Umidade teria causado problema na nave Starliner, diz NASA

Umidade teria causado problema na nave Starliner, diz NASA

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 20 de Outubro de 2021 às 11h02
NASA

Desde a descoberta de uma falha no funcionamento das válvulas da nave Starliner, na Boeing, antes de lançá-la em um teste de voo não tripulado em agosto, os técnicos da empresa seguem investigando o problema e parecem estar chegando a uma conclusão em suas análises. A falha no funcionamento das válvulas pode ter sido causada pela umidade do ar, que as teria corroído. Como as análises continuam, a Starliner deverá voar somente na metade de 2022, um adiamento ainda maior que aquele sinalizado pelos oficiais em outubro.  

A Boeing considera que parte do oxidante dentro das válvulas vazou e, assim, fez com que ficassem presas. Como as válvulas são seladas com teflon, o oxidante pode ter penetrado pelo material e, depois, sido misturado pela umidade do ar no local do lançamento, o que teria causado uma corrosão pequena, mas suficiente para prejudicar o funcionamento das válvulas. Os oficiais da Boeing explicaram que 13 das 24 válvulas não funcionaram conforme o esperado e acabaram presas em uma posição incorreta — enquanto a nave ainda estava na plataforma, os técnicos conseguiram liberar 9 delas, mas outras 4 não se moveram. 

A Starliner nas instalações da Space Force Station, em julho (Imagem: Reprodução/BoeingSpace/Twitter)

Como resultado, a Starliner foi levada de volta para os engenheiros investigarem o problema e descartar possíveis causas. Desde o dia do lançamento que deveria ter acontecido em agosto, a Boeing já conseguiu liberar 12 das 13 válvulas, e a equipe manteve uma válvula presa propositalmente para descobrir o que fazer para garantir que o problema não volte a acontecer. Mesmo assim, os oficiais da NASA seguem otimistas. “Temos plena confiança de que a Boeing irá realizar voos tripulados em breve”, disse Steve Stich, gerente do Commercial Crew Program, na NASA. 

Por enquanto, a Boeing ainda não descobriu o porquê de o problema não ter se manifestado antes do voo, já que vários testes foram executados e os componentes funcionaram conforme o esperado. “Não tínhamos nada que indicasse que haveria algum problema com essas válvulas”, comentou John Vollmer, gerente de programa da Boeinig para a Starliner. Enquanto os técnicos seguem investigando o problema, o lançamento da nave será adiado novamente e poderá acontecer somente na metade de 2022. 

Caso a Starliner realmente seja lançada neste período, a empresa espera realizar voos tripulados até o fim do ano que vem. “[Nosso objetivo] é voltar a voar com segurança — e eu ressalto a segurança — o quanto antes”, disse Vollmer. Para poder levar astronautas à Estação Espacial Internacional (ISS) através do programa Commercial Crew Program, a Starliner precisa cumprir os requisitos estabelecidos pela NASA — e um deles é um voo inicial não tripulado para, assim, demonstrar que a cápsula está preparada passar por todas as etapas de um lançamento tripulado em segurança. 

A primeira tentativa de lançamento da Starliner aconteceu em 2019, mas uma sequência de falhas de software impediram que a cápsula alcançasse a órbita necessária para a acoplagem na estação. Um novo teste de voo aconteceria em 2021, mas o problema das válvulas descoberto às vésperas do lançamento impediu a missão. Em paralelo, a cápsula Crew Dragon, da SpaceX, também faz parte do programa e já realizou quatro voos tripulados à ISS, sendo que o quinto deverá ser lançado no fim deste mês.

Fonte: SpaceDaily, The New York Times, The Verge

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