Exoplaneta recém descoberto pode ajudar no estudo de atmosferas alienígenas

Exoplaneta recém descoberto pode ajudar no estudo de atmosferas alienígenas

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 05 de Março de 2021 às 12h30
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O recém descoberto exoplaneta Gliese 486 b orbita uma estrela anã vermelha a apenas 26 anos-luz de distância, sendo cerca de 1,3 vezes maior que a Terra e 2,8 mais massivo, conforme aponta novo estudo publicado na Revista Science. Rochoso, o planeta tem grande potencial para aprimorar os estudos da ciência sobre atmosferas alienígenas.

O Gliese 486 b orbita a estrela Gliese 486 a cada 1,47 dias, uma anã vermelha com cerca de 30% da massa do Sol. A partir da perspectiva terrestre, o planeta cruza pela frente de sua estrela hospedeira, o que faz com que seja o terceiro mundo em trânsito mais próximo já conhecido — além de ser o mais próximo a orbitar uma anã vermelha.

Segundo análise da equipe responsável pela descoberta, Gliese 486 b tem uma temperatura aproximada de 450 Cº, o que indica uma temperatura fria o suficiente para que o exoplaneta mantenha uma atmosfera em temperaturas amenas, de modo a ser possível estudá-la de longe por meio da espectroscopia.

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O planeta foi localizado através do método da velocidade radial, quando ocorrem leves oscilações no movimento da estrela por conta da interação gravitacional com outro corpo massivo. O equipamento usado foi o espectrógrafo CARMENES, instalado no telescópio de 3,5 metros do Observatório Calar Alto, na Espanha.

Ilustração artística do exoplaneta Gliese 486 b, cerca de 26 anos-luz de distancia. (Imagem: Reprodução/RenderArea)


Para Trifon Trifonov, do Instituto Max Planck de Astronomia em Heidelberg, Alemanha, e principal autor do estudo, essa combinação “de características físicas e orbitais de Gliese 486 b o torna a 'Pedra de Roseta' para investigações atmosféricas de exoplanetas rochosos".

A equipe também analisou o Gliese 486 b pelo método de trânsito através do TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite), da NASA, e percebeu uma pequena variação no brilho da estrela observada apontando a passagem de algum planeta em sua frente — a partir da perspectiva de quem a observa, claro. A análise confirmou o período orbital de 1,47 dias, anteriormente obtido pelo método radial. Além disso, outro espectrógrafo também foi usado, conhecido como MAROON-X e localizado no Telescópio de Gemini Norte, no Havaí.

A partir da reunião dos dados de velocidade radial e do tamanho através do método de trânsito, foi possível determinar a massa do exoplaneta — cerca de 2,8 vezes a massa da Terra — e densidade de aproximadamente 7 gramas por centímetro cúbico, bem próxima à da Terra, que é cerca de 5,5 gramas. Ao que tudo indica, o planeta analisado também tem uma composição de silicato de ferro. A temperatura da superfície, no entanto, seria parecida com a de Vênus; ou seja, Gliese 486 b não teria muitas chances de abrigar a vida como a conhecemos. Trifonov acredita que seja um mundo "quente e seco, intercalado com vulcões e rios de lava brilhantes".

Gliese 486 b orbita uma estrela anã vermelha com cerca de 30% da massa do Sol da Terra. (Imagem: Reprodução/RenderArea)

O exoplaneta possui uma órbita muito estreita e provavelmente é travado pela força de maré, mostrando sempre o mesmo lado para sua estrela — de um lado ocorre um dia extremamente quente e sem fim, e do outro uma noite muito fria, mais um fator que pode diminuir as chances de abrigo para a vida.

A proximidade de Gliese 486 b com a Terra, somada às suas outras características, fazem dele um laboratório para estudar atmosferas planetárias de outros sistemas estelares. "As observações futuras do Gliese 486 b nos ajudarão a entender o quão bem os planetas rochosos podem manter suas atmosferas, e do que são feitos", aponta Trifonov.

A expectativa agora é poder observar a composição da atmosfera do exoplaneta com o Telescópio Espacial James Webb, que será lançado em outubro deste ano, assim que o equipamento estiver operacional.

Para mais detalhes sobre o exoplaneta Gliese 486 b, basta acessar o artigo publicado na Revista Science.

Fonte: Space.com

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