Em um único dia, a Groenlândia perdeu gelo suficiente para cobrir toda a Flórida

Em um único dia, a Groenlândia perdeu gelo suficiente para cobrir toda a Flórida

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 03 de Agosto de 2021 às 13h10
AFIS

No final de julho deste ano, foi registrada uma perda maciça do manto de gelo que cobre a Groenlândia. Em um único dia, derreteu gelo suficiente para cobrir todo o estado da Flórida, nos EUA, com 5 centímetros de água, relatam pesquisadores dinamarqueses. O fenômeno está associado a uma onda de calor recorde que atingiu o continente recentemente, elevando as temperaturas em duas vezes a média esperada para o verão.

Estima-se que, desde 27 de julho deste ano, foram perdidas 9,3 bilhões de toneladas de gelo por dia da superfície do grande manto que cobre a maior parte da Groenlândia — o dobro da média normal de derretimento no verão. De acordo com o Instituto Meteorológico Dinamarquês, pouco antes disso as temperaturas ao norte da região subiram para 20 °C, duas vezes a média de temperatura do verão por lá.

(Imagem: Reprodução/AFIS)

Desde 1950, esta é a terceira maior onda de derretimento em um único dia registrado na Groenlândia — a maior perda de gelo aconteceu em 2019 e, a segunda aconteceu em 2012. A perda anual de parte desta camada de gelo é observada desde 1990, mas, nos últimos anos, a taxa acelerou em até quatro vezes em comparação aos níveis anteriores a 2000. Conforme estima o Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo (NSIDC, na sigla em inglês) dos EUA, se todo o gelo desta região derreter, os níveis globais do mar subirão cerca de 6 metros.

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O cientista climático Xavier Fettweis, da Universidade de Liège, na Bélgica, atribui a causa da aceleração a um evento atmosférico chamado anticiclone, que se estabeleceu acima do continente. Os anticiclones são caracterizados por regiões de alta pressão atmosférica que permitem que o ar contido por eles afunde, criando condições favoráveis para que o calor persista naquela área por muito mais tempo. Normalmente, o derretimento sazonal da Groenlândia começa em junho e se estende até setembro, mas o evento está cada vez mais intenso e, assim, a camada de gelo não se recupera totalmente antes do verão seguinte.

(Imagem: Reprodução/Xavier Fettweis)

Depois da Antártida, a Groenlândia é o único manto de gelo permanente da Terra e tem quase três vezes o tamanho do estado norte-americano do Texas — juntos, representam 99% das reservas de água doce do planeta, de acordo com o NSIDC. Fettweis calcula que, apenas no último dia 28 julho, a Groenlândia tenha perdido 24 bilhões de toneladas de gelo e, desse total, 13 bilhões foram despejados ao oceano.

Infelizmente, este derretimento não é exclusivo da região: a tendência do degelo acelerado é observada por cientistas em outras partes geladas do planeta. Só entre 200 e 2019, as geleiras do mundo perderam, em média, 293 bilhões de toneladas a cada ano, o que corresponde ao aumento de 21% do nível do mar registrado nesse período.

Uma pesquisa recente concluiu que a criosfera — camada de gelo que cobre o planeta e desempenha um papel fundamental para o clima global — está perdendo a cada ano, desde 1979, o suficiente para cobrir uma área congelada do tamanho do Lago Superior, o maior lago de água doce do mundo.

Fonte: Space.com, DMI

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