"Big 3" se unem para criar regulação própria da indústria sobre as loot boxes

Por Rafael Rodrigues da Silva | 07 de Agosto de 2019 às 22h10

Nesta quarta-feira (7), um anúncio pegou a comunidade gamer de surpresa: as três grandes fabricantes de consoles (Microsoft, Nintendo e Sony) estão se unindo para exigir uma melhor regulação na forma como jogos de videogames utilizam a mecânica de loot boxes.

As loot boxes são um sistema de monetização de games no qual o jogador, ao invés de pagar para a compra direta de um item, paga para participar de um sorteio para ter a chance de, se tiver sorte, conseguir o item que deseja. A mecânica é parecida com a compra de um pacote de figurinhas: ainda que você tenha a certeza de que vai receber um produto, não dá para saber exatamente se você está pagando para ter algo novo ou ganhar apenas itens que você já possui.

O pedido das três empresas, que foi publicado em uma postagem no site da ESA (Associação para Softwares de Entretenimento), pede para que, até 2020, todas as empresas que utilizarem essa mecânica em seus jogos deixem bem claro quais são a probabilidade matemáticas de cada item sair para que o jogador possa tomar uma decisão ciente dos riscos. A medida não pede a modificação de jogos que já utilizam essa mecânica, mas apenas daqueles que ainda não foram lançados ou que pretendem inserir uma mecânica do tipo através de atualizações.

Além de Sony, Nintendo e Microsoft (que assinam o manifesto), também já afirmaram que acatarão à resolução a Activision Blizzard, a Bandai Namco Entertainment, a Bethesda, a Bungie, a EA, a Take Two Interactive, a Ubisoft, a Warner Bros. Interactive Entertainment e a Wizards of the Coast.

A medida é uma clara tentativa de a indústria se auto-regular para um problema que tem chamado cada vez mais atenção do público antes que a coisa tome uma proporção que obrigue os países a criarem leis locais a fim de restringir o uso dessas loot boxes, que, por envolverem dinheiro real, podem facilmente se assemelhar a jogos de azar.

Ainda que a mecânica das loot boxes tenha ganhado notoriedade fora da comunidade gamer, muitas das desenvolvedoras estão deixando de usá-las e aplicando outras formas de monetização depois de toda a polêmica que envolveu o jogo Star Wars: Battlefront II, que foi massacrado pela crítica e pelos jogadores por conta de seu sistema de progressão que era totalmente dependente de loot boxes. Desde então, os jogos têm cada vez mais utilizado um modelo de battle pass, que não depende de sorte e que libera itens para os jogadores com base na quantidade de tempo que ele dedica ao jogo.

Fonte: ESA

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