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Poluentes estão fazendo nascer fêmeas demais das ameaçadas tartarugas-verdes

Por| Editado por Luciana Zaramela | 21 de Novembro de 2023 às 14h54

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Bernard DUPONT/CC-BY-2.0
Bernard DUPONT/CC-BY-2.0

Há algum tempo, a ciência já notava que a quantidade de tartarugas-verdes machos vem diminuindo em relação à quantidade de fêmeas. Na espécie, os embriões têm o sexo determinado pela temperatura — o calor favorece o nascimento de fêmeas, o que quer dizer que o aumento global das temperaturas é um dos responsáveis pela predominância feminina nas tartarugas. Agora, descobriu-se outro fator, também com influência humana, nessa prevalência: é a presença de alguns poluentes específicos.

Nas partes mais afetadas, como a Grande Barreira de Corais da Austrália, há centenas de tartarugas fêmeas nascendo para cada macho, o que põe espécies em risco de extinção pela falta de chances de reprodução. Para descobrir mais sobre o fenômeno, cientistas estudaram espécimes da pequena ilha de corais chamada Heron, um terreno arenoso no sul da Grande Barreira de Corais. No local, entre 200 e 1.800 tartarugas-verdes (Chelonia mydas) fêmeas vêm depositar seus ovos todos os anos.

Poluentes e o sexo das tartarugas

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Na ilha de Heron, a proporção do sexo das tartarugas é mais equilibrada do que nas regiões mais próximas à linha do equador. Há cerca de duas a três fêmeas nascendo para cada macho. A equipe científica coletou 17 grupos de ovos cerca de duas horas após serem postos, enterrando-os novamente próximos a sondas que medem a temperatura no ninho e na superfície da praia a cada hora.

Após chocarem, os cientistas identificaram o sexo das tartarugas e os níveis de 18 metais diferentes. Além disso, foram verificados os níveis de contaminantes orgânicos, como os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAHs), bifenilpoliclorados (PCBs) e éteres de difenila polibromados (PBDEs).

O que poluente tem a ver com hormônio?

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A ciência sabe (e, em alguns casos, suspeita) que todos eles funcionam como xenoestrógenos, ou seja, moléculas externas que se ligam aos receptores hormonais do sexo feminino. Eles são acumulados pelas tartarugas fêmeas em locais de alimentação, e, à medida que os ovos se desenvolvem em seu corpo, eles absorvem os contaminantes, sequestrados pelos fígados dos embriões, onde ficam por anos após chocar.

Embora a proporção entre machos e fêmeas nos ninhos tenha variado, mais fêmeas surgiram nos locais com mais vestígios de elementos estrogênicos, como antimônio e cádmio. Segundo os cientistas, os resultados mostram que os contaminantes imitam a função do estrogênio, gerando mais espécimes do sexo feminino.

Descobrir quais compostos causam isso, especificamente, é importante para que sejam desenvolvidas estratégias para evitar poluentes do tipo e proteger as populações de tartarugas marinhas.

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A maioria dos metais pesados vêm das atividades humanas, como mineração, escoamento e lixo urbano, então é nossa responsabilidade evitar que poluentes como esses afetem os animais, que já sofrem com o aquecimento global acelerado pelas nossas ações, como emissão de gases do efeito estufa.

Fonte: WWF, Frontiers in Marine Science