Ashton Kutcher: o ator que mais sabe sobre redes sociais, startups e mundo geek

Por Luciana Zaramela | 27.05.2013 às 11:20

De ator famoso de Hollywood a geek de carteirinha — quem diria que Ashton Kutcher (Kelso, de 'That '70s Show' e Walden, de 'Two and a Half Men') ou @aplusk, para os twitteiros, entenderia tanto de web e assuntos geek? Pois é, o cotado representante de Steve Jobs nas telonas se mostrou um bom entendedor de tecnologia durante o evento da Cellular Telecommunications and Internet Association que rolou essa semana em Las Vegas, Nevada. Ele participou de uma keynote no último dia da CTIA 2013.

Como diria Alex Roth, do Tech Radar, "ver um ator dando palestra em um evento tech é como ver o Slayer tocando em uma feira de bairro". Mas Kutcher provou que, além de bom orador, é uma pessoa divertida e de opinião forte, principalmente quando o assunto é ligado a redes sociais. Fato curioso: você sabia que ele investe em startups de tecnologia e tem ações em grandes empresas do ramo? Não? Pois é.

Ashton, o investidor

Durante um bate-bola entre Kutcher e Julie Boorstin, da CNBC, o ator falou de desenvolvimento de aplicativos móveis e seus próprios investimentos em mídia digital. Ele acredita no futuro da tecnologia e investe, desde muito tempo, em várias startups do ramo (ao ser questionado, Kutcher apenas sorriu e não revelou os nomes das empresas, mas sabemos que a AirBnB é uma delas).

Seus investimentos em empresas que hoje se tornaram famosas na web mostraram que o ator tem faro para o negócio. Uma das áreas da tecnologia que mais o atraem é a de compartilhamento P2P (peer-to-peer). Sem querer aprofundar no assunto, Kutcher diz ser "apenas um consumidor", não um investidor. Dentre as grandes empresas em que investiu estão Square, Uber e Twitter – sim, ele investiu no microblog quando ainda estava no ninho, preparando para alçar seu primeiro voo e se tornar o passarinho mais famoso da web.

Ashton Kutcher

Ashton em entrevista à CNBC, após keynote realizada na CTIA 2013 (Foto: Daniel Howley/LAPTOP)

Quando um ator de Hollywood pisa em um ambiente altamente tecnológico, fica difícil resistir a uma dúvida: afinal, o que os astros e estrelas pensam da distribuição de mídia em serviços de streaming? Boorstin fez a pergunta, aproveitando o momento do recente lançamento da série "Arrested Development" pela Netflix. Kutcher disse que estes e outros serviços, como a Amazon, podem e devem desenvolver conteúdo próprio para lançar na web. O único erro seria investir cedo demais ao apoiar essa ideia.

Kutcher pensa que os distribuidores online só irão ultrapassar a televisão quando produzirem conteúdo de qualidade similar. Mas, para fazer isso, é necessário ter muito dinheiro para gastar em produção. As margens de lucro, neste caso, acabariam se transformando em um verdadeiro naufrágio de verbas, e é por isso que ele não arrisca nem investe neste tipo de conteúdo.

Facebook é a "nova religião"

Kutcher não se mostrou muito satisfeito com o que o Facebook se tornou hoje. Ele conta que não se sente à vontade na rede social, justamente por ter muitos rostos estranhos participando de seus contatos. Isso faz com que ele perca a liberdade de postar fotos e compartilhar momentos de sua vida. Em virtude de ser uma rede onde as pessoas vivem postando fotos de si mesmas e compartilhando frases e comentários que se espalham entre todos os usuários com uma rapidez enorme, o ator acabou fazendo uma analogia da rede de Mark Zuckerberg a uma "nova religião". Para ele, expor demais a vida privada como tem acontecido no Facebook é algo extremamente problemático.

A comparação soou estranha para muitos, mas na concepção de Kutcher, quando a sociedade migrou da vida tribal para as grandes metrópoles, as pessoas eram escolhidas de acordo com a religião para formar uma vizinhança. Para ele, agora, as pessoas utilizam as redes sociais para averiguar e vasculhar a vida alheia. "A tecnologia acaba com seu tempo, espaço e movimento", e com o Facebook, "estranhos passam a ser amigos de amigos". Ok, Kutcher, mas isso continua soando estranho.

Da 'treta' no Twitter ao heavy user filantropo

Ashton Kutcher

Ficou claro que Kutcher prefere o Twitter (pudera, é a rede que ele viu e ajudou a crescer). "Quando o Twitter começou, parecia que seria a democratização da mídia, mas agora parece ser simplesmente a mídia", comenta. Muito conhecido no microblog pelo apelido @aplusk ("A plus K", ou "A mais K", uma brincadeira com as iniciais de seu nome), ele também faz suas ressalvas.

Segundo ele, a facilidade de retwittar no microblog "foi o que mais feriu o Twitter. Tem um monte de gente vendendo m**** que eu não quero". Em outras palavras, a mídia "avacalhou" o Twitter e o transformou em uma plataforma muito mais comercial que pessoal. Kutcher foi o primeiro usuário do Twitter a ter mais de 1 milhão de seguidores, ganhando o concurso "Million Followers Contest", realizado pela CNN em 2009. Há algumas controvérsias que ainda circulam na web acerca do resultado do concurso, alegando que o próprio Twitter manipulou o resultado ao impedir que os seguidores do ator e da CNN parassem de segui-los, clicando em "unfollow".

O "bug" que aparecia na tela de quem tentava parar de segui-los virou motivo de insatisfação e rendeu até uma matéria na CNET, que ensinava como "dar unfollow" em @aplusk ou na @CNNbrk. Águas passadas. Depois disso, ele se mostrou ser realmente um heavy user do Twitter, anunciando no próprio microblog que doaria US$ 100.000 (R$ 200.000) do prêmio para uma instituição de caridade, em prol do combate à malária. Hoje, o ator geek conta com quase 14.500.000 seguidores.

Na pele de Steve Jobs

Cadê o filme jOBS nas telonas, senhor Kutcher? Quem está interessado em assistir à biografia do visionário ex-CEO da Apple no cinema mal pode esperar pela estreia do filme. Ashton Kutcher interpretará Steve Jobs no longa, que pelo visto, quer mais buzz do público antes de ser lançado. O filme, dirigido por Joshua Michael Stern ("Promessas de um cara de pau") estrearia nos Estados Unidos em 19 de abril, dia em que a Apple completou 37 anos.

Escolhido para viver o executivo que marcou a história, Kutcher parece ter mergulhado de cabeça no papel, que o deixou literalmente com a cara de Jobs. Uma foto da maquiagem feita no ator para a fase final das gravações da cinebiografia rendeu uma montagem, feita pelo Gizmodo, com a foto original do CEO, que inspirou todo o make-up.

Kutcher Jobs

À esquerda, Ashton Kutcher; à direita, Steve Jobs (Imagem: Gizmodo)

A trama de jOBS conta a história da origem da companhia e da rotina do executivo, ao lado do colega Steve Wozniak, construindo o primeiro computador da Apple em uma garagem. Desde o início dos anos 70 até a data de lançamento do primeiro iPod, em 2001, os momentos mais importantes da vida do executivo-chefe da Maçã ganharam novas cores e movimentos, em um enredo detalhado que mostra os feitos de um dos homens mais visionários do mundo.