Níveis alarmantes de radiação na Lua exigem proteção maior para os astronautas

Por Danielle Cassita | 29 de Setembro de 2020 às 11h33
Ponciano/Pixabay

A realização de missões na Lua pode ser arriscada para os astronautas: é possível que estes exploradores sejam expostos de duas a três vezes mais radiação do que os astronautas recebem a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS). Assim, pesquisadores analisaram dados da missão chinesa Chang’e 4 e concluíram que os astronautas vão precisar de abrigos eficientes para conseguirem se proteger das emissões.

O lander chinês está no lado afastado da Lua e já está fornecendo os primeiros dados completos das medidas de exposição à radiação na superfície lunar, que foram apresentados em um artigo por pesquisadores chineses e alemães. “Esta é uma grande conquista, e agora temos um conjunto de dados que pode ser usado para analisarmos a radiação e entender melhor o risco das pessoas na Lua”, diz Thomas Berger, físico do instituto de medicina da German Space Agency.

Os astronautas do programa Artemis poderão realizar expedições de até dois meses na Lua (Imagem: Reprodução/NASA)

Eles estabeleceram que os astronautas poderiam ser expostos de 200 a mil vezes mais radiação na Lua do que aquela que sofremos na Terra — ou de cinco a dez vezes mais do que os passageiros ficariam expostos durante um voo transatlântico, diz Robert Wimmer-Schweingruber, da Universidade de Kiel, na Alemanha. “A diferença é que não ficamos no voo por tanto tempo quanto os astronautas ficam na Lua para explorá-la”, completa. Como os humanos não foram feitos para estes níveis de radiação que pode causar câncer, eles vão precisar se proteger de alguma forma.

Os níveis de radiação devem ser basicamente os mesmos em toda a Lua, menos nas regiões próximas às paredes das crateras profundas, diz Wimmer-Schweingruber: “Basicamente, quanto menos você ver o céu, melhor. Essa é a fonte principal de radiação”. Assim, os níveis medidos pela Chang’e 4 são muito próximos do que a sonda da NASA, que circula a Lua há quase uma década, havia coletado. Então, os pesquisadores alemães sugerem a construção de abrigos feitos de poeira lunar, um material bastante abundante, para estadias que levem mais do que apenas alguns dias. As paredes destes abrigos deveriam ter exatos 80 centímetros de espessura — se forem mais espessas que isso, a interação dos raios galácticos com a poeira lunar vai acabar gerando sua própria radiação.

A NASA planeja levar astronautas à Lua outra vez em 2024 por meio do programa Artemis, e eles passariam por volta de uma semana lá — mais que o dobro de tempo que os astronautas do programa Apollo passaram. A agência espacial explica que haverá detectores de radiação e um abrigo seguro em todas as naves Orion que irão para nosso satélite natural.

O artigo do estudo foi publicado na revista Science Advances.

Fonte: Phys.org

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