Sonda da NASA "toca" o Sol pela primeira vez ao atravessar coroa solar

Sonda da NASA "toca" o Sol pela primeira vez ao atravessar coroa solar

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 15 de Dezembro de 2021 às 12h27
NASA

A sonda Parker Solar Probe fez história ao “tocar” o Sol pela primeira vez. Segundo informações da NASA, a Parker fez seu primeiro voo através da coroa solar, que é a atmosfera superior da nossa estrela, e coletou amostras de partículas e campos magnéticos por lá. Trata-se de um feito de enormes dimensões tanto para a missão da sonda quanto para a ciência solar.

A Parker foi lançada em 2018 para chegar mais perto do Sol do que qualquer outra nave já conseguiu. Conforme se aproxima da superfície da nossa estrela (que, ao contrário da da Terra, não é sólida), ela vem conseguindo novas descobertas que não poderiam ser feitas por outras naves por estarem distantes demais. “Este é um momento monumental para a ciência solar e um feito incrível”, comemorou Thomas Zurbuchen, administrador associado da NASA.

Ao longo de sua viagem, a sonda trouxe novas descobertas sobre o fluxo de partículas do vento solar — entre elas, estão estruturas em zigue-zague, que ficam mais frequentes perto do Sol. Foi durante a primeira passagem próxima do Sol que a Parker revelou que elas vêm da superfície solar — e este é só o começo, já que futuros sobrevoos devem revelar ainda mais dados sobre fenômenos que não poderiam ser estudados à distância.

Esta primeira passagem pela coroa solar durou apenas algumas horas, mas vale lembrar que foi apenas a primeira de várias que ainda vão acontecer ao longo da missão. A Parker continuará seguindo em direção ao Sol em uma trajetória espiral, até ficar a 6,11 milhões de km de sua superfície. O próximo sobrevoo deverá acontecer em janeiro de 2022, para atravessar a coroa novamente.

O que a Parker Solar Probe já descobriu

O Sol não tem uma superfície sólida, mas sim uma atmosfera superaquecida formada por matéria solar ligada à estrela, pela gravidade e por forças magnéticas. O calor e a pressão “empurram” esta matéria para fora do Sol, até que chega um momento em que a gravidade e os campos magnéticos não conseguem mais retê-la; este ponto é a “superfície crítica de Alfvén”, que marca o fim da atmosfera solar e o início do vento solar.

Os pesquisadores não sabiam ao certo onde a superfície crítica de Alfvén ficava — estimativas de imagens da coroa sugeriam que ficaria a até 13,8 milhões de km, aproximadamente. Durante seu oitavo sobrevoo pelo Sol, a Parker identificou as condições magnéticas e partículas específicas a cerca de 13 milhões de km da superfície solar; ali, os cientistas souberam que ela tinha cruzado a superfície crítica de Alfvén, ou seja, que estava na atmosfera do Sol.

Durante uma das passagens pela coroa, a Parker encontrou "fluxos coronais", estruturas brilhantes nas imagens acima; elas ficam visíveis da Terra durante eclipses solares totais (Imagem: Reprodução/NASA/Johns Hopkins APL/Naval Research Laboratory)

Naquele sobrevoo, a Parker entrou e saiu da coroa solar algumas vezes e mostrou que a superfície crítica de Alfvén tinha elevações e vales em sua estrutura, algo que pode ajudar os cientistas a entender como os eventos do Sol afetam a atmosfera e o vento solar. Os dados destas estruturas mostraram que têm grande quantidade de hélio, e estão alinhadas com funis magnéticos vindos da fotosfera (a superfície "visível" do Sol) entre células de convecção.

Houve um momento em que a sonda mergulhou, ficando a apenas 10 km da superfície da nossa estrela, e passou por uma estrutura massiva conhecida como “pseudostreamer” (ou “pseudofluxo”, em tradução literal). Ali, as condições eram mais tranquilas, e as partículas pareciam se mover mais lentamente, algo bem diferente do que ocorre no vento solar. Pela primeira vez, a nave entrou em uma região onde os campos magnéticos eram fortes o suficiente para dominar o movimento das partículas.

Este foi outro indicativo que ela havia, de fato, passado pela superfície crítica de Alfvén e estava na atmosfera solar. “Meu instinto me diz que, conforme nos aprofundarmos mais na missão e nos aproximarmos mais do Sol, vamos aprender sobre como os funis magnéticos se relacionam com as estruturas em zigue-zague”, disse Stuart Bale, autor principal de um dos artigos sobre as descobertas da sonda. “Esperamos também esclarecer os processos que os formam”.

Um dos artigos foi publicado na revista Physical Review Letters, e outro foi aceito no periódico Astrophysical Journal.

Fonte: Physical Review LettersNASA

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