5 sinais de que o Xbox está tentando voltar às origens
Por Gabriel Cavalheiro • Editado por Jones Oliveira |

Asha Sharma assumiu uma montanha de problemas quando foi promovida a CEO do Xbox em fevereiro de 2026. A nova chefona da marca de games da Microsoft pegou uma divisão sem moral com os consumidores, com sérios problemas de identidade e uma aparente desvinculação de seu principal produto por décadas: os consoles Xbox.
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Houve muita preocupação com a chegada de Asha Sharma como chefona da marca, em especial por seu passado na Microsoft com Inteligência Artificial.
Embora seja cedo para dar algum diagnóstico completo sobre a situação atual do Xbox, a executiva surpreendeu muitos fãs e jogadores com mudanças que indicam um retorno do Xbox.
Nestes 60 dias, vimos atualizações importantes para o Xbox Series, redução nos preços do Xbox Game Pass, além de uma comunicação clara e transparente. Pensando nesta sequência de acertos, listamos 5 sinais de que o Xbox está tentando voltar às origens sob a gestão de Asha Sharma.
5. Transparência
O Xbox passou os últimos anos silencioso e com uma comunicação confusa, ao menos para quem via de fora. Nunca sabíamos exatamente quais os planos da marca. A sensação era a de que estavam atirando para todos os lados possíveis e nunca acertando no alvo.
Phil Spencer, que anteriormente era conhecido por ser o executivo gamer da marca e sinônimo de transparência, aparecia ao público cada vez menos e, quando dava alguma entrevista ou comunicado, era algo impopular. Os líderes da marca também costumavam desaparecer em épocas de crise, o que deixava suas decisões ainda mais turvas.
Asha Sharma parece estar empenhada em não só falar com o público, como dar a cara a tapa para falar dos desafios e problemas. A líder do Xbox se mostrou muito solícita, respondeu a fãs sobre dúvidas em redes como o X, além de promover algumas entrevistas e comunicados que clarificam os passos da nova gestão.
A CEO também criou uma equipe interna no Xbox focada para ouvir e atender aos feedbacks dos jogadores.
4. Foco no hardware do Xbox
Os primeiros dois meses de gestão de Asha Sharma foram regados por atualizações do sistema do Xbox Series. Importantes mudanças no Quick Resume e repaginação visual das Conquistas foram comemoradas por toda a comunidade. Embora pareçam simples atualizações, há tempos donos de Xbox Series não viam qualquer novidade relevante do sistema.
A falta de novos conteúdos e recursos nos consoles, ao passo que o aplicativo do PC e mobile contavam com atualizações frequentes, reforçou a mensagem de que a Microsoft estava deixando o hardware na gaveta enquanto expandia para um futuro aberto e multiplataforma.
Em um evento interno da Microsoft, Asha Sharma destacou que quer começar pelos consoles no "retorno do Xbox". As duas primeiras gerações da marca se destacaram justamente por seu foco em hardwares e exclusivos, dois pontos totalmente abandonados pela dobradinha Sarah Bond e Phil Spencer.
A nova CEO anunciou que irá reavaliar estratégias relacionadas a exclusivos, janelas de lançamento e uso de Inteligência Artificial. Apesar de ainda não sabermos qual será a decisão final da executiva, o fato de estarem reavaliando a estratégia multiplataforma é um sinal muito positivo. Desde o início da indústria, exclusividade é um ponto-chave para fabricantes de consoles. Seria difícil ver um futuro para a plataforma do Xbox sem este importante pilar.
3. Retorno da identidade do Xbox
Asha Sharma tem investido pesado no marketing do Xbox. A executiva abriu vagas para cargos de liderança no setor, além de abrir um novo departamento chamado Xbox Brand & Reputation, que trabalhará de perto com as equipes de comunicações e marketing da divisão.
Outro feito digno de nota por parte da executiva foi descontinuar com a campanha "Isso é um Xbox". A propaganda tinha como objetivo mostrar que qualquer dispositivo com acesso à internet poderia ser um Xbox, seja ele um celular ou um carro. A campanha gerou muitas críticas por parte da mídia e dos jogadores e teria desagradado parte da equipe do Xbox.
No fim deste mês, Asha Sharma revelou que a equipe deixará de usar o nome Microsoft Gaming para se referir à divisão. "Microsoft Gaming descreve nossa estrutura, mas não descreve nossa ambição. Por isso, estamos voltando às nossas origens e mudando o nome da equipe. Nós somos Xbox", explicou a líder.
Como parte da mudança, o Xbox passará a adotar uma nova logo em neon que traz a cor verde clássica da marca, substituindo a logo minimalista em preto e branco adotada na geração do Xbox Series. Todas essas mudanças marcam o esforço da nova gestão em trazer a identidade do Xbox de volta à era do Xbox 360.
2. Jogos que definem gerações
A virada entre as gerações do Xbox One e Xbox Series foi marcada pela série de aquisições de estúdios que a Microsoft começou a promover. Desde estúdios menores que haviam se destacado de alguma forma, como Compulsion Games e Double Fine Productions, até gigantes como a Bethesda e a Activision Blizzard. Esses esforços aconteceram após uma oitava geração carente de grandes títulos exclusivos, o que reflete a derrota para o Playstation 4 naquela ocasião.
Apesar de todas as críticas direcionadas à forma como Phil Spencer estava tocando o barco do Xbox, é inegável que a divisão é uma das melhores em oferecer jogos genuinamente diversos graças ao tamanho de sua nova estrutura. Falamos desde jogos contemplativos como Keeper até gigantes como Forza Horizon 6.
Embora essa diversidade seja muito bem-vinda, o Xbox tem falhado em emplacar gigantes que realmente mudam a geração ou ficam na boca do público por um tempo. Apenas Forza Horizon 5 conseguiu de fato furar essa bolha.
Starfield foi claramente uma tentativa falha disso. Não estou falando na qualidade do jogo e coisa do tipo, mas todo o hype em cima do RPG de ficção científica desenvolvido por anos pela Bethesda decepcionou jogadores que esperavam o mesmo impacto que Skyrim teve em 2011. Halo Infinite foi outro jogo que acabou decepcionando nesse sentido, em especial por não fazer um bom uso do mundo aberto e entregar gráficos aquém do esperado para a franquia mais importante da marca.
Apesar das águas dos exclusivos ainda estarem incertas, Sharma afirmou que irá se concentrar em grandes jogos. "Nós vamos entregar grandes jogos. Tudo deriva de grandes jogos, isso significa capacitar os estúdios para fazerem o nosso melhor trabalho", afirmou a executiva.
O Xbox possui uma line-up bem forte para 2026, bem a tempo dos 25 anos da marca. Neste ano, a Microsoft promete trazer Halo: Campaign Evolved, Gears of War: E-Day, Fable e Forza Horizon 6. O objetivo de Sharma é tornar-se a “maior plataforma de jogos do mundo”, mas para isso são necessários títulos que realmente fazem diferença na indústria dos jogos.
1. Acessibilidade aos produtos e serviços do Xbox
Asha Sharma pegou todos de surpresa quando anunciou que iria reduzir os preços do Xbox Game Pass após o aumento para R$ 120/mês no Brasil e no restante do mundo em outubro do ano passado.
A própria executiva reconheceu que os preços praticados pela divisão estavam altos nos últimos anos. "Historicamente, nossos preços não foram muito flexíveis, e acho que isso é uma coisa grande na qual precisamos trabalhar. Você viu isso com o Game Pass, que estava caro demais, então damos um passo para lidar com isso”, contou em entrevista.
Sharma também disse que irá investir na China, em mercados emergentes e em usuários que priorizam dispositivos móveis. Isso pode significar um sinal positivo para o mercado brasileiro, que aparentemente foi deixado de lado, especialmente na oferta de consoles no país.
Xbox vai realmente mudar?
A gestão anterior do Xbox, composta por Phil Spencer e Sarah Bond, vinha de anos desastrosos com decisões questionáveis e falta de transparência. A antiga liderança seguia um caminho onde qualquer coisa era um Xbox, mas, como já sabemos, definitivamente não deu certo.
Muitos membros da comunidade do Xbox no Brasil e em outras regiões do mundo colocavam a culpa dessa gestão calamitosa no CEO da Microsoft Satya Nadella. Rumores e reportagens afirmaram que a dona do Xbox estaria pedindo um retorno financeiro da divisão maior do que o restante da indústria, que vive em uma de suas piores fases. Essa cobrança foi acentuada com a compra da Activision Blizzard por quase US$ 70 bilhões. A aquisição foi fechada em outubro de 2023, momento em que o Xbox começou a apresentar seus primeiros sintomas de uma queda desesperada.
Se a culpa é de Phil Spencer, Sarah Bond ou Satya Nadella, no fim das contas não importa. Em seus dois primeiros meses na liderança do Xbox, Sharma começou a implementar uma série de mudanças que indicam um retorno da marca como a conhecíamos em seus melhores anos.