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Mínimo histórico do gelo marinho na Antártida preocupa cientistas

Por| Editado por Patricia Gnipper | 20 de Abril de 2023 às 10h20

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catolla/envato
catolla/envato

Se a expansão e contração da cobertura de gelo marinho no Oceano Antártico é como a batida de um coração, ele estaria em arritmia. Essa foi a metáfora utilizada por Edward Doddridge, oceanógrafo da Universidade da Tasmânia, Austrália, para retratar o presente momento do continente gelado.

É natural que o período de setembro a março — primavera e verão do hemisfério sul — ocasione uma redução na quantidade de gelo no mar, mas o recorde negativo de 2023, que se soma a uma sequência de mínimos históricos, acende um alerta vermelho sobre a saúde não somente da Antártida, mas de todo o planeta.

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Durante os meses de outono e inverno, a Antártida tem seu período de recuperação e acúmulo de gelo. Desde a década de 1970, imagens de satélite permitem que cientistas meçam a área que esse material ocupa no Oceano Antártico. Durante o inverno, esse valor já chegou a 20 milhões de quilômetros quadrados — 13 vezes o tamanho do maior estado brasileiro, o Amazonas. A cobertura típica no verão é de 3 milhões de km², mas em 2022 este número ficou abaixo de 2 milhões pela primeira vez e em 2023 ele ficou em somente 1,7 milhões de km².

O derretimento do gelo marinho apresenta duas consequências principais: a primeira é um ciclo vicioso que leva a mais derretimento. A superfície clara do gelo implica que quase toda radiação solar recebida por ele seja refletida — o que não acontece com a água em estado líquido. O oceano, mais escuro que o gelo, absorve o calor solar e esquenta, derretendo ainda mais gelo.

Além disso, o gelo atua como uma bomba de circulação da água através do oceano. Por meio dele, a água quente é enviada para o fundo do mar, onde deixa calor e gás carbônico retirados da atmosfera. Ela, então, se resfria e sobe novamente à medida que esquenta e se move em direção ao norte, trazendo consigo nutrientes que estavam depositados no fundo do oceano, dando suporte a toda a vida marinha.

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Quando alguém percebe algo de errado com seu coração, é natural que se vá ao médico, compara Doddridge, e faça exames para entender o que está acontecendo. Da mesma forma, cientistas estão trabalhando em modelos climáticos, incluindo informações coletadas em campo e através de satélites, para compreender a saúde da Terra. O prognóstico não é bom e o tratamento — cortar as emissões de gases estufa — precisa acontecer o mais rápido possível.

Fonte: University of Tasmania