Brasil não assina pacto para o fim de carros a gasolina em 2040; por quê?

Brasil não assina pacto para o fim de carros a gasolina em 2040; por quê?

Por Felipe Ribeiro | Editado por Jones Oliveira | 11 de Novembro de 2021 às 15h40
Luara Baggi

O Brasil não assinou o pacto para o fim dos carros a gasolina. Durante o COP 26, Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas realizada em Glasgow, na Escócia, diversas nações, empresas e até cidades formalizaram acordo para deixar de fabricar e estimular o uso de automóveis a combustão que utilizem combustíveis oriundos do petróleo, com meta estipulada para 2040.

Essa decisão, considerada polêmica e controversa por especialistas, pode ter explicação na estratégia do Brasil em apostar mais fortemente no etanol, já que é considerado um combustível bem mais limpo do que a gasolina, por exemplo, e que não tem origem no petróleo — além de ter ciclo de produção menos poluente do que outros aditivos. O país é o maior produtor de cana-de-açúcar do planeta.

Segundo o UOL, o acordo tem participação de países como Uruguai, Paraguai, Chile, Canadá, Nova Zelândia, Holanda, Irlanda, Índia, Quênia e Reino Unido; empresas como Ford, Mercedes, Volvo e Mercedes-Benz; e cidades importantes como Buenos Aires, Nova Iorque, Los Angeles, Londres e Barcelona. Muito embora não tenha a "presença" de nenhum nome do Brasil nesse pacto, o Governo do Estado de São Paulo chegou a anunciar importantes projetos para descarbonização.

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Por mais que não tenha assinado o acordo na ONU, o Brasil também tem projetos internos com basicamente o mesmo propósito e prazo. Um projeto de lei criado pelo então deputado Ciro Nogueira, em 2020, prevê a extinção dos veículos a combustão no país em 2040, com a paralisação da produção em 2030, tal qual outras nações na Europa e Ásia.

O Honda Civic Touring é um dos poucos carros 100% a gasolina fabricados no Brasil (Imagem: Felipe Ribeiro/Canaltech)

Brasil não foi o único

Não foi apenas o Brasil que ficou de fora desse pacto simbólico. Alemanha, China e Estados Unidos também não o assinaram, embora, do mesmo modo, tivessem mostrado soluções diferentes em seus respectivos painéis na COP 26. Volkswagen e Toyota foram outras importantes empresas que não aderiram ao acordo, já que, em se tratando do nosso país, possuem intenções também ligadas ao uso do etanol e de carros híbridos.

No caso da montadora japonesa, a ideia não é de apenas apostar em carros híbridos flex, como o Toyota Corolla Hybrid, mas também em modelos movidos a células de combustível abastecidas com hidrogênio, como o Toyota Mirai. Já a Volks quer investir pesado no combustível oriundo da cana e vai ter um centro global de desenvolvimento de biocombustíveis no Brasil.

Fonte: Governo de SP, UOL

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