Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (26/09 a 02/10/2020)

Por Daniele Cavalcante | 03 de Outubro de 2020 às 11h00
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Chegamos a mais um sábado, dia de conferir uma compilação das imagens que a NASA publicou em seu site Astronomy Picture of the Day (ou simplesmente APOD). Há algumas curiosidades sobre a Lua, incluindo um modo muito criativo de mostrar como acontece o ciclo lunar ao longo do mês.

Também veremos aqui nebulosas, sistemas estelares curiosos, e eventos terrestres que são tão fascinantes quanto os estranhos objetos do universo. Sem mais delongas, confira as imagens e vídeos da semana e algumas curiosidades sobre cada uma delas.

Sábado (26/09) — Luas sobrepostas

(Imagem: Reprodução/Marcella Giulia Pace)

Estamos acostumados a ver representações das fases da Lua mais ou menos da forma como as vemos no céu: a Lua nova quase invisível, a Lua crescente apenas parcialmente visível, e assim por diante. Neste painel, a professora e astrofotografa mostra as fases da Lua de um modo um pouco diferente: a parte iluminada do nosso satélite natural é mais brilhante, mas o lado coberto pela sombra da Terra ainda está bem visível.

Mas porque a Lua parece sempre toda iluminada nessas fotos? É que para montar este painel curioso, as imagens das fases lunares estão organizadas em pares. Cada foto está emparelhada com outra, separada por cerca de 15 dias, ou aproximadamente meio mês sinódico.

Ou seja, a Lua no dia 2 é a Lua nova, mas ela está sobreposta com a imagem do dia 17, que é uma Lua cheia. Consequentemente, a segunda foto mostra a Lua crescente (dia 3) sobreposta em uma Lua minguante (dia 18), e aqui já podemos observar a estreita faixa de sombra que separa ambas na composição. E as sobreposições continuam: a terceira imagem são as luas do dia 4 e 19, e assim por diante.

Como resultado, todas elas parecem um disco lunar todo iluminado, não? Apenas uma linha de sombra percorre continuamente de um lado para o outro à medida que o tempo avança neste painel. Sem dúvida é um modo bastante criativo de mostras a dinâmica do nosso satélite natural. As fotos foram tiradas em agosto de 2019, na Ragusa, Sicília, Itália.

Domingo (27/09) — Raios sobre Colorado

(Imagem: Reprodução/Joe Randall)

A humanidade convive com raios desde sempre, mas ainda hoje, mesmo com toda a ciência acumulada, a formação deles ainda é um assunto que demanda pesquisa. Sabemos muito sobre eles, como alguns mecanismos que fazem com que as descargas elétricas aconteçam, formando o raio. O relâmpago (que é o efeito visual do raio) geralmente traça um trajeto irregular rumo ao chão, aquecendo rapidamente uma fina coluna de ar a uma temperatura cerca de três vezes a da superfície do Sol. Você definitivamente não quer estar ali quando acontecer.

Mas eles também podem percorrer uma trajetória ao contrário (sim, de baixo para cima) ou para o lado — este último tipo pode ser muito maior que os normais, pois não há um limite imposto pela superfície da Terra. Relâmpagos são comuns em nuvens durante tempestades e, ao redor de todo o planeta, ocorrem em média 44 relâmpagos cada segundo. Impressionante, né? Também é fascinante esta imagem, composta por mais de 60 fotos sobrepostas para capturar o fluxo de nuvens de tempestade sobre Colorado Springs, Colorado, EUA.

Segunda-feira (28/09) — Laço do Cisne

(Imagem: Reprodução/ESA/Hubble/NASA/W. Blair)

Pode não parecer, mas estes filamentos delicados e serenos são na verdade o remanescente de uma supernova, que é um dos eventos mais cataclísmicos do universo. Fica na constelação de Cisne, a uma distância aproximada de 2.400 anos-luz. A equipe por trás do Hubble divulgou há uma semana esta bela imagem capturada pelo telescópio espacial, e a NASA aproveitou a ocasião para falar um pouco sobre esta que é também uma pequena parte da nebulosa Laço do Cisne.

Esta forma que lembra uma espécie de véu delicado se originou da interação entre materiais ejetados e materiais de baixa densidade. Isso aconteceu quando a supernova do Cisne explodiu em algum momento entre 10.000 e 20.000 anos atrás, e poderia ter sido muito visível para qualquer um que estivesse vivo na Terra naquela época. Essa supernova foi a explosão foi de uma estrela de 20 vezes a massa do nosso Sol que atingiu o final de sua vida e colapsou.

Desde então, os restos desta explosão seguem em expansão, a 350 quilômetros por segundo. Por causa do formato delicado, essa parte é também conhecida como Nebulosa do Véu.

Terça-feira (29/09) — Anéis distorcidos 

Esta simulação é do impressionante sistema estelar triplo GW Orionis, que devido à movimentação das estrelas que orbitam entre si apresenta uma região interna pra lá de peculiar. Ao contrário aos discos de formação planetária planos que normalmente encontramos ao redor das estrelas, o GW Orionis apresenta um disco distorcido e deformado.

A primeira parte do vídeo mostra uma vista mais afastada, abrangendo todo o sistema, enquanto a segunda parte nos leva para dentro dos anéis inclinados de poeira para encontrar as três estrelas centrais, orbitando uma ao redor da outra. É este movimento, aliado à força gravitacinal das estrelas, que deformam e quebram os discos em anéis.

Por enquanto, não há planetas ao redor das três estrelas do GW Orionis, mas uma vez que o sistema conta com este vasto disco de gás e poeira, podem nascer alguns mundos por ali. Já que essas estrelas acabaram desalinhando um anel localizado na parte interna desse disco, fizeram com que essa faixa específica possa formar mundos bastante exóticos — talvez parecidos com Tatooine, que orbita dois sóis que aparecem um tanto desalinhados no céu.

Quarta-feira (30/09) — Som da águia

A famosa Nebulosa da Águia, catalogada como M16, é bastante conhecida pela imagem apresentada no vídeo, capturada pelo Telescópio Espacial Hubble no início de abril de 1995. A foto ficou conhecida como "Pilares da Criação" e mostra as colunas de gás estelar e poeira contida na nebulosa. Ainda hoje ela encanta nossos olhos, mas agora também pode nos brindar com um áudio.

Este som foi criado por um novo projeto que usa um processo de sonificação, capaz de transformar imagens astronômicas de grandes telescópios em áudio. O resultado é sempre algo inesperado e encantador, às vezes de fato uma música. Conforme o cursor se move pela imagem, os sons representam a posição e o brilho dos objetos. Este projeto também transformou outras imagens, como da supernova Cassiopeia A.

Quinta-feira (01/10) — O olho de Marte

(Imagem: Reprodução/Damian Peach)

Se você tem olhado para a Lua ultimamente, provavelmente já encontrou Marte perto dela: um ponto vermelho que está cada vez mais brilhante nessa época. Na verdade, não está acontecendo nada diferente no planeta, e sim seu tamanho aparente se intensificou, chegando perto do seu máximo. Isso, claro, favorece os telescópios terrestres que observam o Planeta Vermelho.

Nesa foto, do dia 22 de setembro, o disco de Marte já estava perto de seu máximo tamanho aparente, com cerca de 1/80 do diâmetro aparente de uma lua cheia. A calota polar sul está bem visível na parte inferior e as nuvens do norte também aparecem no topo. A região Solis Lacus (Lago do Sol) está logo abaixo e à esquerda do centro do disco, cercada por uma área de luz ao sul de Valles Marineris, assemelhando-se a uma pupila. Por isso, ela é conhecida como O Olho de Marte.

Sexta-feira (02/10) — Na Lua de bike

(Imagem: Reprodução/Susan Snow)

A Lua nunca deixa de nos surpreender. Principalmente a Lua cheia, ainda mais em um efeito visual como este. Nem parece que a Lua está tão longe. Na verdade, são 400.000, que os astronautas da Apollo 11 percorreram em 1969 em cerca de 103 horas ou 4,3 dias.

Este ano, aconteceu a famosa maratona de bicicleta Tour de France, na qual os atletas cobriram quase 3.500 quilômetros em 21 etapas, am 87 horas, conforme exemplificou a NASA para nos dar uma noção da dimensão das coisas. As bikes correram em média 40 km/h, então um ciclista levaria 10.000 horas para chegar pedalando até a Lua. Ou seja, um pouco mais de 416 dias.

Nesta foto, o ciclista estava perto de uma região do Reino Unido chamada Cleeve Hill, em Bishops Cleeve, Cheltenham, no dia 27 de setembro.

Fonte: APOD

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