Assédio sexual já causou 48 demissões na Google

Por Rafael Arbulu | 26 de Outubro de 2018 às 10h02
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Na edição desta quinta-feira (25), o jornal The New York Times publicou uma matéria expondo um caso de acobertamento de má conduta sexual envolvendo Andy Rubin (criador do Android) e a Google. Segundo o texto, a gigante da internet, que se despediu de Rubin após pagar a ele um acordo de saída de cerca de US$ 90 milhões, na verdade o fez para acobertar um relato crível de assédio vindo de uma funcionária.

Na mesma noite, a Google se posicionou via e-mail enviado pelo atual CEO, Sundar Pichai, a todos os funcionários e colaboradores da Google: “Nós levamos muito a sério a ideia de prover um ambiente de trabalho seguro e inclusivo. Queremos assegurar a todos de que revisamos toda e qualquer denúncia de assédio sexual ou conduta inapropriada, nós as investigamos tomamos ações”, disse o presidente executivo no e-mail, que também foi assinado pela vice-presidente de operações da Google, Eileen Naughton.

O e-mail diz que, nos últimos dois anos, a Google demitiu 48 pessoas por causa de relatos de avanços sexuais inapropriados sem qualquer tipo de pagamento de rescisão ou acordo, sendo 13 delas gerentes ou líderes de equipe, além de listar normas e políticas corporativas criadas após a saída de Rubin. A mensagem enviada aos funcionários não tenta, em nenhum momento, refutar as informações dispostas no artigo do jornal.

Andy Rubin, criador do Android, foi acusado de assédio sexual e teve sua renúncia pedida pelo CEO da Google em 2013, Larry Page: matéria no New York Times expôs acobertamento do caso pela empresa

A matéria do NYT cita fontes que falaram ao jornal sob condição de anonimato e conta o caso de uma funcionária da empresa, com quem Rubin estava tendo um caso extraconjugal. Segundo o relato dela, o criador do Android a coagiu em fazer sexo oral nele em um quarto de hotel no ano de 2013. A Google, ao investigar a situação, concluiu que sua reclamação era “crível” e tinha fundamento.

Contudo, ao invés de demitir Rubin sem qualquer acordo, conforme rege a sua política, as fontes do jornal dizem que a Google preferiu acobertar o caso, “oferecendo” a ele uma rescisão no valor de US$ 90 milhões a serem pagos em parcelas de US$ 2 milhões: a última parcela será paga a Rubin no mês de novembro. Na ocasião, Page ainda era o CEO e teria pedido a renúncia de Rubin devido ao caso.

Em e-mail interno, o atual CEO da Google, Sundar Pichai, reforçou as políticas de denúncia de assédio instituídas pela Google

Evidentemente, a Google não espera mudar o passado, mas, com este e-mail, busca passar a ideia de que as coisas mudaram desde então: “Nós temos o compromisso de nos certificar de que a Google é um ambiente onde você se sente seguro para fazer o seu melhor trabalho, e onde há sérias consequências para qualquer um que se comporte de maneira inapropriada”.

O e-mail completo pode ser lido abaixo:

“Olá, pessoal.

A matéria de hoje no New York Times foi difícil de ler.

Nós levamos muito a sério a ideia de prover um ambiente de trabalho seguro e inclusivo. Queremos assegurar a todos de que revisamos toda e qualquer denúncia de assédio sexual ou conduta inapropriada, nós as investigamos, e nós tomamos ações.

Nos últimos anos, nós realizamos uma série de mudanças, incluindo uma política mais dura contra condutas inapropriadas cometidas por pessoas com autoridade: nos últimos dois anos, 48 executivos foram demitidos por assédio sexual, incluindo 13 gerentes seniores ou de cargos superiores. Nenhum destes indivíduos recebeu qualquer rescisão.

Em 2015, nós lançamos o programa [email protected] e também o nosso Relatório Anual de Investigações Internas para oferecer transparência sobre estas investigações na Google. Como sabemos que relatar o assédio pode ser algo traumático, nós criamos canais confidenciais para compartilhar informações sobre qualquer comportamento inapropriado pelo qual você passe ou veja. Nós apoiamos aqueles que decidiram se abrir. Você pode encontrar várias formas de fazer isso em “go/saysomething”. Você pode relatar algo anonimamente, se preferir.

Nós também atualizamos a nossa política interna, exigindo de todos os vice-presidentes e vice-presidentes seniores de tornar público qualquer relacionamento com colegas de trabalho, independente de hierarquia ou possibilidade de conflito.

Nós temos o compromisso de nos certificar de que a Google é um ambiente onde você se sente seguro para fazer o seu melhor trabalho, e onde há sérias consequências para qualquer um que se comporte de maneira inapropriada

Sundar and Eileen”

Fonte: The Verge; New York Times

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