NASA avalia qual é o melhor projeto de radiotelescópio no lado afastado da Lua

NASA avalia qual é o melhor projeto de radiotelescópio no lado afastado da Lua

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 20 de Maio de 2021 às 08h00
NASA/Vladimir Vustyansky

Quando radiotelescópios observam o espaço a partir da superfície terrestre, eles enfrentam alguns desafios como a turbulência que a luz dos astros e estrelas encontram ao atravessar a camada atmosférica. Para driblar esse problema, telescópios são lançados para a órbita da Terra, para obter dados livres dessas interferências. Mas a Lua poderá se tornar um local ainda mais ideal para a instalação de observatórios espaciais — e inclusive nações como EUA e China almejam instalar observatórios no lado afastado da Lua, observando, assim o passado do universo, logo depois do Big Bang.

A equipe de cientistas da NASA vem desenvolvendo o projeto de construção de um observatório no lado mais distante da Lua. O Lunar Crater Radio Telescope (LCRT), como é chamado o trabalho, recebeu recentemente investimentos para a realização da segunda fase do programa Innovative Advanced Concepts (NIAC) da agência espacial. A ideia é transformar uma cratera de cerca de 0,8 km de diâmetro em um grande radiotelescópio e, para a montagem, segundo Saptarshi Bandyopadhyay, do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), seriam utilizados robôs e rovers.

Representação artística do LCRT instalado no lado afastado da Lua (Imagem: Reprodução/NASA/Vladimir Vustyansky)

Tal ideia existe desde a década de 1960, com o início das missões espaciais tripuladas, mas só agora a tecnologia robótica permite tirar esses projetos do papel e por um custo mais acessível. Um radiotelescópio no lado afastado da Lua ficaria tão isolado da luz e radiação da Terra que seria capaz de captar ondas de rádio em baixa frequência que sobraram do início do universo, os “restos” do Big Bang.

Quer ficar por dentro das melhores notícias de tecnologia do dia? Acesse e se inscreva no nosso novo canal no youtube, o Canaltech News. Todos os dias um resumo das principais notícias do mundo tech para você!

A NASA também considera outro projeto de radiotelescópio lunar, chamado Farside Array para Radio Science Investigations of the Dark Ages and Exoplanets (FARSIDE), o qual seria bem maior do que o LCRT, alcançando mais de 9 km de diâmetro através de uma malha de fios e sensores pela superfície da Lua. Mas a agência norte-americana ainda não definiu qual projeto será utilizado para uma missão oficial. “A NASA vai dar uma olhada nesses dois conceitos e decidir com qual seguir em frente, ou não, ou potencialmente fazer os dois”, disse Jack Burns, professor de astrofísica da Universidade do Colorado.

Ilustração do projeto FARSIDE (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/Jack O. Burns/Univ. do Colorado)

O professor de astrofísica Joseph Silk, da Universidade Johns Hopkins, diz que os astrônomos do mundo todo estão ansiosos por esses observatórios lunares, pois eles seriam capazes de superar a capacidade, por exemplo, do Telescópio Espacial James Webb, o mais potente da história e planejado para ser lançado ainda neste ano. Silk diz que gostaria que tanto FARSIDE quanto o LCRT fossem construídos, pois, enquanto o FARSIDE teria uma ampla cobertura de sensores, o LCRT seria mais sensível às baixas frequências.

Fonte: Moon Daily

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.