AT&T recua e não deve mais vender a divisão de games da Warner Bros

Por Claudio Yuge | 01 de Setembro de 2020 às 23h00
Reprodução/YouTube (Zul Fiqha)
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Desde o último trimestre de 2019, a AT&T, grupo controlador da Warner Bros, vem revendo seus ativos e o quadro de colaboradores, com o objetivo de enxugar a folha salarial e lucrar com divisões que não estão lucrando como os executivos gostariam. O maior propósito disso seria para garantir mais verba para investimento nas produções exclusivas do streaming HBO Max. Uma das frentes cotadas para venda era a Warner Bros Interactive Intertainment, o braço de games da companhia. Agora, com tudo, isso parece ter mudado.

A Warner Bros Interactive Entertainment abriga títulos como Harry Potter: Wizards Unite, Mortal Kombat 11 e a série Batman: Arkham, e atraiu o interesse de várias empresas, com potencial de venda no valor de US$ 4 bilhões. Contudo, segundo fontes internas confidenciaram para o Bloomberg no início desta semana, a AT&T estaria hesitando, principalmente porque essa divisão tem pelo menos dois aguardados títulos na manga (Gotham Knights, Suicide Squad Kill the Justice League e um já lendário novo game de Harry Potter) e conta com um alto potencial de crescimento nos próximos meses.

Gotham Knights é um dos títulos que podem elevar o valor da Warner Bros Interactive Entertainment
(Imagem: Reprodução/Warner Bros)

Duas pessoas próximas da mesa executiva disseram que a AT&T começou a trabalhar com a firma de consultoria LionTree Advisors no início deste ano, para explorar a transanção. A Microsoft, a Take-Two Interactive Software, a Electronic Arts e a Activision Blizzard estariam entre as empresas mais interessadas nessa negociação — embora nenhuma delas tenha confirmado isso publicamente.

A decisão de recuar teria vindo de uma liderança sênior da AT&T. Não se sabe exatamente quem seria essa pessoa, mas vale destacar que, em julho, o diretor de operações John Stankey assumiu como diretor executivo depois que Randall Stephenson deixou essa função, permanecendo como presidente do conselho.

O que fez com que a AT&T mudasse de ideia?

As consequências da pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2) talvez tenham sido as maiores responsáveis por esse recuo. Isso porque, como todos temos acompanhado, o setor de entretenimento, inclusive o de games, teve grande alta de receita nos últimos meses — afinal, estamos todos passando mais tempo em casa, jogando ou assistindo filmes.

Suposta imagem de um novo título de Harry Potter, que estaria em desenvolvimento há algum tempo
(Imagem: Reprodução/YouTube (Mantracker)

Lançamentos do peso de um novo Harry Potter e propriedades ligadas à DC Comics são muito populares e têm lucro quase garantido. Além disso, a AT&T teria subestimado o setor de games, esperando que a negociação fosse menos complicada. A quantidade de conteúdo licenciado nos jogos viria com um conjunto de restrições de longo prazo.

A AT&T comprou o grupo Time Warner em 2018 por US$ 85 bilhões, que, junto com a aquisição da DirectTV, inflou as dívidas do conglomerado — que também precisa de fundos para o braço WarnerMedia e o HBO Max. Com a Warner Bros Interactive fora “das prateleiras, algo que pode mudar, dependendo do movimento do mercado; o grupo ainda negocia possíveis vendas da própria DirecTV, da unidade de publicidade digital Xandr e do serviço de streaming de anime Crunchyroll.

Grupo vem tentando enxugar a folha salarial e lucrar com ativos que, na visão dos executivos, não estão rendendo o esperado. Contudo, as complicações relacionadas à venda e o potencial de crescimento por enquanto mantém a divisão de games no conglomerado

Fonte: Bloomberg  

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