Astrônomos propõem projeto para reduzir impactos de satélites nas observações

Astrônomos propõem projeto para reduzir impactos de satélites nas observações

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 28 de Julho de 2021 às 11h00
Victoria Girgis/Lowell Observatory

O impacto dos satélites nas observações astronômicas é uma preocupação crescente, que ainda precisa de políticas e regulamentações para reduzir seus efeitos. Assim, durante o evento Satellite Constellations 2 (SATCON2), uma equipe de astrônomos propôs um centro virtual que poderá reduzir estes impactos. O projeto, chamado SatHub, irá fornecer ferramentas para os astrônomos evitarem passagens de satélites em suas observações ou, caso aconteça, para terem recursos para corrigi-las.

O evento deste ano foi realizado visando três objetivos principais: descobrir o que falta para implementar as recomendações da edição anterior, fazer com que astrônomos e operadores de satélite trabalhem juntos para criar políticas e estratégias e aumentar a diversidade de todas as partes interessadas. Assim, o foco da SatCon2 foi voltado para os desafios relacionados ao ritmo crescente do lançamento de satélites — a SpaceX, por exemplo, espera ter mais de 40.000 satélites Starlink lançados no futuro, e há outras empresas trabalhando em constelações próprias, como a Amazon e OneWeb. Além de afetar observações astronômicas, os satélites levantam ainda preocupações relacionadas ao lixo espacial.

Imagem de Albireo, uma estrela dupla, feita em dezembro, com satélites Starlink atravessando a foto (Imagem: Reprodução/Rafael Schmall)

Meredith Rawls, da University of Washington, dirigiu o grupo de trabalho de observações no workshop, e explicou que “a ideia é ter uma só ‘parada’ para todas as diferentes necessidades relacionadas às observações dos satélites na órbita baixa da Terra” no SatHub. Para isso, os astrônomos teriam as ferramentas necessárias para prever com mais precisão as passagens dos satélites e outras informações relacionadas às constelações, além de softwares que podem ser usados para as previsões e correções das imagens afetadas pelas passagens.

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Este projeto foi uma das principais recomendações apresentadas no evento. “Nós realmente gostaríamos de avançar e evitar ter que reinventar a roda por ter vários grupos individuais tentando lidar com o problema; ao invés disso, teríamos um único lugar para agrupar todas essas observações diferentes e análises relacionadas”, explicou ela, ressaltando que as empresas que enviam satélites para o espaço deveriam investir na proposta.

Segundo os representantes do projeto, ainda não há informações sobre quando o SatHub estaria disponível, mas é certo que o projeto irá precisar de apoio financeiro para sair do papel — principalmente porque novos satélites são lançados com frequência, e o software que será usado ainda irá levar algum tempo para ser desenvolvido. "Precisaremos desses recursos o mais rápido possível”, disse Jonathan McDowell, astrônomo do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics que foi co-diretor do grupo de trabalho de algoritmos no evento.

A SpaceX já conta com mais de 1.700 satélites em órbita (Imagem: Reprodução/SpaceX)

McDowell considerou que a proposta tem potencial importante. “Pensamos que é um lar natural para as pessoas irem, encontrarem o software, catálogos de satélites, acessar as previsões de localização e encontrar a documentação”, explicou. Contudo, o SatHub ainda está em etapas bastante iniciais — o Trailblazer, uma iniciativa parecida com esta, deve ficar pronto no fim deste ano —, e não será uma solução única para o problema. “Não há solução de software que possa mitigar completamente o impacto nas observações astronômicas", observou McDowell. “Pensamos, sim, que o software é muito importante, mas não vai ser uma bala de prata que vai limpar os dados”, ressaltou.

Fonte: Space.com, SpaceNews

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