O que é a Lua Negra e com que frequência ela ocorre?

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 21 de Julho de 2021 às 18h40
NASA

Não é de hoje que eventos proporcionados pela Lua, como os eclipses e as superluas, fascinam a humanidade e nos proporcionam visões impressionantes no céu. Entre eles, existe a chamada “Lua Negra”, que ocorre a cada 32 ou 33 meses, aproximadamente. Há diferentes definições para esse fenômeno, e uma delas o descreve como a segunda Lua nova em um mês — e que, assim como a primeira, não pode ser observada por nós durante a noite.

O nome Lua Negra é, na verdade, mais um apelido popular dado a um dos diferentes fenômenos envolvendo nosso satélite natural, do que um evento propriamente dito — por exemplo, basta lembrar como é comum ouvir a expressão “anel de fogo” como referência a eclipses anulares, ou as chamadas “superluas”, que ocorrem quando a Lua fica com maior tamanho aparente por estar no ponto mais próximo da órbita em torno da Terra.

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Então, assim como acontece nessas situações, o nome Lua Negra também é um apelido que, neste caso, é dado quando a Lua não pode ser vista no céu. Apesar de não ser o momento ideal para quem quer observar nosso satélite natural ou fotografá-lo, a Lua Negra pode coincidir com novos começos e até festividades realizadas por algumas comunidades — por exemplo, o início do Muharram, o primeiro mês do calendário lunar islâmico, foi acompanhado em 2016 por uma Lua Negra, seguida pela breve faixa luminosa da fase crescente.

Saiba mais sobre a Lua Negra e quando ela acontece!

O que é a Lua Negra

Para entender a Lua Negra, precisamos entender, primeiro, as diferentes fases lunares: como a Lua não tem luz própria, o que vemos da Terra é a luz emitida pelo Sol refletida na superfície lunar. Essa luminosidade vem de uma única direção e sempre ilumina uma de suas faces, enquanto a outra permanece no escuro. Assim, o ciclo da Lua dura cerca de 29,5 dias e, ao longo dele, há noites em que nosso satélite natural mostra apenas uma faixa iluminada, enquanto em outras, o vemos como se fosse um grande círculo brilhante no céu.

Representação das diferentes fases da Lua ao longo do mês (Imagem: Reprodução/NASA's Scientific Visualization Studio)

Ao acompanhar a Lua ao longo dos dias, vemos também diferenças na forma aparente dela, que acontecem devido às mudanças de posição enquanto orbita a Terra. Quando é possível observar o lado iluminado da Lua, dizemos que ela está na fase “cheia”. Depois, quando a luz solar incide no lado afastado, ocorre a chamada “Lua nova”. É aqui que entra a “Lua Negra” — que, aliás, não é um termo astronômico oficial, mas sim o nome escolhido para algumas situações específicas em que ela parece invisível.

Esse nome faz referência à Lua nova, responsável pela aparência escura que nosso satélite natural mostra enquanto fica entre a Terra e o Sol e que, por isso, não conseguimos vê-lo no céu. É que o calendário lunar acompanha quase perfeitamente o calendário gregoriano, de modo que quase todos os meses têm uma Lua cheia e uma nova. Contudo, pode acontecer de algum mês ter uma Lua cheia “extra” e, nesse caso, aconteceria também uma Lua Negra, ou seja, a segunda Lua nova em um mês.

Durante a Lua nova, o lado lunar voltado para a Terra está escuro, o que deixa a Lua "invisível" (Imagem: Reprodução/NASA)

Outra forma de entender a Lua Negra é considerar o que acontece durante as estações do ano: como cada uma dura cerca de três meses, o esperado é que cada estação tenha três Luas novas — mas, às vezes, pode acontecer de acontecer uma quarta, que é a negra. Esse é um evento celestial um pouco raro, que acontece a cada 32 ou 33 meses em média, e somente em algumas regiões do planeta. A próxima Lua Negra acontecerá em abril de 2022; depois, só em maio de 2023.

A Lua Negra e as observações do céu

A Lua nova não pode ser observada por nós na Terra porque, nesta fase, ela está bem na mesma parte do céu que o Sol, com o lado afastado voltado para nossa estrela. Como a Lua Negra é, de certa forma, outra fase nova, ela fica quase invisível e também não poderia ser observada normalmente. Perceba, entretanto, que isso não é uma regra: no ano que vem, quem vive na América do Sul e Antártica poderá observar um “eclipse da Lua Negra”, que nada mais será que um eclipse solar parcial, em que a Lua cobrirá parte do Sol. Portanto, esta será uma “Lua Negra” parcialmente visível.

Durante o eclipse solar, a Lua projeta sombra e penumbra na Terra; quem está na região da penumbra vê somente um eclipse parcial (Imagem: Reprodução/NASA)

Já no caso de quem gosta de observar o brilho do nosso satélite natural no céu, pode ser interessante esperar determinadas fases ou até a ocorrência das conjunções para aproveitá-lo parecendo estar próximo de estrelas brilhantes e planetas em alguns momentos do mês. Por outro lado, a Lua Negra pode ser uma ótima aliada se o objetivo for ver objetos mais distantes no céu noturno, o que exige o céu mais escuro o possível.

É que a Lua é um dos objetos mais brilhantes no céu — o primeiro, claro, é o Sol, seguido da Lua e, por fim, do planeta Vênus. Assim, a luz solar refletida pela Lua durante a fase cheia, somada à poluição luminosa das cidades, acaba ofuscando objetos como aglomerados estelares, nebulosas e até galáxias de brilho mais fraco e difuso. Por isso, a Lua Negra é um ótimo momento para quem quer observar o céu, já que a ausência da luminosidade proporciona um céu mais escuro em lugares remotos, o ideal para observações do que está distante.

As outras “cores” da Lua

Além da Lua Negra, há diversos outros eventos envolvendo a Lua que foram popularizados com nomes que levam cores — mas que não significam, necessariamente, uma mudança literal na cor do nosso satélite natural. Um deles é a Lua Azul, que acontece somente a cada 2,5 anos. Este nome surgiu na década de 1940 e não indica que a Lua fica, de fato, com cor azulada, mas sim que se trata da segunda lua cheia em um só mês, já que o comum é que haja uma delas a cada mês.

Lua azul ocorrida em 2015, que ficou com aparência alaranjada devido à dispersão da luz solar (Imagem: Reprodução/NASA/Bill Ingalls)

Por outro lado, pode acontecer, sim, de a Lua parecer ter cor azul. Quando isso acontece, o “segredo” não está na órbita que ela segue em torno da Terra, mas sim na atmosfera do nosso planeta: caso haja partículas de poeira ou fumaça na atmosfera com aproximadamente 900 nanômetros, a superfície lunar pode aparentar ter tons azuis, por estes serem materiais eficientes em dispersar a luz vermelha.

Aliás, a dispersão da luz também é a culpada pela famosa “Lua de Sangue”, o nome dado à cor avermelhada que a Lua aparenta ter durante os eclipses lunares totais. Neste fenômeno, a Terra passa entre o Sol e a Lua, de modo que a luz da nossa estrela é bloqueada e não incide diretamente em nosso satélite natural. Como somente um pouco de luz “escapa” dos limites da atmosfera terrestre, essa luminosidade é dispersada e faz com que a Lua pareça ter cor vermelha por alguns momentos.

Os nomes curiosos atribuídos à Lua não param por aí. Há várias culturas que dão nomes específicos para cada Lua cheia do mês, não importa a cor aparente. Assim, alguns povos nativos e colonos da América do Norte, junto de comunidades do hemisfério Norte, apelidaram a Lua cheia do mês de novembro de “Lua do Castor” e “Lua Gelada", nomes que fazem referência à fauna local e à mudança das estações. Já povos europeus e norte-americanos chamam a lua cheia de maio de “Lua das Flores”, como referência à grande florada característica deste mês. Aqui no Brasil, não temos essa tradição, ainda que alguns desses apelidos para a Lua tenham ficado mais populares graças às redes sociais e a influência que culturas de outros países têm sobre nós por meio da internet.

Fonte: Space.com (1, 2), Forbes, National Geographic, NASA

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