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Review Marvel’s Spider-Man 2 | Mesma fórmula, agora em dobro

Por| Editado por Durval Ramos | 16 de Outubro de 2023 às 11h00

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Reprodução/Insomniac Games
Reprodução/Insomniac Games

A melhor maneira de começar falando do novo Marvel's Spider-Man 2 é colocar um aviso: o Homem-Aranha é o meu personagem favorito. Não só dos quadrinhos, favorito no geral. É importante falar sobre isso pois, por padrão, eu tenho a predisposição de gostar de coisas relacionadas ao herói, mesmo quando sei que elas não são as melhores do mundo.

Talvez, por isso, eu também consigo ser bastante crítico quando necessário, às vezes até mais do que o normalmente seria. Dito isso, Marvel’s Spider-Man, jogo de 2018, é um dos meus favoritos e considero o melhor jogo com o Homem-Aranha, com tranquilidade.

Tudo nele me agrada, mesmo reconhecendo que todas as missões com a Mary Jane são irritantes, pois ela é bastante inútil nelas, assim algumas sidequests. Por conta disso, estava bastante empolgado com a ideia de Marvel’s Spider-Man 2, jogo que supostamente viria para melhorar aquilo que já era muito bom.

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Após pouco mais de 30 horas para fazer tudo o que jogo tinha para oferecer, é possível dizer que Marvel’s Spider-Man 2 é muito bom, mas não tem o mesmo impacto que o primeiro conseguiu ter.

Um gameplay mais refinado, ainda que idêntico

Uma das coisas mais legais do primeiro jogo do Homem-Aranha da Insomniac Games era o seu gameplay, que permitia ter a sensação de se balançar em teias por toda Nova York. Isso foi melhorado no segundo game, podendo inclusive configurar o quanto a física pode alterar a forma como os heróis se comportam no ar.

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Isso foi uma mudança bem interessante e que, apesar de não ser ativada por padrão, pode ser uma boa pedida para os jogadores que não se sentem muito desafiados, mas fica o aviso que a chance de você sofrer bastante para se acostumar é grande. Isso porque muitas vezes você perde o timing da teia, que não alcança direito um prédio e você perde todo o impulso que ganhou em uma balançada anterior. Ainda assim, uma adição muito boa para quem sempre quiser se sentir na pele do Amigão da Vizinhança.

Outra mudança significativa está no esquema de combate do jogo. Abandonando a antiga roda de equipamentos, em que você selecionava diferentes tipos de teia durante a pancadaria, agora você tem habilidades que podem ser ativadas segurando L1 e R1. Essas habilidades são destravadas ao longo do jogo e podem ser alteradas, dependendo do que você achar melhor no momento.

Tirando isso, o gameplay de Marvel’s Spider-Man 2 é basicamente o mesmo do primeiro game — e isso não é ruim. Uma boa comparação a ser feita é a com os jogos da série Batman Arkham, que criaram uma base sólida do gameplay no primeiro título e a foram refinando ao longo dos anos.

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O mesmo acontece aqui, logo, os jogadores que curtiam como as coisas funcionavam no primeiro título devem adorar o que foi feito por aqui. Tudo é muito parecido e, por isso mesmo, segue tudo muito bom.

Uma bela adição foram as “asas de teia”, que permitem que o jogador saia planando pela cidade. Isso ajuda bastante para percorrer grandes áreas da cidade em alta velocidade, já que túneis de vento permitem que você viaje muito rápido de um distrito para o outro, além de mudar um pouco a forma como você encara o gigantesco mapa de Nova York. Com um cenário ampliado com a adição de novos bairros, as teias nas axilas são uma ajuda mais do que bem-vinda para cruzar de um ponto a outro do mapa.

Uma vasta seleção de roupas para escolher

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Uma das coisas que vários jogadores estavam curiosos em saber é sobre a seleção de roupas alternativas do jogo. Por ter dois Homem-Aranha para escolher, a variedade precisava ser considerável, e de fato é.

São 65 uniformes entre Peter e Miles, com vários deles ainda contendo uma variação de quatro cores cada. Apesar de as cores serem predeterminadas, existem algumas versões que são melhores que as originais e podem se tornar as favoritas dos jogadores. Até porque há várias brincadeiras e easter eggs aos quadrinhos nessa seleção.

Porém, é necessário dizer que, particularmente, a seleção de roupas é um pouco ruim. Vários uniformes foram reaproveitados do primeiro jogo, o que é compreensível, mas muitos ficaram de fora e salvo algumas exceções, os novos são bem qualquer coisa. A seleção do Miles é horrorosa em 80% dos casos que chega a dar pena do garoto. Tem muita coisa ali que é só esquisita e ficaria surpreso que de fato seja usada depois de destravada.

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Dois Homens-Aranha, mas sem muita diferença

Aqui eu começo a reclamar do jogo. Existe um problema bem claro em Marvel’s Spider-Man 2 e é a forma como os dois Homens-Aranha são utilizados. Quando foi anunciado que o jogador teria o controle de Peter Parker e Miles Morales, achei a ideia interessante, mas ao mesmo tempo, pensei no primeiro jogo e no seu spin-off, Spider-Man: Miles Morales.

Tecnicamente, o que muda de um Aranha para o outro são os poderes elétricos de Miles e só. Eles têm a mesma força, são capazes de fazer as mesmas acrobacias e, essencialmente, são o mesmo boneco onde realmente importa.

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Seria necessário deixar essa diferença ainda mais evidente para enfrentar as missões com um ou outro Aranha, dependendo de suas habilidades. Pois bem, isso não acontece na sequência. Os dois personagens dividem uma árvore de habilidades em comum e cada um tem uma própria, mas essencialmente, os dois são a mesma coisa.

Isso ainda fica mais evidente com o avanço da história, em que coisas que poderiam torná-los mais diferentes, na prática, acabam tornando-os mais idênticos. No fim, você acaba jogando com o Aranha que gosta mais, em vez de aquele que faz mais sentido para aquele momento.

Em teoria, isso não seria ruim, mas na prática, não existe muitas razões para você trocá-los quando estiver passeando pela cidade. Uma coisa que me deixou incomodado — e isso é uma birra minha, confesso — é a forma como você troca os personagens.

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Acreditava que seria algo como GTA 5, em que rapidamente você mudaria de Homem-Aranha, a câmera viajaria por Nova York até encontrar o outro, mas não. É necessário abrir o app criado por Ganke, amigo de Miles, segurar um botão, a tela fica preta e só então aparece o outro Aranha.

O jogo ainda mostra como poderia ter sido mais legal quando gera a animação de viagem rápida, que faz exatamente o que eu esperava que fosse fazer na troca de personagem. Não sei exatamente o que fez os desenvolvedores tomarem essa decisão, mas lembrar que a Rockstar conseguiu algo bastante funcional em 2013 me incomodou.

Peter e Miles mereciam uma história melhor

O que me leva a falar da história de Marvel’s Spider-Man 2. Não darei spoilers, pois a campanha como um todo traz bons momentos tanto para Peter quanto para Miles, mas algo me incomodou bastante na trama.

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Talvez não no roteiro em si, mas na maneira como ele é desenvolvido. Existe uma vontade de tornar a história cada vez maior no jogo, enquanto precisa equilibrar o arco de Peter e de Miles. O que na verdade acontece é um equilíbrio, com um se desenvolvendo em detrimento do outro.

Em vários momentos, me lembrei da forma natural como a trama do primeiro game se desenvolve, com a entrada orgânica de Miles na história, que eventualmente foi mais explorado no spin-off, mas tudo funciona muito bem naquele jogo.

Na sequência, ao tentar desenvolver isso, junto com toda a história do simbionte, o retorno de Harry Osborn e a chegada de Kraven à cidade, às vezes as coisas ficam emboladas demais. Fãs do Homem-Aranha devem se lembrar de Homem-Aranha 3, filme que trouxe Venom, Harry Osborn e o Homem-Areia como vilões. Considerado como um dos piores filmes do herói, a reclamação de muitos fãs é que tem coisa demais acontecendo ali e o negócio desandou.

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Uma grande ironia do destino é que Marvel’s Spider-Man 2 traz Venom, Harry Osborn, o Homem-Areia e em vários momentos, a história se embola porque também adicionou Miles Morales e seus próprios dilemas na equação.

Novamente, quando a história funciona, ela traz grandes momentos que vão fazer os fãs se empolgarem bastante, mas esse desequilíbrio na forma como lidar com tudo, principalmente com Peter e Miles, me faz acreditar que talvez fosse melhor fazer dois games separados.

Um que explorasse a história de Peter, tendo Miles como coadjuvante, e outro com os papeis invertidos, explorando mais a ideia de Miles entendendo ainda mais as dificuldades de manter uma vida dupla.

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Outra coisa que me incomodou bastante na história principal do game é como ela se afasta do “chão" da Marvel. Ao tentar ser algo grandiosa demais, desde os primeiros momentos, você parece estar afastado do povo de Nova York, algo que foi muito bem feito no primeiro game.

Se, no jogo anterior, Peter tinha uma aproximação maior com as pessoas por conta da Tia May e seu trabalho na F.E.A.S.T., aqui, tanto ele quanto Miles parecem estar acima de todo como seus guardiões, perdendo boa parte daquela conexão que o personagem do Homem-Aranha tem com a cidade de Nova York.

Por tratar tudo de maneira bastante cinematográfica, o jogador várias vezes não escolhe quem vai controlar, o que funciona muito bem em alguns momentos, mas em outros, fica uma impressão de que você está sendo levado pela mão pelo jogo.

A troca de Peter para Miles pode ser feita apenas quando você está no mundo aberto, mas no momento em que entra em uma missão, essa troca é bloqueada. Ao contrário do que já vimos em GTA 5, em que várias vezes era possível trocar entre Michael, Franklin e Trevor no meio da ação, Spider-Man 2 usa um método fechado, em que você assume quem a história diz que você deve assumir e você que lide com isso.

Em mais de uma vez, Peter e Miles estão juntos e você é obrigado a controlar um deles, sendo que poderia ver as coisas de maneira diferente se pudesse controlar o outro. Não é algo que estraga o jogo, mas quando muito se falou sobre a possibilidade de controlar os dois, fica uma sensação de oportunidade perdida.

O verdadeiro ouro de Spider-Man 2

Apesar de a história principal não ser tão impactante quanto a do primeiro jogo, é necessário dizer que várias das sidequests de Marvel’s Spider-Man 2 são muito boas. Parece que aquele afastamento do que realmente faz o Homem-Aranha ser legal que é notado na trama principal foi todo jogado nessas missões secundárias.

Você conhece mais sobre alguns vilões, personagens do primeiro jogo reaparecem e existe uma variação na forma como você joga. Algumas missões são exclusivas de Peter e de Miles, diferenciando melhor eles, nem que seja pelas suas personalidades.

Existem algumas missões que parecem bobas, como viajar por túneis de vento levando pombos ou encontrar um senhor que está perdido no parque, que parecem muito bobas, mas que apresentam tanta alma que mostram o porquê o Homem-Aranha é muito mais do que um personagem com um uniforme legal, uns poderes bacanas e umas piadinhas infames. É o que faz a gente entender por que ele é chamado de Amigão da Vizinhança.

Vale a pena jogar Marvel's Spider-Man 2?

Marvel’s Spider-Man 2 é um ótimo jogo. Não parece pelas porradas que dei na história, mas ele é um ótimo jogo. Durante todo o período que joguei, eu tive uma experiência bem legal, com vários momentos “agora vai!”.

Ele não é perfeito, existem algumas escolhas que me incomodaram, mas que não posso entrar em detalhes por serem spoilers, mas como um todo, é um bom jogo. Ainda acho que história deveria ter sido trabalhada de uma maneira diferente, em vez de misturar tudo para ver o que daria.

O seu gameplay é praticamente idêntico ao do primeiro jogo, mas as melhorias para torná-lo mais agradável funcionam muito bem. Graficamente, o jogo está lindo e durante o período de testes, a Insomniac liberou atualizações para arrumar alguns elementos que fizeram a diferença no seu desempenho.

Então é possível dizer que Marvel’s Spider-Man 2 é uma boa sequência, não me deixou tão impactado como o primeiro jogo. Existia algo especial ali que não conseguiu ser replicado no novo jogo, ainda que ele tenha qualidades.

E pelo menos conseguiram fazer as missões em que você controla Mary Jane serem bem melhores nessa sequência. Aleluia!

Marvel's Spider-Man 2 chega ao PlayStation 5 no dia 20 de outubro.