CEO da Google envia e-mail para empregados com diretrizes contra assédio sexual

Por Ares Saturno | 08 de Novembro de 2018 às 19h30
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Após a engenheira de software Loretta Lee processar a Google, sua ex-empregadora, em março de 2018, por assédios sofridos em seus oito anos de carreira na gigante das buscas, a empresa tem enfrentado a pressão social pelas condições de violência de gênero nos locais de trabalho. Só no último mês, diversas polêmicas assolaram a Google, que está fazendo o possível para criar formas de enfrentamento ao assédio sexual e retomar a confiança quebrada.

Entre essas polêmicas está a demissão de Andy Rubin, o idealizador do Android. Ele saiu da empresa em 2014, mas em 2017 foi descoberto que ele foi forçado a renunciar de seu cargo firmando um acordo onde receberia US$ 90 milhões, após ser denunciado no RH da gigante por comportamento inadequado com suas colegas de trabalho. Em 25 outubro de 2018, Sundai Pichar, CEO da Google, reconheceu o problema após relatório publicado pelo jornal The New York Times, anunciando à mídia medidas de enfrentamento.

Dentre as decisões tomadas pela equipe da Google para coibir o assédio e a impunidade dos assediadores, Pichai informa que, nos últimos dois anos, 48 funcionários já foram demitidos da empresa devido a comportamento sexual inadequado com colegas de trabalho. Destes, 13 eram gerentes ou líderes de equipe. “Nós temos o compromisso de nos certificar de que a Google é um ambiente onde você se sente seguro para fazer o seu melhor trabalho, e onde há sérias consequências para qualquer um que se comporte de maneira inapropriada”, disse Pichai na comunicação oficial, sem tentar refutar as acusações feitas.

Assista Agora: Gestor, descubra os 5 problemas que suas concorrentes certamente terão em 2019. Comece 2019 em uma nova realidade.

Andy Rubin, idealizador do Android, recebeu bonificações financeiras da Google após ser denunciado por assédio sexual (Imagem: Reprodução / Twitter)

Apenas seis dias após a matéria do Times, em 30 de outubro, o diretor da Google X, Rich DeVaul, que fora citado pela publicação por ter assediado a engenheira de hardware Star Simpson durante uma entrevista de emprego, pediu demissão de seu cargo. Pichai mais uma vez afirmou que a empresa não estava tomando todas as providências devidas para erradicar o problema, mas reconheceu a responsabilidade e a necessidade de mudança. Neste mesmo dia (30), 200 engenheiras da Google marcaram uma marcha para a última quinta-feira (1º) em protesto contra a impunidade dos assediadores.

A marcha reuniu profissionais de mais de 40 diferentes escritórios da Google e o objetivo era dar visibilidade à causa e pressionar a administração a adotar medidas mais responsáveis como o fim da arbitragem forçada nos casos de assédio sexual e discriminação de gênero, incluindo as diferenças salariais e de oportunidades de crescimento na carreira; mais transparência nos relatórios e investigações sobre assédios denunciados; entre outros. "Não queremos mais sentir que somos desiguais ou que não somos mais respeitadas. A Google é famosa por sua cultura. Mas, na realidade, não estamos nem mesmo encontrando noções básicas de respeito e justiça para cada pessoa aqui", contou Claire Stapleton, gerente de marketing de produtos do YouTube.

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Mea Culpa

Nesta quinta-feira (8), Sundar Pichai enviou um e-mail para todos os funcionários, deixando claro o que a Google está fazendo para coibir o assédio sexual em seus locais de trabalho. Na publicação, Pichai não se esquiva da responsabilidade e reconhece que a empresa poderia ter lidado melhor com as situações de assédio ocorridas no passado. Em seguida, anuncia um plano de ação concedendo algumas mudanças exigidas no protesto do dia 1º de novembro, como a arbitragem opcional para as denúncias; maior transparência nas investigações e sanções aplicadas aos assediadores; aconselhamento e suporte à carreira de quaisquer profissionais vítimas durante e após o processo e a inclusão do tema nos treinamentos obrigatórios das equipes.

Abaixo, é possível ler o comunicado reproduzido na íntegra:

Olá pessoal,

No Google, nos esforçamos para construir uma empresa que ofereça suporte aos seus funcionários e que os empodere para fazer melhor seu trabalho. Como CEO, levo essa responsabilidade muito a sério e estou comprometido em fazer as mudanças que precisamos para melhorar. Nas últimas semanas, as lideranças do Google e eu ouvimos seu feedback e ficamos sensibilizados com as histórias que vocês compartilharam.

Reconhecemos que nem sempre conseguimos fazer tudo certo no passado e pedimos sinceras desculpas por isso. Está claro que precisamos fazer algumas mudanças.
Seguindo em frente, vamos dar maior transparência à forma como resolvemos essas questões. Vamos oferecer um suporte melhor e cuidar das pessoas que se manifestarem. Vamos dobrar nosso compromisso para oferecer um ambiente de trabalho representativo, igualitário e respeitoso.

Hoje, estamos anunciando um plano de ação abrangente para progredir. O plano está detalhado aqui e encorajo todos a lê-lo. A seguir, algumas das principais mudanças:

  • Vamos tornar a arbitragem opcional para denúncias de assédio sexual e violência sexual. O Google nunca exigiu confidencialidade no processo de arbitragem e a arbitragem continua sendo a melhor escolha por uma série de razões (privacidade, por exemplo), mas reconhecemos que essa escolha deve ser sua;
  • Vamos oferecer mais granularidade em torno de investigações de assédio sexual e seus desdobramentos, por meio de nosso Relatório de Investigações;
  • Estamos revendo a forma como lidamos e olhamos seus questionamentos de três formas:
  • vamos juntar todos os nossos canais de contato em um site dedicado com atendimento ao vivo;
  • vamos melhorar os processos que usamos para lidar com essas questões, incluindo o fato de que Googlers poderão ser acompanhados por uma pessoa de apoio; e
  • vamos oferecer cuidados extras e recursos para Googlers durante e depois do processo, o que inclui aconselhamento estendido e suporte à carreira;
  • Vamos atualizar e expandir nosso treinamento obrigatório sobre assédio sexual. A partir de agora, se você não completar o treinamento, vai receber uma estrela a menos em sua nota na sua avaliação de performance;
  • Vamos nos comprometer novamente com nossas metas em torno de diversidade, equidade e inclusão em 2019, focando em melhorar a representatividade — por meio da contratação, promoção e retenção — e criando uma cultura mais inclusiva para todos. Nossa Chief Diversity Officer vai continuar a dar atualizações mensais sobre os progressos para mim e o time de liderança.


Espero que vocês reservem um tempo para ler todas as ações que estamos anunciando hoje.

Obrigado por todos os feedbacks que vocês compartilharam conosco. Essa é uma área na qual precisamos fazer progresso continuamente e estamos comprometidos com isso. Em geral, ouvimos dos Googlers que a melhor parte de trabalhar aqui são os outros Googlers. Mesmo em momentos difíceis, somos encorajados pelo compromisso de nossos colegas em criar um local de trabalho melhor. Isso aconteceu intensamente nas últimas semanas.
-Sundar

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