo globalmente apenas os serviços padrão. Simplificando, é uma cadeia interconectada que pode operar com independência. Com esse tipo de elasticidade, mantemos nossa velocidade de foguete para acompanhar o crescente número de transações e clientes usando diferentes recursos do nosso aplicativo.

Como mencionei anteriormente, o próprio PIX apresentou aos brasileiros uma revolução, um novo padrão de transações financeiras — e o Nubank se orgulha de ter colaborado ativamente com o Banco Central na concepção desse produto, compartilhando nossa expertise em transações digitais desde o primeiro dia. É empolgante acompanhar o cronograma de evolução do meio de pagamento, pensado para antecipar melhorias para atender às necessidades dos clientes.

Em breve, esse ecossistema robusto terá o potencial de substituir muitos dos nossos métodos de pagamento, oferecendo melhor experiência em serviços financeiros e mudando, repetidamente, a forma como as pessoas controlam suas finanças.

Recentemente, vimos o lançamento do PIX Saque e PIX Troco, que permitem às pessoas sacar dinheiro em diversos estabelecimentos comerciais autorizados, ampliando as opções desse tipo de operação. A partir deste ano, os usuários também poderão usar o Pix para receber a restituição do Imposto de Renda em sua conta, reduzindo os erros no preenchimento dos dados bancários e no pagamento dos documentos de arrecadação da Receita Federal.

As possibilidades são infinitas e, de fato, o contexto competitivo e tecnológico em que estamos inseridos acelerará a mudança e o acesso a serviços melhores e de menor custo.

*Artigo produzido por colunista com exclusividade ao Canaltech. O texto pode conter opiniões e análises que não necessariamente refletem a visão do Canaltech sobre o assunto.

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