5 coisas importantes que a Lua pode nos ensinar

Por Daniele Cavalcante | 29 de Novembro de 2020 às 20h00
malith d karunarathne/Unsplash

Além de ser o objeto espacial mais próximo da Terra — e uma das visões mais bonitas do céu noturno —‚, a Lua também pode nos ensinar muito sobre algumas regrinhas do universo e até mesmo sobre nosso próprio planeta. Ao observar seu movimento, suas mudanças de fases, cores e tamanhos aparentes, os cientistas puderam aprender algumas coisas importantes ou confirmar algumas teorias.

1) A Terra é esférica

(Imagem: Reprodução/Kelvin Case)

Eis uma forma interessante de comprovar, por conta própria, que a Terra é esférica. Se você observar a Lua atentamente no Ártico, ou seja, no hemisfério norte, de depois descer até o Antártico, terá uma visão completamente invertida do nosso satélite natural. É como se no Polo Sul a Lua estivesse de “cabeça para baixo”. A imagem acima ilustra muito bem o porquê isso acontecer.

Além disso, a sombra da Terra durante os eclipses lunares também revela outras propriedades de nosso planeta. A curvatura da sombra terrestre que se projeta sobre a superfície lunar nos permite reconstruir o tamanho relativo da Lua em relação à sombra e, portanto, também torna possível reconstruir geometricamente a distância Terra-Lua. Através desse método, os cientistas podem dizer que a Terra tem mais de 3 vezes o diâmetro da Lua e o formato de esfera.

2) A órbita da Lua é elíptica

(Imagem: Reprodução/Vox)

Se observarmos a Lua ao longo do tempo, veremos que às vezes ela parece estar maior que outras. Para isso, talvez precisaremos de instrumentos como telescópio ou binóculos, pois essa diferença não é tão perceptível para o olho destreinado. Mas até mesmo pequenas alterações no tamanho aparente do satélite natural indicam grandes variações em sua distância da Terra.

Isso significa que sua órbita ao redor de nosso planeta não é exatamente circular, mas elíptica. Durante uma volta, a Lua se afastará e se aproximará da Terra, pois sua trajetória é em formado oval. Além disso, mais de 50% de sua face fica visível ao longo do tempo, pois ela orbita a Terra mais rápído quando fica mais perto de nós.

3) A Terra é reflexiva

(Imagem: Reprodução/ISS Crew Earth Observations Facility)

Se você já viu a Lua minguante ou crescente com a parte visível brilhando intensamente, mas também com um inesperado e fraco brilho na parte que deveria estar totalmente escondida sob a sombra, saiba que você estava olhando para o reflexo da Terra sobre a superfície lunar. Ou melhor, para a luz do Sol refletida em nosso planeta.

O fenômeno é apelidado em inglês de Earthshine (que seria algo como "Brilho Terrestre", em tradução livre), e costuma ser algo sutil, mas bem interessante, algo como um “efeito sinuca” do nosso Sistema Solar. Quando a luz do Sol é refletida na Terra, ela atinge a Lua e ricocheteia de volta para nós, que podemos então contemplar essa luminosidade diferenciada no satélite natural. Quanto mais nublada estiver a Terra, mais reflexiva ela será.

4) A curvatura da luz na atmosfera da Terra

(Imagem: Reprodução/Zarcos Palma)

A atmosfera da Terra causa uma curvatura nos raios luminosos do Sol, mas esse efeito não se dá por igual entre todas as cores do espectro visível da luz. Por exemplo, quando a Lua se põe (ou quando ela nasce), ela parece mais vermelha, à medida que a luz azul é espalhada.

Isso tem uma explicação. É que, quando está muito perto do horizonte, a luz da Lua deve passar pela quantidade máxima da atmosfera da Terra antes de chegar aos nossos olhos. A atmosfera dispersa a luz azul enquanto permite que a luz vermelha passe mais facilmente, e o resultado é que a Lua parece avermelhada.

À medida que a Lua se afasta do horizonte, sua luz passa por menos atmosfera, fazendo com que as faixas azul e vermelho do espectro eletromagnético se igualem. Assim, a Lua parece mais fiel à sua cor natural.

5) A Lua tem montanhas, vales e crateras

(Imagem: Reprodução/Mir/Roscosmos)

Olhar diretamente para a superfície lunar com um telescópio não é a única maneira de observar as montanhas e crateras da Lua. Há outros métodos, porém mais complicados. Um deles exibe fotografar a Terra de longe durante um eclipse solar total e registrar a sombra da Lua sobre nosso planeta.

Nessas ocasiões, toda a sua sombra da Lua pode ser vista da perspectiva correta. Entretanto, ela não será perfeitamente esférica, mas alongada e irregular devido aos alinhamentos geométricos e por causa do terreno montanhoso e cheio de crateras que existe na Lua. Ou seja, a forma irregular do nosso satélite natural é revelada pela sua sombra durante esses eclipses.

 Baily’s beads durante eclipse solar (Imagem: Reprodução/Phil Hart)

Outra curiosidade é algo chamado efeito Baily’s beads, que também acontece durante eclipses solares totais, e também nos anulares. Quando Lua cobre o Sol, a topografia irregular do nosso satélite natural permite que alguns feixes de luz solar brilhem em determinados lugares, e em outros não.

Fonte: Starts With a Bang

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