Presença de carbono no Sistema Solar interno pode ser explicada por cometas

Presença de carbono no Sistema Solar interno pode ser explicada por cometas

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 08 de Março de 2021 às 12h20
NASA

Cometas e asteroides são fundamentais para nossa compreensão sobre o início do Sistema Solar. Nele, encontramos materiais, quase inalterados pelo tempo, presentes no início da formação do nosso e de outros planetas. No início de 2016, recebemos a visita do cometa C/2013 US10, conhecido como Catalina e, por um breve momento, foi possível estudar sua composição — e em seu brilho foi detectada a presença de carbono, bloco fundamental da vida.

O Catalina apareceu próximo à constelação da Ursa Maior, no céu do hemisfério Norte, e sua breve visita foi uma boa oportunidade para que tantos observatórios o analisassem. Entre eles, estava o Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy (SOFIA), um telescópio acoplado a um avião Boeing 747. Através de sua leitura no infravermelho, o SOFIA identificou a impressão digital do carbono presente na cauda de poeira do cometa.

A importância disso é que esses dados podem ajudar a explicar a formação da vida aqui na Terra, pois é provável que cometas como o Catalina tenham sido uma fonte essencial de carbono tanto para o nosso planeta, quanto para Marte. Os resultados do SOFIA, trabalho da NASA em parceria com o Centro Aeroespacial Alemão, foram publicados recentemente no Planetary Science Journal.

 Cometa C / 2013 US10 (Catalina), registrado em dezembro de 2015 (Imagem: Reprodução/Greg Hogan)

Para o principal autor do artigo, Charles “Chick” Woodward, astrofísico e professor do Instituto de Astrofísica da Universidade de Minnesota, o carbono é a chave para compreender a origem da vida. “Ainda não temos certeza se a Terra poderia ter capturado carbono suficiente por conta própria durante sua formação, então os cometas ricos em carbono poderiam ter sido uma fonte importante de entrega deste elemento essencial que levou à vida como a conhecemos”, disse.

Cometas como o Catalina são originados nos confins do sistema solar, na Nuvem de Oort. Por conta dessa distância e o longo período de órbita, ao se aproximar do Sol, o cometa aparece relativamente intacto com seu material literalmente congelado no tempo. É uma ótima oportunidade para encaixar as peças que faltam nos estudos sobre o início do nosso sistema.

Conforme o cometa se aproxima do Sol, ele começa a evaporar e liberar seu material em gás e poeira, formando suas caudas. O SOFIA, através de suas observações em infravermelho, mostrou que o Catalina é rico em carbono, sugerindo que tenha se formado nas regiões externas do Sistema Solar primordial, onde havia grande quantidade do bloco fundamental da vida — o carbono.

A Terra primitiva e os outros planetas rochosos eram quentes demais para que elementos como o carbono não fossem perdidos ou esgotados. A presença do gigante gasoso Júpiter pode ter bloqueado a entrada de carbono para dentro do Sistema Solar, então fica a pergunta: como o nosso planeta, e seus vizinhos rochosos, são hoje ricos em carbono? Pesquisadores acreditam que uma pequena mudança na órbita de Júpiter permitiu que corpos celestes carregados de carbono adentrassem ao sistema solar interno. O cometa Catalina, rico em carbono, pode explicar como planetas quentes e pobres em carbono, no início do Sistema Solar, se tornaram ambientes com o elemento básico da vida.

Por conta da sua alta velocidade, é provável que o cometa esteja escapando do sistema solar. Uma ida sem volta (Imagem: Reprodução/NASA/JPL)

“Todos os mundos terrestres estão sujeitos a impactos de cometas e outros pequenos corpos, que carregam carbono e outros elementos”, aponta Woodward. “Estamos chegando mais perto de entender exatamente como esses impactos nos primeiros planetas podem ter catalisado a vida”.

Novas observações de cometas são necessárias para saber se outros cometas na Nuvem de Oort são ricos em carbono. Para mais detalhes sobre os dados e pesquisa, basta acessar o estudo no Planetary Science Journal.

Fonte: NASA

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