Esta pode ser uma imagem real do exoplaneta Proxima c — se ele realmente existir

Por Daniele Cavalcante | 17 de Abril de 2020 às 09h19
Gratton

Em janeiro, uma equipe de pesquisadores anunciou ter encontrado evidências de um possível segundo planeta na órbita de Proxima Centauri, a estrela mais próxima do Sol. Agora, outro grupo acredita que conseguiu registrar uma imagem real dele.

Embora esse registro ainda não esteja confirmado como, de fato, uma imagem real do exoplaneta Proxima c, e ainda que haja alguns problemas com a imagem divulgada, pode ser, sim, que ela seja um retrato deste mundo que, até então, ainda não foi confirmado como um exoplaneta de verdade. Ainda será preciso realizar muito mais observações para se ter certeza - e os próprios autores do estudo deixam isso bem claro.

Dito isto, vamos entender o que está acontecendo na imagem abaixo. Ela é uma combinação de cinco fotografias separadas, tiradas durante um período de dois meses, a partir de abril de 2018. O círculo amarelo na parte inferior mostra a localização do candidato a exoplaneta na época, e o círculo amarelo superior mostra sua localização de agora, em abril de 2020, calculada com base no movimento orbital do objeto. A elipse azul tracejada é a órbita prevista do planeta ao redor de sua estrela.

A combinação de cinco imagens foi feita com ajuda do Very Large Telescope e mostra um pontinho de luz (seta branca) onde o Proxima c deveria existir (Imagem: Gratton)

Com a órbita determinada, a busca ficou confinada entre os dois círculos verdes tracejados. Como o objeto tem uma órbita oval, ele deve se limitar a ficar dentro desse trajeto. O sinal de "+" na cor branca marca a posição da estrela Proxima Centauri, cuja luz foi removida usando técnicas sofisticadas para reduzir seu brilho na imagem.

Proxima c é mesmo um planeta?

Realmente parece haver algo ali, onde a seta está apontando, dentro do círculo amarelo inferior. Mas, infelizmente, nem mesmo a equipe que produziu a imagem pode dizer se aquilo é, de fato, o Proxima c. Existe bastante ruído, principalmente causado pelo restante da luz da estrela, que não pôde ser totalmente removida. Isso causa ondas luminosas por toda a imagem, e o próprio candidato a planeta tem brilho semelhante a esses ruídos. Ou seja: pode ser que este seja o primeiro registro visual real do exoplaneta mais próximo da Terra, pode ser que não. Ainda, nem se tem a certeza de que o que foi descoberto em janeiro deste ano é mesmo um planeta, que vem sendo chamado de Proxima c.

Mas, em seu estudo, os astrônomos entraram em detalhes sobre o que fizeram ao processar as imagens e reduzir o ruído. Eles também tentam descobrir se esse ponto luminoso, que supostamente é o novo planeta do sistema estelar em questão, não seria, na verdade, apenas parte do ruído da imagem. No entanto, os resultados mostram evidências de que se trata de um planeta - mas, ainda assim, há outros problemas neste caso.

As cinco imagens do suposto planeta separadas (Imagem: Gratton)

Um dos principais problemas é que a luz deste suposto mundo refletida pela estrela indica o tamanho do planeta. De acordo com o brilho nessa imagem, o Proxima c deve ter cerca de 700.000 km de diâmetro, ou aproximadamente 5 vezes o diâmetro de Júpiter. Bem, planetas rochosos não podem ser tão grandes assim, e a massa do Proxima c deveria ser mais parecida com a de Netuno. Então, a conta não bate.

Mas considerando que esse cálculo de tamanho é baseado na luz emitida pelo objeto, pode ser que haja outra coisa por ali - por exemplo, anéis como os de Saturno ou nuvens de poeira ao seu redor. Se este for o caso, significa que o planeta, em si, seria muito menor, e aí tudo faria sentido. Anéis de gelo são altamente reflexivos e podem iluminar consideravelmente a imagem registrada de um planeta distante.

Esse estudo, ainda no repositório arxiv e aguardando revisão por pares para ser publicado em um periódico científico, deve continuar em análise por algum tempo, até que se comprove a existência do Proxima c. Isso é importante, pois, se ele estiver mesmo lá, este será o exoplaneta mais próximo de nós já fotografado diretamente - o que será um marco histórico para a ciência. Mas ainda é cedo para fazer afirmações e, por enquanto, a única certeza que se tem é a incerteza - tanto quanto à existência do Proxima c, como quanto à sua aparição no registro visual desses pesquisadores.

Fonte: Bad Astronomy

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