Apple deve produzir 75 milhões de iPhones 5G na primeira remessa

Por Redação | 01 de Setembro de 2020 às 16h40
Apple
Tudo sobre

Saiba tudo sobre iPhone 12 mini

Ficha técnica

Ao que tudo indica, a Apple está otimista quanto às vendas de seu iPhone 5G. Isso porque a empresa pediu aos seus fabricantes parceiros que produzam, pelo menos, 75 milhões de unidades do modelo para o final deste ano. Trata-se de uma quantidade similar à linha iPhone 11 lançada no ano passado. E que indica que a demanda pelo aparelho será mantida, mesmo com a recessão econômica mundial causada pela pandemia do coronavírus.

Segundo o canal de notícias Bloomberg, a Apple prevê que as remessas dos novos iPhones atinjam a marca de 80 milhões de unidades até o final de 2020. A companhia planeja lançar quatro novos modelos em outubro, todos já devidamente compatíveis com as redes 5G, além de design e tamanho de tela diferentes.

É costume da Apple e seus parceiros de fabricação aumentarem a capacidade de produção antes da chegada dos novos iPhone, que ocorre a cada outono do Hemisfério Norte. Em meados do ano passado, os fornecedores estavam se preparando para produzir de 75 até 80 milhões de unidades do smartphone da marca, o que significa um sinal de alta demanda. A Foxconn, principal parceira da Maçã nesse processo, colocou vários anúncios no WeChat em julho, recrutando trabalhadores para o seu campus principal de fabricação do iPhone, localizado na cidade chinesa de Zhengzhou.

Fábrica da Foxconn: empresa divulga anúncios de recrutamento de trabalhadores para produção de iPhones (Imagem: Wikipedia)

O que reforça a previsão otimista da Apple são os ótimos números apresentados no segundo trimestre de 2020, com a receita de iPhones superando com folga as expectativas de Wall Street no período. A linha de smartphones ainda gera quase metade das vendas da Apple, e isso costuma chegar a 60% na temporada de compras. As ações da gigante de Cupertino subiram 76% este ano, tornando-a a primeira empresa dos EUA a ultrapassar US$ 2 trilhões em valor de mercado.

Novos recursos

De acordo com os rumores mais sólidos a respeito dos novos iPhones, sabe-se que as quatro versões contarão com telas OLED, cujo tamanho variará entre 5,4 e 6,7 polegadas, de acordo com os modelos (padrão e Pro). Além disso, seu design trará bordas quadradas semelhantes ao iPad Pro, feitas em aço inoxidável.

Pelo menos nas variantes Pro, os iPhones terão três câmeras, além de um sensor LIDAR, que permite o uso de aplicativos de realidade aumentada, que terão maior compreensão do ambiente ao redor. Isso sem contar o processador Bionic A14, que será mais rápido, mas também terá maior eficiência energética.

Efeito positivo em cascata

A alta demanda prevista de iPhones prevista pela Apple impacta na valorização das ações de seus fornecedores. A TSMC e a LG Display, que produzem os processadores e as telas, viram seus papeis subirem em 2%; já a Largan Precision, que fornece lentes para as câmeras teve valorização de 4,1%. E a Goertek, que monta fones de ouvido, viu suas ações subirem 2,1%. Já os papeis da Apple registraram alta de 2% no começo do pregão de Nova York.

iPhone 11: alta demanda impacta positivamente nos parceiros da Apple (Imagem: divulgação)

A cisma de Trump com o WeChat pode atrapalhar

Uma ordem executiva de Donald Trump contra o WeChat, assinada em agosto último, pretende banir o WeChat dos EUA até meados de setembro. Segundo o presidente, esses aplicativos praticam espionagem contra a população norte-americana e envia os dados da mesma para o governo chinês - ainda que ele não tenha apresentado uma única prova relevante referente a essas acusações.

No entanto, a briga de Trump com o aplicativo - que vai na esteira da briga comercial e tecnológica com os EUA - pode atingir justamente...a Apple! Isso porque um smartphone sem o WeChat no mercado chinês - um superapp que é uma espécie de "faz-tudo" dos cidadãos daquele país - transforma o aparelho em um "tijolo com chip".

Explicamos: com o WeChat em seus celulares, os cidadãos chineses podem acessar serviços e transporte público, agendar consultas médicas, chamar táxis, alugar bicicletas, pedir comida, adquirir ingressos de cinema, transferir e receber dinheiro, pagar por produtos e serviços e, claro, comprar um mundo de produtos nos milhares de e-commerces integrados ao aplicativo. Isso sem contar a rede social da plataforma, seus minijogos e mais uma infinidade de outras funções. Logo, não ter o app em seu aparelho significa que você não pode resolver um monte de problemas do seu cotidiano.

WeChat e Donald Trump: ordem executiva do presidente dos EUA pode impactar Apple (Imagem: Rui Maciel)

E isso preocupa especialmente a Apple. Hoje, a China é o terceiro maior mercado da Maçã, representando quase 20% das suas receitas em vendas. E caso ela seja obrigada a banir o WeChat da App Store, significa que não apenas novos usuários não poderão baixar o superapp, como também aqueles que já têm o programa ficarão impedidos de usá-lo.

Logo, há um sério risco de abandono dos iPhones - os atuais e os futuros - já que os usuários tendem a preferir trocar de aparelho, do que trocar de app. Afinal, é mais fácil pegar um outro smartphone equivalente ao iPhone, do que achar outro aplicativo que resolve boa parte da sua vida.

Essa análise ganha força depois que uma pesquisa realizada na rede social Weibo - um das mais populares da China - no último dia 14, revelou que cerca de 95% dos participantes renunciariam a seus iPhones para não perder acesso ao WeChat.

Tamanho pode ser o prejuízo que, para o analista Ming-Chi Kuo, especializado em Apple, um eventual banimento do WeChat na App Store chinesa poderia provocar uma queda de até 30% nas vendas globais do iPhone. Além disso, a queda poderia chegar a 25% em outros dispositivos da marca, que tem mais de 15% do seu faturamento vindo da China. Nesse cenário, as principais beneficiadas seriam as locais HOVX (Huawei, Oppo, Vivo e Xiaomi).

Fonte: Bloomberg  

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.