Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (02/01 a 08/01/2021)

Por Daniele Cavalcante | 09 de Janeiro de 2021 às 11h00
Druckmuller/P. Helgason/Moller/Selby/Orazi

Imagens de objetos distantes no universo costumam ser muito impressionantes, mas às vezes fotografias de eventos peculiares em nosso planeta são igualmente fantásticas. Se as auroras — aquelas manifestações magnéticas que surgem na forma de luzes esverdeadas — já são incríveis, imagine uma aurora com o formato de uma fênix gigante! Poucas pessoas têm o privilégio de ver algo assim pessoalmente, mas ao menos podemos conferir a foto neste compilado.

Além da aurora-fênix, há outras paisagens do céu terrestre, como a Lua, o eclipse solar e fenômenos ainda pouco compreendidos pela ciência. Viaje também para Marte em uma foto aérea de suas misteriosas dunas listradas, e ainda mais longe, rumo às galáxias Pequena Nuvem de Magalhães e NGC 1365. E, como de costume, confira diversas curiosidades sobre esses objetos cósmicos.

Sábado (02/01) — A Lua com colódio úmido 

(Imagem: Reprodução/Mike Smolinsky)

Em meados do século IXX, o processo fotográfico de colódio úmido foi utilizado para tirar uma foto da Lua. O método consiste na utilização de uma espécie de verniz chamada colódio, que é aplicado a placas fotográficas de vidro e sensibilizado com nitrato de prata. Essa tecnologia histórica foi uma das primeiras a ser utilizada para registrar uma imagem da superfície lunar. Para isso, era necessário também um telescópio.

A imagem acima é uma versão moderna de uma foto com colódio de placa úmida, feita para celebrar as primeiras fotografias de nosso satélite natural. Foram utilizados produtos químicos modernos e uma placa de vidro de uma loja de ferragens do século XXI, além de um telescópio relativamente simples.

Domingo (03/01) — Aurora em forma de Fênix

(Imagem: Reprodução/Hallgrimur P. Helgason)

Não é um pássaro, nem um avião (muito menos o Super-Homem). Essa é uma aurora fotografada na Islândia, às 3h30 da manhã. Naquela ocasião, os observadores acharam que todas as auroras — fenômenos que se formam através da interação entre as partículas solares e o campo magnético da Terra — já haviam acabado. De repente, uma nova explosão iluminou a atmosfera, brindando o fotógrafo que permaneceu a postos para capturar mais uma imagem. E que imagem! A aurora adquiriu a forma impressionante que lembra uma fênix.

Logo acima da montanha ao fundo, chamada Helgafell, está a constelação de Orion. Já o aglomerado de estrelas das Plêiades também está visível, logo acima do centro do quadro. Essa incrível aparição durou apenas um minuto e logo sumiu, permanecendo apenas nos registros fotográficos.

Segunda-feira (04/01) — Sprites

Esses fenômenos estranhos se parecem com fogos de artifício, mas trata-se de algo natural, conhecido como “sprites vermelhos”. Este vídeo tenta analisar a imagem de um dos sprites para tentar compreender melhor o evento misterioso, porque ainda não se compreende muito bem como eles se formam. Mas vídeos como este ajudam a ver o fenômeno com mais detalhes, trazendo alguma compreensão.

Os sprites ocorrem durante tempestades e são produzidos por campos elétricos gerados por relâmpagos que vão da nuvem para o solo. Para serem fotografados, é preciso uma câmera CCD (charge-coupled device) de alta sensibilidade. Os sprites se formam acima das nuvens e costumam se estender a partir de 45 km de altitude, podendo chegar a 100 km — o que significa que acontecem na mesosfera, a camada mais fria da atmosfera do nosso planeta. Eles duram aproximadamente 17 ms.

O vídeo acima foi capturado em meados de 2019 e tem cerca de 100.000 quadros por segundo, o suficiente para analisar vários flashes de sprites caindo e se transformando em serpentinas. Infelizmente, vídeos como esse não resolvem totalmente o mistério das origens do sprite, mas os pesquisadores cogitam que eles parecem ocorrer quando a atmosfera superior apresenta alguma irregularidade de plasma.

Terça-feira (05/01) — Pequena Nuvem de Magalhães

(Imagem: Reprodução/José Mtanous)

Ao contrário do que o nome sugere, a Pequena Nuvem de Magalhães é, na verdade, uma galáxia. Acabou por ser uma galáxia. Mas ela é, de fato, pequena — ao menos em comparação com galáxias como a Via Láctea. Com apenas 15.000 anos-luz de diâmetro, ela é considerada uma galáxia irregular anã, e possui algumas centenas de milhões de estrelas.

Ela está localizada a cerca de 210.000 anos-luz de distância, na constelação Tucano, ou seja, está mais distante de nós do que as outras galáxias satélites conhecidas da Via Láctea. Ah, a Pequena Nuvem de Magalhães pode ser observada a olho nu, mas é necessário um local com pouca poluição luminosa, e é mais fácil quando a Lua não está no céu. Se você souber a localização, a mancha tênue meio esbranquiçada será facilmente identificada.

Nesta imagem, também está retratada o aglomerado globular de estrelas 47 Tucanae, à direita. Ele está a de cerca de 16.700 anos-luz de distância da Terra e tem 120 anos-luz de diâmetro. Também pode ser visto a olho nu, com sua magnitude de 4,0.

Quarta-feira (06/01) — Dunas listradas

(Imagem: Reprodução/HiRISE/MRO/LPL/NASA/Włodek Głażewski)

Isso é uma paisagem de Marte, mais precisamente na cratera Kunowsky, onde há essas dunas de areia listradas. Ainda não se sabe exatamente porque elas se formam, mas há uma boa quantidade de estruturas como essa — dunas cobertas por geada de dióxido de carbono (gelo seco) de forma desigual, o que resulta em desenhos abstratos sobre parte da superfície do Planeta Vermelho.

Além de ser um material de estufa, o dióxido de carbono não derrete, mas se sublima (ou seja, passa do estado sólido para gasoso sem se tornar líquido, quando a temperatura aumenta). Esses fatores fazem com que erupções semelhantes a gêiseres possam acontecer durante a primavera marciana, quebrando o gelo, ejetando gás e expondo a areia mais escura que estava escondida sob a geada. Isso resulta no padrão de manchas escuras.

Mas no caso dessa foto, tirada pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter, trata-se do outono marciano, quando o tempo está esfriando e transformando novamente as listras. Esse processo específico ainda é um misterioso que os cientistas não conseguiram decifrar.

Quinta-feira (07/01) — Eclipse, cometa e massa coronal

(Imagem: Reprodução/Miloslav Druckmuller/Andreas Moller)

Um eclipse solar total ocorreu no dia 14 de dezembro de 2020. O fenômeno acontece quando a Lua passa em frente ao Sol, bloqueando a luz da nossa estrela. Como consequência, a sombra lunar se projeta sobre alguma região de nosso planeta, movimentando-se sobre nossa superfície de acordo com o movimento de ambos os corpos — Lua e Terra. Não podemos olhar diretamente para um eclipse solar (nem mesmo o total), mas as câmeras fotográficas podem fotografá-lo.

Essa imagem é um composto processado de 55 exposições fotográficas que variaram de 1/640 a 3 segundos. O processo revelou a superfície lunar escura, incluindo boa parte de suas estruturas de crateras, e algumas estrelas ao fundo. Na parte inferior esquerda, está o cometa C/2020 X3 SOHO.

Mas o que realmente chama a atenção são os desenhos ao redor do eclipse e algumas avermelhadas nas bordas do Sol, resultado da enorme ejeção de massa coronal de nossa estrela. Essas “nuvens” que parecem desenhos feitos em computador são na verdade estruturas da corona solar que estão ali o tempo todo, mas acabam sendo ofuscadas pelo brilho do Sol.

Sexta-feira (08/01) — NGC 1365

(Imagem: Reprodução/Mike Selby, Leonardo Orazi)

Esta é a galáxia espiral barrada NGC 1365, localizada na direção da constelação de Fornax, a 60 milhões de anos-luz de distância. Com cerca de 200.000 anos-luz de diâmetro, é grande o suficiente para que possamos chama-la de majestosa. As áreas avermelhadas perto da barra central são as regiões onde as estrelas nascem.

Os astrônomos cogitam que a barra que atravessa o centro da NGC 1365 seja bem importante: ela possivelmente atrai gás e poeira para um redemoinho de formação estelar e envia material para o buraco negro supermassivo no coração da galáxia.

Fonte: APOD

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