Análise | Apple AirPods 2 valem o que custam?

Por Luciana Zaramela | 23 de Outubro de 2019 às 13h50
Luciana Zaramela/Canaltech
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Ficha técnica

Depois de tantas análises de fones over-ear aqui no Canaltech, chegou a hora de partirmos para um modelo mais compacto e prático de se carregar por aí. Os fones de ouvido que a Apple criou para fazer par com seus iPhones não são exclusividade da marca para uso com iGadgets, podendo também ser pareados com computadores, smartphones e tablets com outros sistemas operacionais, como Windows e Android.

Bonito para uns, estranho para outros, os AirPods 2 não são nada baratos, mas tem aquela questão do valor agregado — que faz sentido para alguns apenas por serem um produto da Apple e ter o valor de status agregado. A gente passou alguns dias com o modelo que vem com case com recarga e conta para você tudo o que achou dos foninhos neste review. Vamos lá?

Design & Ergonomia

Bom, vai ser difícil falar de AirPods 2 (segunda geração) sem falar dos primeiros AirPods, até porque o design dos dois modelos não mudou nadinha. Eles são absolutamente iguais em ambas as versões, em termos de visual. O que mudou mesmo na segunda geração foram algumas funcionalidades, sobre as quais falaremos no desenrolar desta análise.

Até o momento, a Apple não criou AirPods em uma cor que não fosse a branca, então sim: mesmo na segunda versão, você não tem escolha. No entanto, os foninhos são muito bem construídos e usam um material plástico resistente, com um acabamento de primeira, como é de praxe nos produtos da Maçã. Na ponta do "cabinho" que sai dos buds há um detalhe em metal, que abriga o sistema que faz contato com o case para que os fones sejam recarregados.

AirPods


Já na parte que se encaixa na orelha, você pode perceber que existe uma pequena abertura, o que não faz dos AirPods 2 fones in-ear fechados. Aliás, o encaixe deles na orelha não gera nenhum tipo de isolamento passivo de ruído, já que, tal como nos fones tradicionais que acompanham os iPhones mais novos (com entrada Lightning), o encaixe é aquele ali e pronto — sem silicone na ponta, eles ficam colocados, e não "atolados" na orelha. Você ouve o que está acontecendo ao redor mesmo em volumes consideravelmente altos de música tocando nos fones.

Já o case mudou um pouquinho da geração passada para cá. Agora, ele está mais pesado, tem um metal diferente na "dobradiça" e traz uma luzinha de LED que indica se seus AirPods 2 já precisam de recarga. Nada além disso. As dimensões, o design e a cor são exatamente iguais aos da geração passada.

Aliás, há dois tipos de case para quem quer comprar um par de AirPods novos: um simples, sem carregamento, só para guardar os fones e plugar no computador quando quiser carga, servindo apenas como dock cabeado; e um que guarda energia mesmo longe do computador, que serve para carregar os fones independente de estar conectado em um notebook ou carregador de tomada. O modelo que testamos é este segundo, cujo case também recarrega os fones quando você precisar de carga e estiver sem cabo nem carregador por perto.

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Se para quem já conhece os AirPods descrever os foninhos dispensa descrições, quem ainda não provou da fruta vai se interessar. Os buds têm um visual encantador para quem gosta de fones com aquele cabinho pendurado na orelha — não é o meu caso —, e em termos de encaixe, sinto-lhes dizer que continua aquele dilema: há diferentes tipos de orelhas, e fazer com que os AirPods 2 se encaixem nas suas sem te machucar ou ficar cai-não-cai é mera questão de anatomia. Quem vai mandar é o "design" DA SUA ORELHA. Porque, particularmente, eu nunca me dei bem com nenhum fone da Apple — sejam os cabeados que vêm na caixa do iPhone (desde o modelo 3Gs) ou mesmo os AirPods. O aparelhinho não me passa sensação de firmeza ou estabilidade, então não dá para sair por aí confiante de que eles não vão se perder. E também machucam a cartilagem com mais de uma hora de uso ou ao tentar encaixá-los melhor.

A Apple bate na tecla da estabilidade e da segurança para os usuários de AirPods, mas, durante o período de testes aqui no Canaltech, tive um mix de sensações em relação aos foninhos, vamos lá:

  • Na minha orelha, a história do "não vai cair" é balela, porque os foninhos não ficaram estáveis nem com muita tentativa. Isso depende de cada um, e ao testar entre amigos e colegas, teve gente que detestou e teve gente que amou. Vale a máxima: quer comprar? Experimente antes.
  • Apesar de serem levinhos e gostosos de usar quando se está sentado digitando uma análise como esta, por exemplo, levantar e dar um rolê por aí já me acendeu uma luz de preocupação no painel. Não arrisquei a dar uma volta na rua com o cachorro por medo de encontrar outros cães e ter que abaixar para separar eventuais brigas ou afetos caninos. E no meio disso, perder um fone.
  • Meu tempo médio de uso de fones de ouvido é 2-3 horas semanais, dependendo da agenda. Com uma hora com os AirPods 2 nas orelhas, senti um desconforto na parte superior da cartilagem, já que os fones não contam com ponteiras de silicone — e fiquei frustrada ao tentar "atolar" os AirPods um pouco mais ouvido adentro, porque só fez doer e incomodar.
  • Com as orelhas que tenho, usar AirPods em tarefas caseiras, como cozinhar e fazer uma faxina leve na casa, é algo bem tranquilo. Para atividades como ir para academia ou correr (atrás de criança, principalmente), pelo menos para mim, não é recomendável.

Mas quem é que vai usar um fone de ouvido para correr atrás de criança? Bom, tudo pode acontecer quando você está usando um aparelho que tem total mobilidade, e os usos podem variar de acordo com a criatividade da pessoa. Os AirPods 2 não aguentaram uma breve corrida atrás de um garotinho que estava prestes a escalar os móveis da sala para se pendurar na televisão. Para evitar que acontecesse esse acidente, aconteceu outro: um dos fones caiu da minha orelha, em uma distância de menos de 5 metros entre a cadeira em que eu estava sentada e o local da "arte" da criança. Para nossa sorte, caiu sobre um tapete emborrachado.

Na academia, temos outro impasse: os AirPods 2 são bacanas, mas não são à prova de suor, ou seja, sem certificação de resistência a água, aqui. Aí, dois desafios estão lançados: o da estabilidade durante os treinos e o da garantia de que eles vão suportar suor excessivo durante alguns treinos. Na esteira, a uma velocidade média, os fones aguentaram bem os trotes. Pular corda já foi outro desafio: ameaçaram cair e optei por parar com o exercício antes que de fato atingissem o chão. Pedalar na rua? Com a orelha que tenho, nem pensar. Ia perder um ou os dois de uma só vez na primeira bacada. Mas vamos combinar: AirPods não são fones voltados para atividades esportivas, mesmo.

Bonitos, eles são. Acabamento "glossy" (que arranha pra caramba, mas ok), cara de produto premium, plástico resistente, tudo muito Apple. Mas funcionais… deixemos para falar disso depois de uma análise de áudio para tirar a teima.

Bateria

Uma coisa legal de se ter um case com carga é contar com o poder da bateria interna dos buds somado ao poder da bateria interna do case. Como esta é a versão que o Canaltech está testando, o tempo de playback que temos aqui é bem legal.

Com apenas uma carga, a Apple promete 5 horas ininterruptas de som. Mas se você fizer um quick charge de 15 minutinhos, tem AirPods 2 para três horas, conversando ou ouvindo música. Já com o estojo de recarga, você tem 24 horas, no total, de tempo de reprodução. Ou seja: vale muito a pena ter um estojo desses, pela praticidade e pela mobilidade. O estojo comum só recarrega os fones se estiver plugado a um computador ou carregador, e isso significa fios. O case pode ser abastecido tanto com a ajuda de um cabo Lightning quanto com um dock de indução (padrão Qi), ou até mesmo na traseira de seu celular com carregamento reverso, caso ele possua esse recurso.

O mais legal é que, tendo um estojo com carga, você vai acabar de usar seus AirPods 2 e guardá-los diretamente em um local que vai abastecê-los para o próximo uso. Fazendo uma continha básica, durante os testes, passei uma semana tranquila usando os fones sem precisar plugar o carregador no notebook para reabastecer toda a carga. Essa mordomia não acontece com o estojo comum.

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Conectividade

Os AirPods 2 são fones altamente tecnológicos e conectados. Um grande diferencial da nova geração é o chip H1, da Apple, que torna a conectividade tão simples quanto o movimento de tirar os fones do estojo. Usando um iPhone ou algum outro gadget do ecossistema da Apple, após cadastrar o aparelho pela primeira vez, basta abrir o case, tirar os buds e colocar eles nas orelhas para dar o play e ouvir sua música. Mas, de fato, foram feitos para o iPhone.

O reconhecimento dos AirPods no iPhone é assim: basta abrir o estojo e parear. Nas configs, você também pode escolher vários atributos, como uso do microfone (Imagem: Captura)

No Android, a conectividade também é rápida, mas ainda exige que você acesse o menu de configurações do Bluetooth para parear seus AirPods 2 da primeira vez. Depois, é como conectar-se a fones Bluetooths comuns, de outras marcas e sem apps exclusivos.

E por falar em primeira vez, basta pressionar o botão do case para que ele já busque por algum dispositivo ao redor para fazer contato via Bluetooth. Depois disso, não precisa mais pressionar o botão do estojo para fazer o pareamento e funcionar, inclusive, com a Siri nos iPhones. Mas como o Android não traz a Siri, essa funcionalidade não é substituída pelo Google Assistente nos fones. No iOS, apesar de não ter app dedicado, há um sistema que reconhece os AirPods e fornece dados de bateria e sincronização on-the-go. No Android, é como se você pareasse um fone qualquer sem aplicativo dedicado.

Controles

A superfície touch dos fones da Maçã até te deixa controlar alguns parâmetros aqui e ali, mas poucos. Ao conectar os fones em um iPhone, por exemplo (ou qualquer outro iGadget), você consegue mapear a superfície de toque para personalizá-la do seu jeito. A desvantagem é que eles só entendem o comando de dois toques. Aí fica a seu critério o que fazer com esses dois toques em cada fone, direito ou esquerdo: ativar a Siri? Tocar/pausar música? Próxima faixa? Faixa anterior? Ou nada? Pelos ajustes do iPhone, basta tocar em Bluetooth, selecionar os AirPods, tocar no "i" e configurar do seu jeito.

Configurando o duplo toque nos pods (Imagem: Captura)

Isso, entretanto, não acontece no Android — os fones ficam no padrão de fábrica, com o duplo toque servindo para pular para a próxima faixa em ambos os buds.

Os AirPods 2 podem ser relativamente pequenos, com controles limitados, mas uma coisa é inegável: têm muita tecnologia. Sensores ópticos e acelerômetros ajudam a controlar sua experiência ao ouvir música neles, e é graças a esses componentes que sua música para e volta a tocar automaticamente ao tirar um ou dois fones da orelha (e sim, há a opção de usar só um enquanto você quer um ouvido livre para ouvir o que rola ao seu redor).

Uma coisa bacana dos AirPods é que eles sabem quando estão na sua orelha e quando não estão. Você pode começar a escutar uma música, tirar os fones para fazer outra atividade e, depois, voltar a colocá-los. A música será automaticamente pausada enquanto você não estiver com eles e voltará a ser reproduzida do ponto onde parou assim que os dois pods forem colocados nos seus ouvidos.

Siri

Os AirPods também funcionam sem as mãos, isto é, com a ajuda da assistente virtual da Apple, a Siri. Ao parear os fones com um iPhone, basta dizer "E aí, Siri" para ativá-la e pedir o que quiser. Sem nem precisar tirar o iPhone do bolso, você pode dar ordens como:

"E aí, Siri? Toca Queen". Ou: "E aí, Siri! Liga para o dentista". Ou mesmo: "E aí, Siri, qual a rota mais próxima para o shopping?". Abaixar o volume, atender chamadas, discar, trocar de música, pedir indicações, pesquisar… tudo é possível com a ajuda da Siri nos fones.

Chip H1

Muito da inteligência dos AirPods 2 vêm do chip H1, exclusivo para fones de ouvido. Esse componente deixa os fones mais rápidos para se conectarem e alternarem entre aparelhos da Apple, e ainda oferece 30% a menos de latência que o modelo anterior para quem quer assistir a vídeos ou jogar uns games no celular. É ele que permite, também, o acesso de voz à Siri.

Microfone

Num fone Apple, temos um par de microfones (um de cada lado) nível Apple. Os AirPods 2 têm um sistema de captação inteligente de voz para ligações e gravação de áudio (para mandar no WhatsApp ou fazer um voice memo, por exemplo). Eles contam filtragem espacial, que reduz ruídos enquanto você fala, para entregar um áudio de voz tão limpo quanto possível. Funcionam muito bem em ambientes tranquilos, mas a voz pode soar abafada em ambientes barulhentos. Você ainda pode configurar caso queira usar os mics sempre no pod direito, sempre no pod esquerdo, ou alternar automaticamente entre os dois.

Isolamento de ruído

Se você quer que os AirPods te entreguem algum isolamento passivo de ruído, esqueça. Os fones, além de terem uma abertura na parte traseira, não vedam nem cancelam nada ao redor. Usamos os AirPods 2 em diversas ocasiões — trabalhando no escritório, andando na rua, no meio de uma obra com pedreiros e encanadores, britadeiras, marretas. Em todos os ambientes, ouvimos tudo que estava acontecendo — e na obra, o barulho das máquinas tornou a experiência com os AirPods inútil. Mesmo em volume alto, os fones não conseguiram se fazer audíveis o suficiente durante o uso de uma furadeira como a que você vê abaixo, nem no máximo volume. É uma condição extrema, eu sei, mas que fones in-ear com bom selamento passivo conseguiriam entregar um resultado muito melhor (isso para nem falar de tecnologia noise cancelling).

Botar os AirPods para competir com uma furadeira desse tamanho é sacanagem (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Finalmente, áudio!

Chegou o momento mais importante da análise! Como, afinal, os AirPods 2 se comportam quando o assunto é áudio? Bom, vai depender da sua orelha. Explicando: quanto mais firme for o encaixe dos pods no seu ouvido, mais você extrai em qualidade de som. Quanto mais bambo, menos frequências graves para você (e bem mais ruídos externos). Com base na minha orelha, vamos ao desempenho de som dos pequenos.

Bastou ouvir UMA música para sentir que a gama grave dos AirPods é legalzinha, mas a relação não faz sentido se compararmos a qualidade com o valor que a Apple cobra pelos fones. Subgraves e graves muito baixos, aqui (menos de 60 Hz), ficam aquém do que se espera de um fone desse valor. Então se você curte ouvir música com bastante batida eletrônica profunda, surdos e efeitos nessa gama de frequência, melhor já ir pensando em outro fone. O lado bom é que os médio-graves e os graves mais altos são bem legais, firmes e presentes — e isso se aplica bem em uma ampla variedade de estilos: ouvir o contrabaixo, o bumbo e instrumentos entre 80 Hz e 250 Hz é bacana para quem gosta de pop, rock, jazz, bossa-nova, sertanejo, pagode, etc. Talkin' Loud, do Incognito, é um funk com bastante groove e um contrabaixo muito presente. A música soa bem legal nos AirPods, com os graves bem presentes, vocais, metais e teclados na medida, e agudos também bem posicionados. Nessa gravação, a mixagem por si já deu ao contrabaixo uma ênfase especial, e os fones seguram o groove mesmo durante o solo de sax. Já o funk brasileiro e a música eletrônica (trance, hip-hop, drum n' bass) exigem demais dos subgraves e não vão fazer seus tímpanos tremerem. É o caso de Free Tibet, remix de Vini Vici que faz a onda da galera nas raves. Você escuta bem a batida, os graves tomam conta de tudo, mas falta aquela tradicional ênfase nos subgraves que o estilo exige. De novo: para ouvir bem o baixo, os fones precisam estar atolados na orelha. Quanto mais frouxos, menos sensação de boa resposta dinâmica, com perda substancial em graves.

Já em termos de médios, temos uma boa resposta dos AirPods 2, pois a frequência é bem equilibrada e entrega um resultado bem harmônico e preciso de vocais e solos de instrumentos de corda e sopro, por exemplo. Talvez, em algumas gravações, você sinta que os médios-agudos saltam à frente da mixagem, como é o caso de Let's Stay Together, do Al Green — no refrão, metais e backing vocals chegam primeiro, por exemplo, enquanto o restante da música soa bem equilibrado, com uma leve falta de ênfase no contrabaixo. Por um lado, pensando que os AirPods 2 não são fones de alta resolução e nem voltados a audiófilos, isso pode sair melhor que a encomenda. Em Mushaboom, da Feist, temos uma gravação estilizada em lo-fi mas que soa bem legal, principalmente no vocal, violões e piano. O refrão fica bem enfático nas frequências médias, mas na medida certa, sem tomar as notas mais graves dos instrumentos.

Os agudos dos AirPods 2 são legais, mas podem um pouquinho enfáticos, o que deixa as músicas muito brilhantes. Em podcasts, percebemos que esse agudo deixa a narrativa um tanto quanto sibilante, com consoantes como T e S bem "pungentes". Já em gravações mais abertas, você percebe nitidamente que os agudos foram deixados assim para passar a impressão de mais presença no som, o que faz do fone quase um v-shaped, mas com médios bem flat e uma ênfase maior em graves. É engraçado ouvir Rock the Casbah, do The Clash, que foi gravada com uma equalização puxada pros médios e agudos. A maior ênfase fica nas palmas e no vocal, mas de modo geral, os AirPods se saem muito bem nessa frequência. Em uma gravação mais moderna, sentimos que os agudos dos AirPods 2 podem ganhar muita ênfase em comparação com outros instrumentos. É o que acontece em Soul Meets Body, do Death Cab for Cutie: a música começa ok com baixo e bateria no lugar, mas quando entra o vocal, os chimbais, a percussão e as palhetadas do violão ficam muito evidentes. Os sons sibilantes da voz de Ben Gibbard também se destacam, e consoantes como C, S e T ficam muito proeminentes. No refrão, os médios e agudos dominam. Aliás, nessa gravação, tudo fica muito agudo, até a bateria.

Pos serem abertos, os fones até que dão um "palquinho", mas isso não significa que ambiência e presença ditarão a tônica das músicas ouvidas nele. Aliás, essa mesma abertura, que pode ser ruim para que procura o mínimo de isolamento de ruído, é uma beleza para aqueles que pretendem usar os AirPods enquanto malham, correm ou pedalam na rua — sem perder a noção do que está acontecendo no trânsito ou ao redor. O áudio, em contrapartida, vaza pouco. Quem estiver do seu lado no escritório não será perturbado pelo som dos seus AirPods 2 mesmo em volumes altos.

Cabe tudo na palma da mão. Se você gosta da Apple, tem grana sobrando, acha o design legal e não é tão chato com áudio, vai fundo! (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Preço e onde comprar

No site oficial da Apple aqui no Brasil, você encontra os AirPods 2 nas seguintes opções:

  • Com estojo de recarga sem fio, por R$ 1.679
  • Com estojo de recarga comum (Lightning), por R$ 1.349
  • Só o estojo de recarga sem fio, por R$ 679

Se você realmente se apaixonou pelos AirPods 2 e quer tê-los, é mais negócio levar a versão com estojo de recarga sem fio, para ter mais autonomia.

Mas você pode encontrar os foninhos em outros marketplaces, por preços menos salgados. É o caso da Amazon, onde você encontra os AirPods de segunda geração por preços inferiores a R$ 1.000, de revendedores.

Ou seja, o custo no Brasil que temos sobre esses fones de ouvido é algo que ultrapassa a barreira do absurdo. Talvez compense dar uma olhadinha na gringa, se você tiver oportunidade, já que os preços variam de US$ 159 a US$ 199.

O que tem na caixa

A Apple não costuma trazer muitos badulaques junto de seus produtos. E a caixa dos AirPods 2 trazemo básico: os fones, o estojo, o cabo Lightning e o manual, com os tradicionais adesivos da Maçã.

Veredicto

Para fechar esta análise, vamos partir do ponto principal e mais discrepante: o preço. Se você tiver R$ 1.700 sobrando, vai valer a pena comprar os AirPods 2 apenas se você realmente fizer questão de ter os fones da Apple para fazer um belo par com seu iPhone.

Os fones entregam um áudio legal, mas nada de outro mundo. Eles podem machucar algumas orelhas, ou, no mínimo, não serem estáveis o bastante. Isso vai depender de cada usuário — e você pode ter a melhor orelha para abrigar os fones da Apple, vai saber? Para isso, recomendamos que você peça para experimentar os fones antes de decidir comprar. Seja com um amigo, seja em uma loja física. Comprar pela internet sem testar antes é dar um tiro no escuro. Como aconteceu comigo, há apenas um jeito de usar os fones sem machucar a cartilagem da orelha e incomodar bastante. E esse jeito não entrega os graves como eles deveriam chegar nos meus ouvidos, pois os fones não ficam encaixados o suficiente.

Há várias melhores opções no mercado. Truly wireless, inclusive. Seja por um valor tão alto, ou até por valores inferiores, e as possibilidades hoje em dia são muitas: Beats, Sennheiser, Jabra, Jaybird, Samsung, Xiaomi… considere testar outros caso você esteja procurando por bons fones truly wireless para ter pouco volume e boa qualidade de áudio no seu dia a dia.

E falando em qualidade, a da construção dos AirPods é indiscutível, apesar de eles arranharem facilmente devido ao acabamento brilhoso que a Apple colocou no estojo e nos próprios pods. Mas, sim, os fones são muito bem feitos, o case é uma teteia, tudo é muito bonitinho. O design pode agradar uns e desagradar outros, então se você gostar do cabinho dos fones e das coisas que a Apple cria, vai fundo. AirPods, a meu ver, são fones para fãs da Maçã e ponto. E bem que ela poderia ter planejado um modelo que se encaixasse melhor em mais orelhas pelo mundo.

Pelo áudio em si, definitivamente não vale a pena pagar essa fortuna. Os AirPods não entregam áudio de altíssima qualidade, então não justifica ter um valor desses aqui no Brasil. Novamente: são fones para apaixonados pela marca e pronto.

Para o design e ergonomia, nota 5. Para conectividade e a bateria, nota 8. E para a qualidade do áudio, nota 7,5.

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