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Placa tectônica Indiana pode se dividir em duas no Himalaia

Por| Editado por Luciana Zaramela | 17 de Janeiro de 2024 às 10h06

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Hans/Pixabay.com/Domínio Público
Hans/Pixabay.com/Domínio Público

De acordo com uma nova pesquisa, a Placa Continental Indiana pode estar se dividindo em duas — mas de uma forma bem diferente. A Placa do Leste da África, por exemplo, está se quebrando em duas em uma falha geológica, o que levará à formação de um microcontinente, mas a Indiana estaria se separando horizontalmente, com uma parte indo em direção à Eurásia e a outra afundando sob o manto, cada camada com cerca de 100 km de espessura.

Segundo a teoria, isso faria parte da explicação sobre a formação do Platô Tibetano e a cadeia de montanhas do Himalaia, com o famoso monte Everest. Cientistas concordam que ambas essas formações geológicas são resultado do deslocamento da Índia para o norte a uma taxa de 1 a 2 milímetros por ano, pressionando a Eurásia e forçando as montanhas a subir, o que vem acontecendo há pelo menos 60 milhões de anos. Para além disso, no entanto, pouco se sabe sobre a dinâmica das placas locais.

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Uma ideia diz que a Placa Indiana é leve e flutuante demais para afundar em direção ao manto, o que a faria deslizar sob a Placa Eurasiana, elevando o solo onde fica o Tibete. Já outra sugere que a Placa Indiana estaria, na verdade, se dobrando, como uma de papel faz quando encontra resistência. A nova teoria, apresentada na em uma conferência da União Geofísica Americana em dezembro, dá uma terceira opção.

A nova divisão da Placa Indiana

O trabalho é de cientistas da Universidade de Stanford, Academia de Ciências Geológicas da China, Universidade Oceânica da China e Centro Nacional de Previsões Ambientais e foi pré-publicado no periódico científico ESS Open Archive.

Nele, os pesquisadores descrevem o que seria a delaminação da Placa Indiana, ou seja, sua separação horizontal entre uma metade mais densa, que estaria afundando no manto, e uma mais leve, que flutuaria sobre ele e formaria o Tibete ao se dobrar no encontro com a Placa Eurasiana. As placas oceânicas fazem algo parecido ao se chocar com placas continentais, como no encontro da América do Sul com a placa do Pacífico.

Como é inviável perfurar 100 km em direção ao centro da Terra para verificar o fenômeno, os pesquisadores têm de ficar com indicações indiretas de sua existência. A principal é a evidência de bolhas de hélio saindo de nascentes no Tibete. A substância é rara em nosso planeta, sendo o hélio-3 mais raro ainda, vindo apenas de sobras da formação da Terra. Altas concentrações dele indicariam que a origem é o manto, mas, se for hélio-4, a origem poderia ser algum processo radioativo.

Foram medidas as taxas de isótopos de hélio de 200 nascentes tibetanas, o que mostrou um padrão de escape de hélio-3 que sugere uma proximidade suficiente do manto para que a substância venha à superfície. Mais para o sul, o gás que escapa é, em sua maioria, hélio-4, sugerindo que, no local, a placa ainda não teria se dividido, formando uma barreira que não deixa o hélio-3 escapar. Padrões de terremoto na região reforçam a hipótese, indicando que o manto está subindo a partir do leste do platô.

Sabemos que as placas são, de certa forma, como bolos — camadas mais densas ficam na parte de baixo, o que evita o esmagamento das camadas intermediárias caso estivessem por cima. O planeta não faz isso “conscientemente”, mas as partes inferiores das placas são feitas de rocha magmática solidificada, mais densa do que as superiores.

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Segundo simulações de computador, essas partes poderiam, de fato, se separar. O fato da Placa Indiana ser mais grossa no norte e mais fina nas laterais apoia a teoria, já que a parte central, mais densa, afundaria mais rápido mesmo com pouca diferença de pressão.

Fonte: AGU23, ESS Open Archive