Análise | É difícil (quase impossível) recomendar Apex Legends no Switch

Por Wagner Wakka | 22 de Março de 2021 às 11h10
Divulgação/EA

No início de março, a EA e Respawn Games anunciaram a chegada de Apex Legends para o Switch. A adição é uma boa pedida para o console, tendo em vista que a Nintendo não é nem um pouco amigável no quesito jogos gratuitos de qualidade. Logo, o battte royale vem como uma boa adição.

Por outro lado, esta versão mostra bem o limite do Switch em relação aos títulos multiplataformas. A transposição do game não foi feita diretamente pela Respawn, mas pela Panic Button, que já fez portes bem interessantes como de Doom, Wolfenstein e Rocket League. Logo, a expectativa para Apex parecia boa.

A questão é que foram necessárias tantas, mas tantas concessões aqui que beira a dizer que Apex Legends no Switch, principalmente quando acoplado no dock beira ao injogável. Só não é justo gravar isso enfaticamente porque estamos falando de um título gratuito e com possibilidades mobile.

Apex no Switch chega a trazer o questionamento de se é realmente justo e até interessante levar um game crossplay para uma plataforma que claramente não dá conta do recado. Contudo, isso é assunto para o fim deste texto.

Inicialmente, é preciso só cravar: se você tem outro console ou até um computador que dê conta do título, fuja da versão de Switch. Vamos ao porquê.

No limite

Vamos começar pela melhoria. A Panic Button adicinou apenas um recurso à versão de Switch que difere das demais: o controle por sensor de movimento. Tanto no modo portátil, quanto no dock, é possível controlar a mira levemente pelo giroscópio do joy-cons.

Veja bem, não estamos falando aqui de mirar totalmente movimentando o controle todo. Trata-se de apenas um ajuste fino de poucos centímetros da mira que são muto bem-vindos.

Mira tem um leve ajuste com movimento do controle (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Por exemplo, se você está mirando no adversário no peito e elevar o controle levemente para cima, já tem a mira perfeita para o tiro na cabeça. Aliás, há uma técnica interessante de jogar os controles para frente e evitar o recuo de armas que sobem a mira.

Tal sistema já havia sido bem testado e aprovado em outros ports da Panic Button, como os já citados Doom e Wolfenstein.

Passado o momento de elogio, agora é só ladeira abaixo. A principal concessão que a Panic Button precisou fazer para colocar Apex no Switch é a visual. Segundo comunicado da empresa, o título tem desempenho “de 30 FPS em resolução de 720p quando acoplado ou de 576p no modo portátil”. Esperar uma definição em HD em um console atual é já pedir bastante. Contudo, nem estas definições prometidas parecem ser mantidas nos testes do Canaltech.

Comecemos pelo desempenho com o Switch na mão, no modo portátil. Como a tela é pequena, a resolução de 576p não fica tão gritante, embora seja possível ver que não é bem assim a melhor das imagens.

O problema principal aqui é que não há nenhuma adaptação do jogo para uma tela menor. A interface de Apex é pensada para monitores de PC e TV, ou seja, maiores do que o display do Switch. Por isso, armas, itens, botões são exageradamente grandes em relação à proporção da tela. Novamente, isso não é um problema, tendo em vista que a ideia é manter a experiência de jogo.

Agora, outro ponto que é bem desapontador é que Apex Legends não se aproveita da tela de touch, nem mesmo traz um controle pelos ícones. A interface é a mesma do PC, o que quer dizer que você precisa movimentar um ícone pela tela como se estivesse usando um mouse. O resultado foi uma interface lenta que poderia muito bem se mais bem aproveitada com o touch do console.

Dito isso, o desempenho para jogar na versão de mão é regular. Como não é possível de verificarmos se o título mantém mesmo os 30 FPS, fica aqui uma boa vontade de dizer que a movimentação é fluída, sem engasgos aparentes. Entretanto, nada daquela leveza e rapidez que se sente ao jogar um multiplayer a 60 FPS.

O problema sério mesmo acontece quando o console está no dock. Se o Switch falasse, era bem possível que pediria socorro por aqui. Embora, a Panic Button prometa seus 720p de definição na TV, a impressão é de que a definição se mantenha também em 576p mesmo acoplado.

A qualidade é tão fora da curva para um jogo AAA, que foi preciso deligar tudo e trocar cabos para garantir que não havia perdas pelo caminho. Ou seja, o que estava em tela era mesmo a experiência que a Panic Button estava esperando. A falta de definição é tamanha que fica difícil, diante de movimento, ler as informações que estão em tela. Isso porque quase parece que tudo está escrito em um feio pixel art.

Para efeitos de comparação, tentamos colocar o Apex Legends no PC, com definição em 720p e na pior qualidade de texturas possível. Nem assim, o título deixou tanto a desejar que a versão de Switch.

Em movimento, durante as batalhas, ainda há outro problema. Como jogo está o tempo todo tentando carregar texturas, fica muito mais visível as coisas “poparem” pela tela. Isto é, aparecerem pela tela do nada. Ainda, com a movimentação, tudo fica bastante borrado e dificulta ainda mais a visualização de tudo.

Uma pessoa que conhece mais sobre balanço de definição e taxa de quadros pode estar pensando agora: “Ok, pelo menos segura nos 60 fps, né?”. Como dito antes, a ideia é travar o jogo em 30 fps, o que, novamente, é um problema para um jogo multiplayer entre plataformas.

Entretanto, são bem frequentes os momentos em que se sente, no controle, que a taxa de quadros caiu ali para seus 20 fps e voltou. Principalmente, quando se está usando uma arma de precisão com zoom distante, o Switch mostra que está trabalhando no seu máximo para entregar uma boa experiência. Infelizmente, ele não dá conta disso.

É possível ver redução de definição em redor do personagem (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Enfim, a baixa qualidade gráfica até seria aceitável se isso foi a moeda de troca para um desempenho mais fluído em gameplay. Contudo, nem mesmo isso acontece, mostrando uma verdadeira lambança nesta versão.

Não vale a pena? 

Estamos falando aqui de um jogo competitivo, multiplayer, dentro do qual pessoas de plataformas diferentes (consoles e PCs) podem jogar uns contra os outros. Diante desta visão, é preciso dividir os públicos deste game em duas vertentes diferentes: quem quer somente se divertir com amigos ou quer jogar com um pouco mais seriedade.

É difícil pensar em uma pessoa que considera o Switch como um console ideal para jogar em nível competitivo. Entretanto, é preciso deixar claro: há uma desvantagem visível em entrar em uma partida pelo Switch jogando contra pessoas em outras plataformas. Assim, não espere um bom desempenho no console.

Por outro lado, estamos falando de um jogo gratuito que chega a um console com biblioteca bastante limitada de games sem custo para o usuário. Nesta visão a opção de jogar Apex Legends é muito bem-vinda e merece destaque.

Versão certamente não é a melhor, caso você tenha opções (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Dentro de um pensamento de democratização dos jogos, a oferta de um título, seja qual for, gratuitamente em mais uma plataforma não deve ser um evento ignorado.

Dito isso, existe a possibilidade de se divertir com Apex Legends no Switch tendo em vista que ele não é uma plataforma competitiva no leque de opções do jogo.

Assim, a conclusão é: se puder jogar o game em outro console ou no PC, evite usar o Switch para isso. Apex Legends também está disponível no PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series S|X e PC.

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