Governo brasileiro vai lançar serviço de e-mail contra espionagem

Por Redação | 02.09.2013 às 13:17

O governo brasileiro vai lançar uma alternativa supostamente mais segura para os populares serviços de e-mail utilizados no país, como Gmail e Hotmail. A nova ferramenta será desenvolvida pelos Correios e promete proteger as comunicações dos brasileiros de monitoramentos indevidos.

O jornal Folha de S.Paulo conta que o sistema nacional de e-mail deve ser lançado no segundo semestre de 2014. A novidade já havia sido encomendada pelo governo, mas até então ela seria destinada apenas para empresas, pois contará com certificação de entrega ao ser lido pelo destinatário.

Porém, depois que o caso de espionagem da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) tomou proporções gigantescas e envolveu o nome do Brasil, o governo solicitou aos Correios que o escopo do projeto fosse ampliado para um serviço nacional.

"Eu te mando um e-mail e não quero que ninguém fique bisbilhotando. No ano passado, [os Estados Unidos] fizeram 311 solicitações [às empresas]. Não estão trabalhando no varejo", disse à Folha o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. "É preciso estimular um serviço de e-mail mais seguro".

O ministro explica ainda que a nova ferramenta vai criptografar as mensagens para proteger os dados dos usuários, que devem ser armazenados no Brasil para aumentar ainda mais a segurança das informações dos brasileiros. O tipo de criptografia escolhido para o serviço de e-mail dos Correios ainda não foi divulgado.

"Os Correios têm uma bandeira de credibilidade grande. Entregam carta no Brasil há 350 anos e ninguém acha que eles ficam bisbilhotando", afirmou o ministro. "No Brasil, abrir [correspondência de terceiros] é crime. Precisa ser assim com e-mail também", afirma o ministro Bernardo.

Histórico de espionagem

Uma reportagem exibida no último domingo (1º) pelo programa "Fantástico", da TV Globo, gerou uma série de discussões após indicar que entre os documentos divulgados por Edward Snowden estava uma prova de que a presidente Dilma Rousseff e seus assessores foram alvo de espionagem da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA).

Em relação aos serviços estrangeiros de comunicação utilizados no Brasil, ainda existe uma série de dúvidas e desconfianças. Apesar de alguns dos gigantes da internet que atuam por aqui – incluindo Google, Facebook, Microsoft e Twitter – terem negado que fornecem informações de usuários brasileiros para o programa de espionagem do governo norte-americano, o caso aind acarece de maiores explicações.

No caso do Google, por exemplo, Julian Assange, fundador do WikiLeaks, revelou recentemente que o ex-presidente, Eric Schmidt, foi visitá-lo na Inglaterra em 2011 quando ele ainda estava em prisão domiciliar. Os dois teriam realizado uma reunião secreta e, agora, Assange garantiu ter descoberto que o Departamento de Estado dos Estados Unidos usa o Google a seu favor.

Pouco antes da revelação de Assange, uma declaração da empresa também gerou muita polêmica ao dizer que os usuários do Gmail "não podiam ter nenhuma expectativa de privacidade em seu e-mail". Porém, neste caso o Google alegou que a passagem repercurtida na imprensa foi tomada fora de seu contexto e mal interpretada.