Julian Assange denuncia estreita ligação entre o Google e o governo dos EUA

Por Redação | 27.08.2013 às 13:14

Julian Assange, o fundador do WikiLeaks, revelou que o presidente do Google, Eric Schmidt, foi visitá-lo na Inglaterra em 2011 quando ele ainda estava em prisão domiciliar. Os dois teriam realizado uma reunião secreta e agora, Assange garantiu ter descoberto que o Departamento de Estado dos Estados Unidos usa o Google a seu favor.

O texto de Assange foi divulgado no australiano The Stringer, e diz ainda que Schmidt e sua companhia também são usados pelo governo norte-americano para fazer "coisas que a CIA não pode fazer" em áreas como Irã e Azerbaijão.

"Pode-se-supor que, ao visitar-me, [Schmidt] estaria demonstrando que ele e outros grandes nomes do Google estariam secretamente do nosso lado, que apoiavam a luta do WikiLeaks pela justiça, a transparência do Governo e a privacidade das pessoas. Mas seria uma suposição falsa. A sua agenda era muito mais complexa e, como viemos a descobrir, era indissociável da agenda do Departamento de Estado dos EUA", escreveu o fundador do Wikileaks.

Na época, o pretexto da visita era que o presidente do Google estava escrevendo um livro, o 'The New Digital Age'. Livro este que Assange alega não se tratar de uma forma de comunicação com o público e muito menos de ganhar dinheiro. Em vez disso, "este livro é um mecanismo pelo qual o Google pretende se projetar em Washington".

Fato é que o livro recebeu boas críticas por parte de vários políticos como Bill Clinton, Tony Blair ou Henry Kissinger. "Aliando-se aos Estados Unidos, o Google consolida assim a sua própria segurança, em detrimento de todos os competidores", esclarece Assange.

O artigo de Assange não para por aí. Ele diz ainda que Jared Cohen, ex -assessor de Hillary Clinton, participou de inúmeras missões enquanto trabalhava para o Departamento de Estado dos EUA, entre as quais se conta uma viagem para o Afeganistão, onde Cohen tentou convencer as quatro maiores operadoras de telefonia da região a transferirem suas antenas para bases militares norte-americanas. Jared Cohen foi o coautor do livro de Eric Schmidt.

"Que o Google estava recebendo dinheiro da NSA [Agência de Segurança dos Estados Unidos] para conceder dados pessoais dos usuários não é surpresa. Quando o Google encontrou o mundo grande e mau, ele também tornou-se grande e mau", finaliza Assange.

No entanto, é importante ressaltar que o texto publicado por Assange e o conteúdo de sua conversa com o presidente do Google não prova a alegação de que o gigante da web é um peão à disposição do Departamento de Estado norte-americano.