Explosão solar gigantesca é registrada pela sonda Solar Orbiter

Explosão solar gigantesca é registrada pela sonda Solar Orbiter

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 18 de Fevereiro de 2022 às 10h40
Solar Orbiter/EUI Team/ESA & NASA

A maior explosão solar já observada ocorreu nesta terça-feira (15) e foi capturada pela sonda Solar Orbiter, da NASA e Agência Espacial Europeia (ESA). O fenômeno se estendeu por alguns milhões de quilômetros no espaço e foi registrado em uma única imagem, que incluiu também o Sol. Apesar das grandes dimensões, a erupção solar não veio em direção à Terra, indo na direção oposta à do nosso planeta.

As imagens foram captadas pelo instrumento Full Sun Imager (FSI) da sonda, criado para observar o disco solar em sua totalidade mesmo em momentos de maior proximidade da nossa estrela. A explosão solar observada pela Solar Orbiter é o maior evento do tipo já capturado em um único campo de visão, que o mostrou junto do disco solar, e representa novas possibilidades para estudos sobre como estes eventos se relacionam com o disco da nossa estrela.

Imagem produzida pela Solar Orbiter, mostrando tanto a estrela quanto a erupção solar (Imagem: Reprodução/Solar Orbiter/EUI Team/ESA & NASA)

Ao que tudo indica, a ejeção de massa coronal relacionada à erupção não ocorreu em direção à Terra. Na verdade, o evento ocorreu do lado oposto ao nosso — não há assinaturas da erupção no disco solar voltado para a sonda, que está se aproximando da "linha" entre o Sol e a Terra. Portanto, isso significa que o evento deve ter acontecido no lado do disco solar afastado do nosso planeta.

Há telescópios espaciais, como o observatório SOHO, que costumam acompanhar atividade solar deste tipo. Contudo, ou eles estão mais próximos do Sol, ou mais afastados devido a um ocultor, que bloqueia o brilho do disco solar para permitir a captura de imagens detalhadas da coroa. Enquanto a Solar Orbiter conseguiu registrar o fenômeno com amplo campo de visão, o SOHO poderá proporcionar observações complementares a distâncias maiores.

Outras missões espaciais estavam acompanhando o evento, como a Parker Solar Probe, e até mesmo satélites que operam em missões com outros objetivos científicos sentiram os efeitos da proeminência. A missão BepiColombo, da ESA e JAXA, a agência espacial do Japão, está nos arredores da órbita de Mercúrio, mas registrou um aumento significativo nas leituras de elétrons, prótons e íons pesados no monitor de radiação.

O que é erupção solar?

Erupção solar observada na luz violeta extrema em 2010, comparada ao tamanho da Terra (Imagem: Reprodução/NASA/SDO)

As erupções solares têm estruturas formadas por linhas do campo magnético emaranhadas, que mantêm concentrações densas do plasma solar suspensas sobre a superfície do Sol. Elas ficam presas à fotosfera e se estendem em direção à coroa solar, a atmosfera mais externa do Sol. Geralmente, essas proeminências se formam em cerca de um dia, mas as mais estáveis delas podem passar meses na coroa solar.

As concentrações de plasma podem se estender por milhões de quilômetros no espaço com formato de arcos, e costumam estar associadas às ejeções de massa coronal (CME), que são erupções massivas de plasma da coroa solar. Caso ocorram em direção à Terra, as CMEs são capazes de causar grandes estragos nas tecnologias que utilizamos, danificando satélites em órbita.

Embora este fenômeno mais recente não tenha enviado partículas perigosas para a Terra, ele representa um lembrete importante de como o Sol tem comportamento muitas vezes imprevisível. Por isso, cientistas seguem acompanhando e monitorando este comportamento atentamente.

Fonte: ESANASA

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