O que é Lua Rosa? Lua Azul? Lua de Sangue? Entenda esses e outros nomes

O que é Lua Rosa? Lua Azul? Lua de Sangue? Entenda esses e outros nomes

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 11 de Outubro de 2021 às 08h45
Christian Ronnel/Creative Commons

A Lua pode ter muitos nomes, de acordo com a região. Aqui no Brasil, usamos alguns como Lua cheia, nova, crescente e minguante para nos referirmos às fases lunares, mas o hábito de mencionar termos mais exóticos como “superlua” ou “lua de sangue” tem se tornado comum nos últimos anos. Entretanto, eles não pertencem à nossa cultura, e sim a povos antigos do hemisfério norte.

Embora no Brasil não haja o costume de dar nomes à Lua senão para determinar suas fases, vivemos em um mundo globalizado, então é comum entrar no “hype” de alguns eventos lunares que ainda são tradicionais no hemisfério norte. Como alguns termos podem confundir um pouco, vamos conhecer o significado de alguns dos principais nomes “diferentões”.

Lua Rosa (Pink moon)

(Imagem: Reprodução/G4889166 / 189 images / Pixabay)

Na antiguidade, as luas cheias eram as que mais ganhavam nomes especiais, de acordo com a época do ano. Por exemplo, a Lua cheia de abril era conhecida como Lua Rosa, por causa das flores que desabrochavam no início da primavera. No hemisfério norte, a estação das flores começa entre 20 e 21 de março, mas a primeira Lua cheia acontece no mês seguinte. Aqui, no sul do globo, a primavera começa em setembro, então não faz sentido adotar o nome Lua Rosa.

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Lua de sangue (Blood moon)

(Imagem: Reprodução/Christian Ronnel/Creative Commons

Junto da superlua, a Lua de sangue talvez seja uma das mais mencionadas, mas o que ela significa? Trata-se, na verdade, de um eclipse lunar total, sem nenhum significado astronômico importante. O nome é uma referência à vista impressionante que ela pode oferecer no céu noturno, geralmente com uma nova coloração avermelhada.

Além disso, a Lua de sangue sempre será uma Lua cheia, já que é apenas nessa fase em que um eclipse pode acontecer. Normalmente, a Lua cheia não tem eclipse porque a órbita lunar acontece em um plano ligeiramente diferente do trajeto da Terra em relação ao Sol, mas às vezes os planos coincidem e o planeta passa entre a Lua e o Sol, bloqueando os raios solares e escurecendo a superfície lunar.

Se a Terra bloquear parcialmente o Sol, apenas parte da Lua mergulhará na sombra do nosso planeta, resultando em um eclipse parcial. Durante um eclipse total, entretanto, a Lua está totalmente escurecida pela Terra, mas há um porém: um pouco de luz solar "vaza" pelas bordas do disco do planeta, projetando alguma iluminação na superfície da Lua. No processo, as ondas de luz são esticadas, por isso parecem vermelhas.

A intensidade do vermelho em uma Lua de sangue vai depender da poluição, nuvens e detritos na atmosfera terrestre. Se um eclipse total acontecer logo após uma erupção vulcânica, as partículas na atmosfera farão a Lua de sangue parecer mais escura do que o normal.

Lua de lobo (Wolf moon)

Uma Lua azul vista sobre Cincinnati (Imagem: Reprodução/NASA/Bill Ingalls)

Talvez a imagem lhe seja familiar: um lobo uivando para a Lua cheia. Bem, os lobos uivam em qualquer uma das fases lunares, mas será que essa em específico tem algum efeito sobre estes animais? Provavelmente, não. Durante a primavera e início do verão, por exemplo, os lobos uivam apenas para seus companheiros. Mas diz-se que, em janeiro, os lobos estavam mais famintos que o habitual devido ao inverno.

O termo, portanto, tem origem mais antiga de povos dos Estados Unidos e é pouco difundido por aqui, mas talvez você já tenha ouvido falar da "Lua de lobo". Isso não tem nada a ver com a aparência do nosso satélite natural durante algum evento; é o nome que antigamente davam à primeira Lua cheia de janeiro. Em algumas culturas, essa mesma Lua era conhecida como Lua Velha, Lua do Gelo e Lua da Neve.

Lua negra (Black moon)

(Imagem: Reprodução/twenty20photos/Envato)

A “Lua negra” que ocorre a cada 32 ou 33 meses, aproximadamente, quando um mesmo mês tem duas luas novas. A segunda delas será conhecida como Lua negra. Mas essa não é a única definição para o termo. Por exemplo, algumas pessoas podem usá-lo para se referir a uma situação oposta, ou seja, em que não há luas novas durante um mês inteiro.

Meses sem Lua nova só pode acontecer durante o mês de fevereiro, que normalmente tem 28 dias. Como um ciclo lunar dura 29,5 dias, é possível que fevereiro não tenha uma Lua cheia ou Lua nova. Outra definição diz que Lua negra é a terceira Lua nova em uma temporada de quatro, independentemente dos meses. Não se sabe ao certo de onde essas definições surgiram.

Lua azul (Blue moon)

Esta Lua azul ocorrida em 2015 provou que seu nome tem pouco a ver com sua cor (Imagem: Reprodução/NASA/Bill Ingalls)

A Lua azul também pouco tem a ver com fenômenos visuais em nosso satélite artificial. O nome vem do termo em inglês "once in a blue moon", que significa "muito raramente" ou "de vez em quando". Pois é, o termo, além de muito recente (surgiu na década de 1930), é apenas uma metáfora para dizer que se trata de um evento que não ocorre o tempo todo. Isso porque, assim como a Lua negra, refere-se à segunda Lua cheia de um mesmo mês, ou à terceira Lua cheia em uma estação do ano que tenha quatro delas.

Dessa vez, parece claro quando e por que as coisas ficaram confusas. A Lua azul foi descrita pelo Maine Farmer's Almanac (uma publicação anual que desde 1818 fornece informações sobre eventos como este nos EUA e Canadá) como a terceira Lua cheia de uma estação que tem quatro. Mas, na década seguinte, a revista Sky&Telescope publicou um artigo intitulado “Uma vez em uma lua azul”, na qual o autor James Hugh Pruett citou o almanaque do Maine com uma interpretação errada, dizendo que “a segunda (Lua Cheia) em um mês é chamada de Lua Azul”.

A Sky&Telescope reconheceu o erro em uma edição de 1999, e sua editora Diana Hannikainen afirma que o termo foi “na verdade uma bobagem do calendário" que apareceu nas páginas da revista, mas a coisa toda se espalhou para o mundo a partir daí. "Blue moon" acabou se tornando um termo tão popular nos EUA que inspirou livros, filmes e músicas — você talvez tenha pensado na canção Blue Moon, Richard Rogers e Lorenz Hart, e interpretada por artistas como Elvis Presley e Frank Sinatra.

Lua da colheita (Harvest moon)

(Imagem: Reprodução/dreamypixel/Envato)

Por fim, a Lua da colheita é importante para culturas agrícolas, pois se trata da única Lua cheia que ganhou um nome por causa de um equinócio, e não devido a um mês. Refere-se à Lua cheia mais próxima do início do outono, que começa no dia 22 ou 23 de setembro no Hemisfério Norte.

Na maioria das vezes, a Lua da colheira acontece em setembro, mas a cada três anos ocorre em outubro. Quando isso ocorre, ela coincide com a Lua do Caçador, que se refere à época em que os povos do hemisfério norte se preparavam para o inverno que se aproximava, caçando e preservando carnes para alimento. A Lua cheia de outubro também é conhecida como Lua de Sangue ou Lua Sanguínea, mas não deve ser confundida com o eclipse lunar total.

A Lua da colheira é astronomicamente especial porque o tempo entre um nascer da Lua e o outro fica mais curto nessa época. Normalmente, a Lua nasce em média 50 minutos mais tarde todos os dias em um ciclo lunar, mas, por alguns dias perto da Lua da colheita, essa diferença se torna inferior a 50 minutos. Essa Lua também significava que os fazendeiros podiam trabalhar e colher suas safras por mais tempo à noite.

Fonte: Timeanddate.com, Space.com, NASA

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