A supernova mais brilhante já registrada tem energia de 100 bilhões de sóis!

A supernova mais brilhante já registrada tem energia de 100 bilhões de sóis!

Por Daniele Cavalcante | 14 de Abril de 2020 às 21h00

Uma gigantesca explosão estelar em uma galáxia a cerca de 3,6 bilhões de anos-luz da Terra foi registrada, tornando-se a supernova mais brilhante já vista até agora. Ela foi descoberta em 2016, na verdade, mas pesquisadores tiveram que acompanhar o evento por dois anos antes de anotar os resultados finais da pesquisa, que acaba de ser divulgada.

De acordo com Matt Nicholl, autor principal do artigo publicado na Nature Astronomy, a radiação do objeto era cinco vezes maior do que a energia da explosão de uma supernova de tamanho normal. “Essa é a maior luz que já vimos emitida por uma supernova”, disse. Ela é tão extrema que Nicholl e seus colegas julgam que esta pode ser até mesmo uma supernova formada por duas grandes estrelas que se fundiram antes da explosão.

Aliás, a quantidade de energia emitida por essa supernova, em apenas alguns anos, é igual a seis vezes a quantidade total de energia que o nosso Sol emitirá durante toda a sua vida, estimada em sete bilhões de anos. Algo realmente especial deve ter acontecido por lá, e foi isso o que os pesquisadores tentaram descobrir.

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Imagens da supernova SN2016aps. Esquerda: Usando o observatório MMT cerca de um ano após a explosão. Meio: imagem do Hubble após quase 3 anos no infravermelho próximo, mostrando o evento na galáxia. Direita: Imagem ultravioleta do Hubble, indicando que a explosão ocorreu em uma nebulosa de formação estelar (Imagem: Nicholl)

O objeto recebeu o nome de SN2016aps e, desde sua descoberta, seu brilho diminuiu apenas 1% do seu pico. As observações da equipe realizadas através do telescópio Hubble e muitos outros equipamentos terrestres permitiram que os pesquisadores determinassem algumas características da explosão, e como ela poderia ter acontecido. Por exemplo, eles calcularam que, em seu pico, ela teve o equivalente a 100 bilhões de vezes a energia do Sol.

Entre essas conclusões, a equipe aponta que parte do brilho provavelmente derivava da interação entre a supernova e uma camada de gás ao seu redor. Essas camadas são lançadas quando a estrela está prestes a explodir e emite pulsações violentas. Se a explosão acontecer no momento certo, ela poderá alcançar essa camada de gás, colidir com ela e, assim, liberar uma enorme quantidade de energia. A equipe julga que o SN2016aps é um dos candidatos mais prováveis já encontrados para esse processo já observado.

Além disso, o SN2016aps é altamente massivo. Os pesquisadores calcularam algo entre 50 e 100 vezes a massa do Sol - este é um dos sinais de que a supernova pode ter se originado de um sistema estelar, não apenas uma única estrela. Há outros indícios, como o gás primário encontrado - o hidrogênio. “Uma estrela tão grande normalmente teria perdido todo o seu hidrogênio por ventos estelares muito antes de começar a pulsar", disse Nicholl.

Conceito artístico de uma supernova (Imagem: NASA/ESA/G. Bacon)

Uma explicação para encontrar o gás no objeto é que duas estrelas de massa um pouco menor que o SN2016aps se fundiram antes da explosão. As estrelas de menor massa mantêm seu hidrogênio por mais tempo, enquanto suas massas combinadas se tornam altas o suficiente para desencadear, por consequência, a explosão em supernova.

Agora que os astrônomos sabem que explosões tão impressionantes como esta acontecem no cosmos, o novo Telescópio Espacial James Webb, da NASA, poderá ser usado para procurar por eventos semelhantes. Ainda mais, ele poderá ver supernovas incríveis tão distantes que será possível observar as "mortes" das primeiras estrelas do universo, de acordo com o coautor do estudo, Edo Berger. No entanto, este telescópio espacial vem sofrendo diversos atrasos em seu cronograma de desenvolvimento, e a última informação sobre seu lançamento foi a de que ainda não há previsão de quando isso, enfim, vai acontecer.

Fonte: Space.com, Bad Astronomy

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