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Constelações de satélites podem afetar busca por vida extraterrestre

Por| Editado por Patricia Gnipper | 03 de Fevereiro de 2022 às 17h12

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SKAO
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A interferência causada pelos satélites Starlink, junto dos demais que compõem constelações de outras empresas, deverá afetar o trabalho do radiotelescópio Square Kilometer Array Observatory (SKAO). Trata-se do atual maior radiotelescópio do mundo, que terá dificuldades na busca por possíveis sinais de vida em outros planetas — e os efeitos se estendem desde os estudos de galáxias distantes até na caçada de novos exoplanetas.

Quando estiver completo, o SKAO irá contar com duas grandes redes de antenas de rádio dispostas em regiões da Austrália Ocidental e África do Sul, em locais com poucas pessoas e proteção governamental. Essas regiões têm “silêncio de rádio”, ou seja, os poucos moradores por lá não pode usar celulares, rádio ou TV — e a regra também vale para quem está visitando a região temporariamente a passeio.

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Isso porque o SKAO é um observatório de radioastronomia, ou seja, suas várias antenas captam sinais de rádio fracos, emitidos por estrelas, galáxias e outros objetos. Como estes sinais podem viajar nos mesmos comprimentos de onda usados para a telefonia celular, transmissões de TV e rádio terrestre, observatórios do tipo vêm procurando locais remotos para instalar seus equipamentos de grande sensibilidade.

O problema é que o SKAO começou a ser planejado na década de 1990 em uma época em que os responsáveis pelo projeto não esperavam que as megaconstelações de satélites internet pudessem surgir e se expandir para as dimensões que vemos hoje. Apesar de o observatório trabalhar com bandas de frequências de rádio protegidas, que ninguém mais pode usar, há diversos objetos que emitem sinais em bandas utilizadas para a vida na Terra.

Como os satélites podem afetar o radiotelescópio

A banda entre 10,7 e 12,7 gigahertz é utilizada pelos satélites Starlink transmitirem internet aos usuários em solo, mas também pode ajudar a responder grandes perguntas da astronomia. “Essa banda cobre alguns tipos de observações, incluindo o que estamos procurando, como algumas moléculas no espaço precursoras do surgimento da vida”, explicou Federico di Vruno, gerente do espectro de rádio no SKAO. “Além disso, a busca e estudos de exoplanetas acontece nesta banda”.

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Ele alertou também que sinais de rádio do tipo, vindos das galáxias mais distantes, são desviados para o vermelho nesta banda. “Então, a interferência [das megaconstelações] vai afetar nossa habilidade de ver de volta no passado e estudar determinadas épocas”, disse. Claro, os satélites não vão prejudicar completamente o trabalho do SKAO naquelas bandas; contudo, como a quantidade deles em órbita é cada vez maior, haverá também um ruído crescente em meio às observações.

Hoje, a SpaceX tem cerca de 2.000 satélites em órbita, mas espera somar mais de 40 mil unidades no espaço. “Quanto mais satélites, mais difícil será de realizar observações nestes alcances de frequência”, notou Vruno. Além disso, embora os moradores não possam usar seus terminais em locais próximos àqueles das antenas, os satélites ainda assim estarão emitindo sinais nocivos para as observações.

Segundo ele, há tentativas de diálogo em andamento com as operadoras das megaconstelações. “Argumentamos que se não tiver receptores perto dos radiotelescópios, talvez eles pudessem tentar fazer algo para não apontar esses raios diretamente para nós”, sugeriu. Futuramente, o observatório espera trazer especialistas para lidar com iniciativas que possam reduzir os impactos das observações.

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Além dos custos envolvidos, estas iniciativas não são simples. “Nós já planejamos agendar observações para evitar apontar onde os satélites estão, mas isso muda muito conforme os satélites se movem, além de haver vários deles, e está ficando mais difícil”, explicou. “Também planejamos realizar pós-processamento dos nossos dados para mascarar a interferência na radiofrequência, mas isso também significa perda de dados”.

Fonte: Space.com