Este exoplaneta é um gigante gasoso como Júpiter, mas sem nuvens na atmosfera

Por Danielle Cassita | 25 de Janeiro de 2021 às 12h40
M. Weiss / Harvard & Smithsonian Center for Astrophysics

Em um novo estudo, uma equipe de astrônomos da Harvard & Smithsonian, liderados por Munazza Alam, descobriram novas características da atmosfera do exoplaneta WASP-62b: apesar de já ter sido descoberto há alguns anos, agora o exoplaneta é considerado o primeiro que não contém nuvens ou névoas em sua atmosfera observável, uma característica que pode guardar informações sobre os processos que o formaram.

Identificado em 2012 por meio do estudo Wide Angle Search for Planets (WASP), o WASP-62b se encontra a 575 anos-luz de distância de nós, e sua massa equivale a aproximadamente metade da massa de Júpiter — mas, ao contrário do nosso gigantesco vizinho, que leva quase 12 anos para orbitar o Sol, ele completa uma órbita ao redor de sua estrela em apenas 4 dias e meio. E, como tem temperaturas altíssimas por estar bem próximo da estrela, ele é apelidado de “Júpiter quente”.

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Comparação do WASP-62b com Júpiter e a Terra (Imagem: Reprodução/WASP Planets)

Apesar de a descoberta do planeta não ser exatamente nova, os astrônomos ainda não sabiam como era a atmosfera deste mundo, e é justamente essa a linha de estudos da autora, que trabalha com a caracterização dos exoplanetas: “eu pego planetas descobertos e os monitoro para caracterizar a atmosfera deles”, explica. Assim, com o telescópio espacial Hubble, Alam registrou dados e observações do planeta por meio da espectroscopia, o estudo da radiação eletromagnética para detectar e identificar elementos químicos.

Ela monitorou o planeta em três momentos em que ele que passou à frente da estrela que orbita e, ao observar a luz visível, ela poderia detectar a presença de sódio e potássio na atmosfera do planeta. Inicialmente, a autora admite que não estava tão animada com o exoplaneta, mas isso mudou ao observar os dados: apesar de não haver evidências de potássio, a presença do sódio estava bem clara nas linhas de absorção nos dados, o que permitiu ver uma “impressão digital” completa do elemento.

Geralmente, quando há nuvens e névoas na atmosfera do planeta, a assinatura do sódio pode ficar escondida, de modo que os astrônomos acabam encontrando poucos indícios da presença do elemento. Assim, a descoberta clara do sódio aponta para uma evidência forte de uma atmosfera limpa no WASP-62b — trata-se de algo tão raro que há estudos estimando que menos de 7% dos exoplanetas tenham uma atmosfera limpa assim, tanto que o único outro mundo assim foi encontrado em 2018.

Estudar exoplanetas com atmosferas sem nuvens pode ajudar os astrônomos a entender melhor como se formaram, e a raridade deles é algo que “sugere que algo mais está acontecendo, ou que eles se formaram de uma forma diferente da maioria dos outros planetas”, comenta Alam. Além disso, essas atmosferas limpas facilitam estudos da composição química destes mundos.

Agora, nos próximos passos, a equipe espera novas oportunidades para estudar melhor este planeta com o lançamento do telescópio espacial James Webb, estimado para o final do ano; com a maior precisão e resolução do telescópio, deverá ser possível estudar a atmosfera para buscar a presença de mais elementos.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Astrophysical Journal Letters.

Fonte: Harvard

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