EUA ameaçam impor tarifa de 100% sobre DRAM importada em meio à crise
Por Raphael Giannotti |

A crise de DRAM, componente chave para memória RAM, pode ficar ainda pior com uma nova ameaça grave. O governo dos EUA, através do Departamento de Comércio, sinalizou que pode criar uma nova tarifa de importação de 100% sobre fabricantes estrangeiras de DRAM. A medida visa forçar a produção de chips em solo americano e tem potencial de agravar a situação que já é a pior da história nesse segmento.
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Segundo o Bloomberg, o Secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, deu um ultimato aos fabricantes: ou constroem fábricas nem solo americano, ou pagam uma tarifa de 100%.
"Todos aqueles que desejam construir memória têm duas opções: podem pagar uma tarifa de 100% ou podem construir nos Estados Unidos. Isso é política industrial", afirmou Lutnick.
Novas fábricas estão em construção nos EUA
Se a ameaça se concretizar, 2026 será um ano ainda mais difícil para quem deseja montar um PC ou fazer um upgrade. A Micron, uma das grandes players e única americana (mas com maior parte das fábricas fora do país), além da Samsung, até começaram a construir novas fábricas nos EUA, mas essas instalações levam anos para operar em capacidade total.
Com a possível aplicação da tarifa, o custo será repassado ao consumidor integralmente em algum momento. Um pente de 32 GB DDR5, que hoje já custa uma pequena fortuna (cerca de R$ 2.000 hoje), poderia duplicar de uma hora para outra. Se já está quase impossível para o brasileiro médio, imagina nesse possível cenário.
A indústria já sofre com a escassez de DRAM porque as grandes fabricantes (Samsung, SK Hynix e Micron) desviaram o foco da produção de DDR4 e DDR5 padrão para fabricar memórias HBM (High Bandwidth Memory), usadas nos aceleradores de IA da NVIDIA, maior fornecedora desse componente, além da AMD e Intel.
Com a oferta baixa e a demanda dos data centers nas alturas, os preços já estavam em escalada vertical sem parar. A adição de uma tarifa de 100% seria, basicamente, jogar gasolina no incêndio.
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Fonte: Bloomberg