Asteroide Ryugu pode ser o que restou de um cometa "morto"

Asteroide Ryugu pode ser o que restou de um cometa "morto"

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 25 de Março de 2022 às 20h20
JAXA

O asteroide Ryugu pode ser, na verdade, o que restou de um cometa extinto — e talvez este também seja o caso de outros asteroides considerados “pilhas de entulhos”. É o que propõe um estudo de uma equipe de pesquisadores liderada por Hitoshi Miura, professor da Nagoya City University, no Japão, em que investigaram o porquê de o Ryugu ter altas quantidades de matéria orgânica concentrada.

Em 2020, a sonda Hayabusa2 trouxe à Terra as amostras do Ryugu, que ainda estão em análise. Mas, até o momento, as informações obtidas remotamente sobre o asteroide revelaram três características importantes.

Primeiro, o Ryugu é uma espécie de “pilha de entulhos”, formada por pequenos pedaços de rochas e materiais sólidos agrupados pela gravidade. Além disso, o Ryugu tem forma parecida com a de pião, provavelmente causada pela deformação induzida pela alta velocidade de rotação. Por fim, o asteroide tem alta quantidade de matéria orgânica.

E é aqui que está o problema: as análises das amostras ainda precisam ser concluídas para a confirmação da alta quantidade de matéria orgânica, mas se este realmente for o caso, talvez não seja verdade o cenário em que o Ryugu foi formado pelos detritos deixados pela colisão de dois grandes asteroides.

Superfície do asteroide Bennu (Imagem: Reprodução/NASA/Goddard/University of Arizona)

O novo estudo sugere que asteroides com forma de pião, formados por uma pilha de entulhos e alta quantidade de matéria orgânica, como é o caso do Ryugu e até do Bennu, talvez não sejam asteroides, mas sim objetos de transição cometas-asteroides (“CATs”, na sigla em inglês).

“Os CATs são pequenos objetos que já foram cometas ativos, mas foram extintos e indistinguíveis de asteroides em relação à aparência”, explica Miura, autor principal do estudo.

Possível origem do asteroide Ryugu

Buscando uma explicação para a quantidade de matéria orgânica observada, a equipe liderada por Miura trabalhou com um modelo físico relativamente simples, e propõem que o Ryugu (e outros asteroides formados por detritos) podem ser o que restou de cometas extintos. Os cometas são pequenos corpos formados nas regiões mais frias do Sistema Solar, e são compostos principalmente por gelo e detritos rochosos.

Esquema que representa a possível origem cometária do asteroide Ryugu (Imagem: Reprodução/Miura et al. (2022)

Se um cometa entra no Sistema Solar interno, o calor da radiação solar faz com que o gelo seja sublimado e escape, deixando para trás um rastro de detritos rochosos — e tudo isso combina com as características observadas no Ryugu.

“A sublimação do gelo faz com que o núcleo do cometa perca massa e encolha, o que aumenta a velocidade de rotação; como resultado, o núcleo cometário pode chegar à velocidade rotacional necessária para a formação de uma estrutura de peão”, sugeriu Miura.

Além disso, os componentes congelados dos cometas podem conter matéria orgânica gerada no meio interestelar. “Estes materiais orgânicos ficariam depositados nos detritos rochosos deixados para trás, conforme o gelo sublima”, explicou ele.

Os resultados das análises conduzidas pela equipe sugeriram que, provavelmente, o Ryugu passou algumas dezenas de milhares de anos como um cometa ativo, antes de ir ao Cinturão de Asteroides interno; ali, seu gelo teria sido vaporizado, e ele pode ter se tornado a pilha de entulhos que vemos hoje.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista The Astronomical Journal Letters.

Fonte: The Astronomical Journal Letters; Via: Nagoya City University

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