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Sinais do colapso de corrente do oceano Atlântico são identificados

Por| Editado por Luciana Zaramela | 14 de Fevereiro de 2024 às 18h26

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NASA Climate Change
NASA Climate Change

Cientistas descobriram um novo sinal que precede o colapso da corrente marítima do Atlântico, evento que já ocorreu algumas vezes e costuma deixar o clima no hemisfério norte caótico. Falamos da Circulação Meridional de Capotamento do Atlântico (CMCA), que leva águas quentes do hemisfério sul para o norte, onde ela é resfriada. A porção não resfriada concentra sal, afunda e volta para o sul, onde se esquenta e volta, em um ciclo do tipo “esteira”.

A famosa Corrente do Golfo faz parte dessa dinâmica, cuja liberação de calor mantém a Europa e parte da América do Norte com climas mais amenos do que seriam sem a influência marítima. Sedimentos dos últimos 100.000 anos mostram que, em alguns momentos, a CMCA parou o ciclo abruptamente, gerando mudanças climáticas sérias em questão de poucas décadas.

Prevendo o colapso da corrente oceânica

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Por conta das mudanças climáticas e sua influência nas correntes oceânicas, cientistas creem que possamos estar a caminho de um colapso da CMCA mais cedo do que se pensava — talvez já em 2025 ou, ao mais tardar, em 2050. O problema é que era muito difícil prever se as condições atuais estão realmente acelerando o caminho até tal colapso — até que cientistas da Universidade de Utrecht notaram um sinal para o fenômeno.

De acordo com as análises, o fluxo de água doce no oceano Atlântico em uma latitude de 34º Sul (passando pela África do Sul e pelo Uruguai) pode ser um sinal de alerta para o colapso iminente da corrente oceânica. Cerca de 25 anos antes da CMCA cessar atividades, esse fluxo chega ao mínimo.

Não há um registro tão longo de observações do fluxo de água doce nesse paralelo para saber quão longe exatamente está o ponto de virada da corrente, mas ele está abaixando. Segundo os pesquisadores contaram ao site Live Science, estamos chegando nesse ponto de virada, só não é possível prever exatamente a distância até ele.

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Como o colapso depende da salinidade das águas, a circulação oceânica é bastante sensível a fluxos de água doce — à medida que o clima sobe e os padrões de chuva mudam, os padrões de fluxo da água doce para o oceano também mudam.

Não é fácil simular aumentos graduais no fluxo de água doce para o Atlântico Norte ao longo de mais de 2.000 anos, que seria o ideal para conseguir prever o ponto de virada da AMOC com precisão. O processo computacional é caro e longo demais, e cortar caminho ao simular grandes pulsos de água doce não dá a precisão necessária.

Um colapso da corrente a faria parar e perder cerca de 75% da transferência de calor do sul para o norte, deixando o hemisfério norte muito frio e o hemisfério sul mais quente, mas em menor grau. Na Europa, as temperaturas diminuiriam entre 5 ºC e 10 ºC dentro de um século, o que é muito, mesmo se comparado com os padrões atuais de mudança climática (0,2 ºC de aquecimento por década). As estações frias e secas da floresta amazônica também trocariam de período, impactando fortemente a ecologia da floresta.

Fonte: Science Advances