Review Realme Buds Q | Pequeno no tamanho e potente no som

Review Realme Buds Q | Pequeno no tamanho e potente no som

Por Diego Sousa | Editado por Léo Müller | 28 de Junho de 2021 às 09h10
Ivo/ Canaltech

Os celulares intermediários Realme 7 e 7 Pro não foram os únicos produtos que desembarcaram no mercado nacional junto à chegada da chinesa Realme no Brasil. O fone de ouvido sem fio Realme Buds Q também foi apresentado por aqui com a promessa de aliar experiência musical agradável, design confortável e preço acessível.

Tive a oportunidade de testar o baratinho da Realme por alguns dias e trago, nos próximos parágrafos, todas as minhas impressões sobre ele. Será que ele é o novo fone de ouvido queridinho do mercado brasileiro — ultrapassando, inclusive, os tão populares Redmi AirDots?

Prós

  • Design ultraleve;
  • Graves potentes;
  • Boa autonomia de bateria.

Contras

  • Case de carregamento parece frágil;
  • App Realme Link não é prático para acessar;
  • Modo jogo não faz muita diferença;
  • Microfone é abafado.

Review em vídeo

Construção e design

À primeira vista, o que mais chama atenção no Realme Buds Q é o seu tamanho compacto e extremamente leve. Cada fone pesa 3,6 gramas, o que, segundo a empresa, é mais leve do que uma folha de papel A4. De fato, seja segurando nas mãos ou no canal auditivo, os fones são praticamente imperceptíveis, o que é excelente.

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O formato do Buds Q é intra-auricular, o que, aliado às dimensões reduzidas, faz com que os fones se encaixem muito bem nos ouvidos — inclusive, isolando ruídos externos de forma eficiente, mesmo não contando com cancelamento de ruído ativo. Falarei sobre isso em seguida. Além disso, a chinesa envia na caixa do produto dois pares de borrachinhas extras com tamanhos diferentes, para que o usuário possa escolher os que ficam mais firmes no canal auditivo.

O Realme Buds Q tem um corpo extremamente pequeno e leve (Imagem: Ivo/Canaltech)

Embora seja leve e pequeno, o Buds Q não é muito frágil, pois estamos falando de um produto com certificação IPX4. Teoricamente, isso significa que ele resiste a “borrifos d’água” em qualquer direção — mas, na prática, ele deve aguentar um pouco de suor ou uma chuva fraca tranquilamente.

O Realme Buds Q possui dois botões em formato oval — um em cada fone — que desempenham uma série de ações conforme a combinação. Por exemplo, um toque duplo no earbud esquerdo reproduz ou pausa uma música, enquanto um toque triplo permite avançar uma faixa. Tocar e manter a pressão, por sua vez, pode ser personalizado para acionar algum assistente de voz. As alterações podem ser feitas através do app Realme Link, sobre o qual também falarei mais abaixo.

Com relação ao estojo de carregamento, temos um acessório bastante leve e pequeno, perfeito para carregar no bolso sem incômodos. No entanto, a tampa do dispositivo parece extremamente frágil — portanto, eu recomendaria bastante cuidado para não deixá-lo cair no chão. Na região traseira da case, há somente um conector microUSB, o que não chega a ser um ponto negativo, pois sua estratégia é de ser um fone básico.

Já que estamos falando de um fone sem fio simples, não há nenhum indicador, tanto na case de carregamento quanto nos fones, sobre a duração da bateria — há somente um ponto de LED no estojo que indica quando ele está carregando ou completamente carregado.

Conectividade

Apesar de estarmos diante de um fone de ouvido básico, o Realme Buds Q pode ser conectado a celulares Android, iPhones (iOS), notebook e computadores por meio da tecnologia Bluetooth 5.0. Durante os testes, o pareei com um Galaxy S20, e a primeira conexão foi bastante rápida e simples.

No entanto, minha unidade de testes apresentou alguns problemas de conexão após o primeiro pareamento, deixando a reprodução de músicas basicamente impossível. Em alguns casos, tanto o lado direito quanto o lado esquerdo do Realme Buds Q falhavam; em outros, vídeos e transmissões ao vivo ficavam dessincronizados com o áudio.

Conversei com algumas pessoas que também possuem um Realme Buds Q, mas, felizmente, não ouvi relatos sobre falhas semelhantes às que enfrentei. Provavelmente, trata-se de um problema isolado com a minha unidade de teste. Uma das soluções que encontrei para conseguir testar a qualidade sonora dos fones e a bateria foi colocando o celular bem próximo ao produto, pois era a única posição que os travamentos aconteciam com menos frequência.

Diferentemente de alguns fones de ouvido mais básicos, o Realme Buds Q pode ser configurado por meio de um aplicativo, no caso o Realme Link. Por ele, é possível visualizar a porcentagem de bateria de cada earbud, ativar o modo jogo e configurar as ações dos botões.

No entanto, o software não é muito prático, pois é preciso criar uma conta da Realme — e o processo é bastante demorado e cansativo. Além da primeira utilização ser no idioma inglês, ainda é necessário inserir e-mail, número de celular e outros dados que eu julgo desnecessários.

Qualidade de áudio e microfone

Embora minha experiência tão tenha sido tão consistente quanto eu gostaria com o Realme Buds Q, o tempo que o utilizei foi o suficiente para considerá-lo como um dos melhores fones de ouvido sem fio da categoria básica. Para quem curte graves potentes, o Buds Q entrega frequências mais baixas bem definidas e encorpadas, mas não peca pelo excesso, como alguns modelos da JBL.

Em músicas voltadas para os graves, como Lost Cause, da Billie Eilish, as batidas se sobressaem, embora ainda seja possível ouvir os vocais com clareza. Os médios e agudos também são claros, sendo possível distinguir praticamente todos os elementos de uma música em volumes mais baixos. No volume máxima, no entanto, as canções podem estourar, principalmente no gênero pop.

Como comentei mais acima, o Realme Buds Q tem um formato intra-auricular, o que por si só já ajuda no isolamento. Mesmo não contando com uma tecnologia de cancelamento de ruído, pude perceber que os fones conseguem isolar bem os ruídos externos, deixando tudo ao redor mais abafado. No pouco tempo que o usei na academia, por exemplo, não foi possível ouvir as pessoas conversando nem as músicas tocando ao redor.

Os fones de ouvido possuem um modo jogo que, teoricamente, diminui a latência para oferecer uma maior sincronia entre áudio e vídeo. Na minha unidade de testes, entretanto, não percebi nenhuma mudança muito significativa. Tanto no modo normal quanto no modo de baixa latência, o som dos jogos ficou com praticamente o mesmo atraso.

Quando o assunto é a qualidade do microfone, o Realme Buds Q não se destaca em relação a outros modelos básicos e capta a voz humana de forma abafada na maioria dos cenários. Em ambientes externos, por sua vez, o microfone tende a captar muito os ruídos em volta.

Bateria e carregamento

Não deixe o tamanho compacto do Realme Buds Q enganar você. Os fones cumprem prometido e entregam uma autonomia de bateria de aproximadamente 4,5 horas com o modo jogo desligado e volume um pouco abaixo do máximo. No total, ele pode chegar a até 20 horas com o auxílio da case.

(Imagem: Ivo/Canaltech)

No entanto, não o modelo da Realme não pode ser considerado uma referência entre os modelos básicos nesse tópico — o Edifier X3, por exemplo, promete até 6 horas de uso contínuo, enquanto o Tranya T10 oferece até 8 horas de músicas com uma única carga.

No carregamento, o conector microUSB também não faz do Realme Buds Q uma referência em velocidade. Durante os testes, os fones levaram pouco menos de uma hora para recarregar completamente no estojo, o que é apenas ok. Já a case, conectada ao PC via microUSB, levou praticamente duas horas para ficar com o LED verde, indicando recarga completa.

Concorrentes diretos

A Realme lançou o Buds Q no Brasil em janeiro deste ano por R$ 229, um preço já muito interessante considerando os recursos que ele oferece. Seu valor não caiu muito desde então, mas, ainda assim, continua sendo uma das melhores opções no mercado nacional no segmento de baixo custo.

Obviamente, o Buds Q tem o Redmi Airdots 2 como seu concorrente direto. Os fones da Xiaomi trazem qualidade de construção e bateria similares, embora eu tenha gostado mais do som do modelo da Realme. Vale mencionar, também, o Edifier X3, que acerta em muitos aspectos, principalmente na autonomia de bateria.

(Imagem: Ivo/Canaltech)

Por fim, temos o Tranya T10, um fone de ouvido sem fio que compete na categoria básica, mas oferece driver de 12 mm, sinalizador de carga, conector USB-C e bateria de até 32 horas — inclusive, o modelo foi eleito o melhor fone de ouvido para 2021, segundo o site Cnet.

Ficha técnica

  • Impedância: 22 Ohms;
  • Resposta de Frequência: 20 Hz - 20.000 Hz;
  • Peso: aproximadamente 3,6 gramas cada earbud;
  • Conexão: microUSB;
  • Codecs suportados: SBC, AAC;
  • Bateria: 4,5h (fones) + 15,5h (case);
  • Bluetooth: 5.0;
  • Certificação: IPx4.

Conteúdo da caixa

  • Fones de ouvido Realme Buds Q;
  • Estojo de carregamento;
  • Cabo de carregamento;
  • Manuais;
  • 2 tamanhos de extremidades auriculares.

Conclusão

Apesar dos problemas que tive com a minha unidade de testes, o Realme Buds Q é um fone de ouvido sem fio que oferece qualidade sonora promissora, bateria decente e design extremamente leve por um preço justo, ideal para quem procura seu primeiro fone true wireless (TWS). O modo jogo seria um excelente diferencial para a faixa de preço, caso realmente ajudasse a diminuir o atraso sonoro dos jogos.

Caso você encontre o Buds Q em alguma promoção por valores abaixo de R$ 200, vale muito a pena considerá-lo como seu primeiro fone de ouvido sem fio. Acima disso, modelos como Edifier X3 e, principalmente, o Tranya T10 são opções mais completas.

E lembre-se! Se você comprar pela internet uma unidade defeituosa ou misteriosamente incompatível com seu celular — como aconteceu com a minha — é possível devolver o produto em até 7 dias após o recebimento sem precisar dar qualquer explicação e ser reembolsado. É direito seu.

E aí, o que você achou do Realme Buds Q? Conte-nos abaixo, no campo dos comentários. Ah, se você gostou dele, confira uma oferta especial que preparamos para você!

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