Os 10 melhores jogos da era 16-bit

Os 10 melhores jogos da era 16-bit

Por Rafael Arbulu | 07 de Julho de 2020 às 11h19
Rachid Lotf

Quando a Nintendo lançou o Super Nintendo (SNES) e a SEGA tinha em seu portfólio o icônico Mega Drive, a era dos games 16-bit foi provavelmente aquele que tornou conhecida, ao menos para nós brasileiros, a frase “guerra de consoles”.

E não por menos: jogo a jogo, ambas as empresas — as maiores do setor na época — disputavam a hegemonia do mercado, apostando em jogos exclusivos para cada aparelho enquanto buscavam seduzir mais os adeptos de títulos multiplataforma. Acha que Sony e Microsoft têm uma concorrência acirrada hoje? Então você provavelmente não estava por estas bandas para ver o quão mortais eram os debates entre a “casa do Sonic” e a “casa do Mario”.

Para adicionar mais conhecimento histórico ao leitor mais jovem ao mesmo tempo em que o gamer mais velho desenterra ótimas memórias, o Canaltech reuniu 10 dos maiores jogos da era 16-bit, com alguns itens da lista representando muito bem essa disputa entre as empresas.

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10. Altered Beast

Um dos jogos cult do que para muitos foi a primeira geração de consoles em casa, Altered Beast foi um dos jogos mais populares do Mega Drive. Progredindo pela tela em movimentação lateral, esse beat’em up clássico se ambientava na Grécia Antiga, onde o seu personagem sem nome era ressuscitado por Zeus para resgatar Athena, podendo se transformar em inúmeras feras humanoides com poderes amplificados graças a itens coletados no cenário.

O jogo ficou conhecido por sua dificuldade ímpar para a época, já com a primeira fase causando dores de cabeça aos jogadores mais incautos. Visualmente falando, Altered Beast tinha uma apresentação bastante estilizada, mas onde ainda era possível ver detalhes como as feições dos personagens em tela, e a jogabilidade, simplista como ela, respondia “mais ou menos bem” aos comandos do jogador.

9. International Superstar Soccer

Você pode reconhecer Pro Evolution Soccer, uma marca da japonesa KONAMI que perdura até hoje (apesar dos altos e baixos). Mas poucos fora do Brasil se dão conta de que a empresa tinha outra franquia que, por aqui, foi extremamente popular na época dos “aluguéis de hora” das videolocadoras na década de 1990.

International Superstar Soccer era um ícone dos simuladores de futebol na época, trazendo jogabilidade dinâmica e estratégias avançadas de jogo dentro do hardware limitado do Super Nintendo. Os jogadores mais ligados à cultura de internet devem se lembrar do “meme do Allejo” — bem, “Allejo” era o nome do Romário, o melhor jogador de todos os “ISS”, cujo nome não poderia ser usado oficialmente por questões de licenciamento. Outros nessa linha eram o goleiro “DaSilva” (o Taffarel), o zagueiro “Beranco” (o Branco, que na vida real era lateral-esquerdo) e o lateral “Roca” (Ricardo Rocha, que na vida real era zagueiro).

8. Road Rash

Antes de Grand Theft Auto, jogadores mais velhos faziam peripécias ao volan... bom, na verdade, sobre duas rodas em Road Rash, onde você disputava com uma série de outros motoqueiros o primeiro lugar no pódio em uma competição onde valia tudo, desde fazer seu oponente cair da moto na paulada até jogá-lo de encontro à moto da polícia.

Tal qual Superstar Soccer, este era outro jogo bastante conhecido pelas videolocadoras das vizinhanças por estabelecer um clima competitivo graças ao seu foco quase que exclusivo ao multiplayer — além de ser o primeiro verdadeiro teste de saúde para as amizades antes percebidas como duradouras.

7. F-Zero

Quem vê o Capitão Falcon gritando “FALCON PUNCH” em Super Smash Bros sequer se dá conta de que o personagem, na verdade, é originário de um jogo de corrida. F-Zero tinha uma progressão padrão se comparado a outros jogos do gênero: literalmente, era uma corrida normal — “corra em voltas e seja mais rápido” —, mas seus diferenciais residiam no visual variado e cartunesco das naves futuristas e competidores, bem como a imersão causada por uma real sensação de hipervelocidade. Na época, isso era inédito e só viria a aparecer de novo anos depois, com a chegada de WipeOut.

Veja, pela ignorável narrativa do jogo, as corridas eram disputadas por veículos hiperavançados e visual agressivo, que viajavam a velocidades fora do comum. Além disso, havia um senso de estratégia, já que você poderia jogar seu oponente contra os cantos da pista, fazendo-o bater nos guard-rails, perdendo aceleração, vida e, eventualmente, destruindo seu carro.

6. Contra III: The Alien Wars

A quintessência da franquia mais complicada da Konami até hoje é, definitivamente, Contra III. Esse é o jogo que, embora não seja seu ponto de origem, popularizou o Konami Code e, se você falar no nome da série para alguém mais jovem, provavelmente é este o qual virá à mente dessa pessoa.

Um dos jogos mais difíceis daquela geração, Contra 3 tratava-se de um título de progressão lateral que ficou conhecido por rechear a tela com inimigos, tiros dos inimigos, seus tiros, você e alguns itens que melhoravam sua capacidade de combate. Mais além, foi um dos primeiros jogos a flertar com outros gêneros, trazendo fases com porções de plataforma e outras em navegação automática por cima de veículos, onde sua obrigação era desviar e atirar de tudo.

5. Super Mario Kart

O maior desmantelador de amizades da geração 16-bit, Super Mario Kart foi o jogo que deu origem a uma franquia que perdura até hoje. Comparado aos títulos atuais, é obviamente o mais simplista da marca, mas nem por isso menos desafiador: o cerne pelo qual você conhece Mario Kart hoje foi estabelecido aqui: corrida de voltas, coletando power ups para detonar seus inimigos e assegurar a sua vitória.

Ele também trazia um modo de batalha em que o objetivo era usar destes mesmos itens para estourar bexigas, em um embate clássico de disputa bélica entre karts com visual fofo. No rol de personagens, as velhas figurinhas de sempre permeavam as várias fases tematizadas.

Bons eram os tempos em que você em último lugar tirava um raio encolhedor ou uma estrela na roleta de itens. Era ativar um desses e ver seus amigos irem embora.

4. Mortal Kombat

Tudo o que é bom começa de algum lugar: Mortal Kombat hoje pode não sofrer das mesmas polêmicas do passado graças a uma geração de jogadores com a mentalidade mais aberta e receptiva, mas o MK original chegou até a ser proibido em alguns países. Para se ter uma ideia do impacto disso na indústria, Mortal Kombat é um dos jogos responsáveis pela criação da ESRB, a entidade de classificação etária de jogos nos Estados Unidos — uma imposição do governo norte-americano para regulamentar games mais violentos.

No Brasil, o jogo chegou a ter sua comercialização proibida, mas porque somos quem somos e “jeitinho” é algo que damos para tudo, o jogo acabou sendo vendido por todos os cantos possíveis, tanto em sua versão original como na pirata, efetivamente tornando-se um dos mais populares da geração.

3. Street Fighter II

Ainda no gênero das lutas, temos o jogo que, apesar de ser uma sequência, foi o único responsável por fazer de Street Fighter a franquia que ela é hoje: hegemônica, dominante no mercado e principal figura de campeonatos internacionais de premiação milionária.

Não há muito o que apresentar aqui já que até os mais novos conhecem Street Fighter II e seus subsequentes spin-offs, mas o jogo é até hoje um dos mais exaltados por unir jogabilidade ímpar a uma capacidade gráfica extremamente detalhada para o hardware da época. Até hoje, sons característicos do jogo — como o “Hadouken” de Ryu e Ken — são reaproveitados na cultura popular como memes e versões variadas deles estão presentes nos jogos atuais da franquia.

2. Sonic The Hedgehog

Durante anos, o ouriço azul hiperveloz da SEGA fez frente ao nosso primeiro lugar da lista, traduzindo sua popularidade em vendas a ponto de ser o mascote oficial da empresa japonesa até hoje. Sonic foi, sem sombra de dúvida, um dos protagonistas mais memoráveis de toda a indústria.

Idealizado por Shinobu Toyoda e desenhado por Hirokazu Yasuhara, o personagem percorria vários cenários hiper coloridos e detalhados, bem como uma jogabilidade fora do comum, unindo velocidade, dinamismo e combate em uma progressão lateral que enganava bastante, dando ares de facilidade, mas que trazia armadilhas aos menos preparados.

1. Super Mario World

De longe, o título mais influente da geração 16-bit também é, ironicamente, protagonizado pelo maior mascote dos games até hoje. É verdade que já existiam outros jogos do Mario antes deste, mas foi com Super Mario World que o mundo foi de fato apresentado ao encanador bigodudo que matava goombas e tartarugas com uma bundada na cabeça.

Criado por Shigeru Miyamoto, o personagem segue sendo a maior estrela da Nintendo até hoje, em uma época em que ela corre por fora na competição entre Xbox One e PlayStation 4 com o seu inventivo Nintendo Switch. Literalmente todas as comunicações da Nintendo trazem referências ao personagem e qualquer anúncio de plataforma da empresa é puxado por ele.

Estamos falando não apenas de um jogo, mas sim de um legado: Super Mario World introduziu elementos animados em cenários, nos deu o dinossauro Yoshi, desfez toda a confusão dos nomes “Bowser” e “Koopa” dos jogos anteriores e implementou movimentações de plataforma nunca antes vistas no gênero. Definitivamente, o marco de toda uma geração.

Se algo não faltou à era 16-bit foram jogos. Essa época consistiu de algo raro na indústria: o crescimento em popularidade do mercado para os jovens, uma guerra ferrenha entre dois produtos distintos com vários méritos e criações icônicas que perduram até hoje. Foi a “tempestade perfeita” que culminou no sucesso de muitos jogos. Obviamente, alguns jogos foram injustiçados e acabaram ficando de fora da nossa lista: Final Fantasy teve sua popularidade iniciada aqui (embora ele fosse mais firme no Japão) e nomes como Super Ghouls n’ Goblins ganharam remakes de suas versões do SNES.

E você, de qual jogo dessa época lembra com carinho? Conte para nós nos comentários abaixo!

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