Turismo espacial vem aí: que riscos os viajantes enfrentarão nos voos orbitais?

Por Danielle Cassita | 11 de Agosto de 2020 às 16h40
Virgin Galactic

No final de maio, a SpaceX lançou a nave Crew Dragon com dois astronautas da NASA a bordo, rumo à Estação Espacial Internacional (ISS), trazendo-os de volta no início de agosto, o que marcou o sucesso total deste voo tripulado de testes. O feito também provou que a empresa privada, chefiada por Elon Musk, consegue transportar seres humanos na órbita da Terra com segurança. Há quem veja este dia como o início de uma era de acesso comercial ao espaço, bem como o início da era do turismo espacial, mas Sara M. Langston, professora assistente de operações de voos espaciais na Universidade Aeronáutica Embry-Riddle, enxerga alguns pontos dessa empreitada que precisam de atenção.

Devido aos atuais requisitos logísticos para que humanos orbitem a Terra, é provável que esses voos turísticos sejam, ao menos inicialmente, apenas ofertados ao mercado suborbital. Trata-se de um voo mais breve que não chega a completar uma órbita completa da Terra, apenas cruza a atmosfera do planeta para vivenciar a experiência espacial, voltando à superfície logo na sequência. A empresa Virgin Galactic, por exemplo, vem conquistando espaço no mercado de voos comerciais suborbitais, e planeja realizar testes de voos com passageiros a bordo já no início de 2021.

Tudo isso faz parte de um processo conjunto: a indústria segue otimizando e testando as tecnologias necessárias, enquanto a Administração Federal de Aviação (FAA), entidade responsável por regular lançamentos para voos espaciais comerciais nos Estados Unidos, também se prepara para atender necessidades que irão surgir. Assim, Sara chama a atenção para alguns pontos importantes.

Além da viagem

(Imagem: reprodução)

Voos espaciais apresentam riscos aos passageiros, que precisam saber como enfrentar e lidar com as variações na força gravitacional, incluindo o ambiente de microgravidade. Langston observa que, por isso, os turistas espaciais precisarão passar por treinamentos, e deverão também declarar consentimento de participação e ciência dos riscos. O operador do lançamento deverá informar aos participantes os riscos envolvidos no lançamento e no processo de reentrada, bem como outros que possam acontecer.

Vale frisar que inda não foram definidos ou padronizados os critérios médicos que serão utilizados para selecionar quem poderá estar a bordo de um voo espacial. Assim, a FAA sugere que o candidato vá a uma consulta antecipadamente, com um médico que tenha experiência com medicina aeroespacial. Por fim, a entidade estabelece a idade mínima de 18 anos para participantes civis poderem declarar consentimento.

E, assim como os comissários de bordo ensinam os protocolos de segurança antes de um voo comercial comum, os operadores de lançamento também terão essa responsabilidade, pois eles terão que instruir os turistas espaciais sobre como atuar em emergências, incluindo possíveis situações envolvendo incêndios na nave, perda de pressão da cabine e uso das saídas de emergência. E claro que também precisarão de treinamento para passarem por situações críticas - aqui, vale lembrar que voos de durações mais longas exigirão protocolos mais rígidos.

É certo que a indústria espacial espera que várias pessoas queiram visitar o espaço daqui em diante. Assim, os voos espaciais privados têm sido vistos como uma tendência, tanto como uma experiência luxuosa quanto para fins de pesquisa - a Virgin Galactic, por exemplo, já cobrou o valor de U$ 250.000 para levar passageiros, algum dia, para passarem um breve período fora da Terra. Entretanto, é essencial que haja entendimento dos riscos e incertezas nos voos espaciais com humanos, principalmente porque as práticas e regulamentações desses voos ainda estão em desenvolvimento.

Fonte: The Conversation

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