Colisão que deu origem à Lua "roubou" 60% da atmosfera da Terra, mostra estudo

Por Daniele Cavalcante | 30 de Setembro de 2020 às 17h40
NASA/JPL-Caltech

A hipótese de que a Lua se formou através de uma colisão entre a Terra e um planeta chamado Theia ganha cada vez mais reforço, com estudos que trazem mais e mais indícios. Agora, uma nova pesquisa liderada pela Durham University, no Reino Unido, mostra uma implicação desse provável impacto: nosso mundo teria perdido aproximadamente 60% de sua atmosfera nesse evento.

De acordo a chamada “hipótese do grande impacto”, a colisão aconteceu há mais de 4 bilhões de anos, quando a Terra ainda era um protoplaneta, ou seja, ainda estava em seus estágios iniciais de formação, mesmo que já fosse bem desenvolvida. A colisão com o planeta Theia — apelido assim em homenagem à mãe da deusa da Lua na mitologia grega — teria então arrancado uma boa parte do nosso mundo. Os detritos desse impacto teriam formado a Lua, e há muitos indícios de que as rochas lunares estão, de fato, relacionadas com a Terra.

Os pesquisadores envolvidos com o novo estudo realizaram simulações em um supercomputador para estudar as consequências que a colisão teria em nosso planeta. Como é difícil determinar como foi exatamente o grande impacto e como a Terra se parecia naquela época, eles executaram mais de 300 impactos diferentes em planetas rochosos com atmosferas finas. O objetivo era estudar algumas das consequências desse tipo de impacto de modo geral.

Gráfico ilustra sequência do impacto entre a proto-terra e Theia, e a subsequente formação da Lua (Imagem: Reprodução/Citronade/Wikimedia Commons)

Como resultado, eles obtiveram uma grande quantidade de simulação de impactos entre planetas rochosos que podem ser usados ​​por cientistas que estão estudando as origens da Lua ou qualquer outra colisão que encontrem ao observar o universo. Ou seja, eles acabaram desenvolvendo uma nova técnica de prever, em especial, a perda atmosférica através de qualquer colisão. As descobertas foram publicadas no Astrophysical Journal Letters.

De acordo com o principal autor da pesquisa, Dr. Jacob Kegerreis, do Institute for Computational Cosmology, centenas de cenários foram executados nas simulações, incluindo muitos planetas em colisão diferentes, “mostrando os impactos e efeitos variáveis ​​na atmosfera de um planeta dependendo de uma série de fatores como o ângulo, velocidade do impacto ou o tamanho dos planetas”. Ele explica que as simulações “podem ser usadas ​​para restringir as diferentes formas como ela [a Lua] pode ter sido formada e nos levar mais perto de compreender sua origem”.

Através das simulações, os cientistas podem saber se os planetas envolvidos nas colisões ganharam ou perderam atmosfera, simplesmente aplicando e alterando uma ou mais variáveis referentes à composição desses mundos, por exemplo. Também é possível às vezes saber se planeta seria destruído em um possível impacto. Isso é bastante útil, pois uma vez que a simulação não aponta que a proto-Terra seria destruída em uma colisão com Theia, os cientistas podem continuar trabalhando com a hipótese do grande impacto.

Fonte: Phys.org

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