James Webb | O que cientistas esperam descobrir com o novo telescópio espacial

Por Daniele Cavalcante | 14 de Outubro de 2019 às 14h20
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Depois de destacar que o telescópio ewspacial James Webb nos brindará com imagens incríveis da Via Láctea e até mesmo do buraco negro supermassivo presente no centro da nossa galáxia, a NASA voltou a falar sobre os benefícios que o instrumento trará à ciência. Descrevendo-o como “uma missão épica”, a agência afirma que ele abrirá uma “janela para o universo primitivo, permitindo ver o período em que as primeiras estrelas e galáxias se formaram”.

Esse telescópio ambicioso é um projeto internacional, também administrado pela ESA (Agência Espacial Européia) e a Agência Espacial Canadense, e será o principal observatório mundial de ciências espaciais, de acordo com a NASA. A agência está confiante que ele resolverá mistérios do Sistema Solar e poderá enxergar mundos distantes ao redor de outras estrelas, e até mesmo sondar as origens do universo - e o nosso lugar nele. De acordo com a NASA, o Webb vai "mudar a forma como pensamos sobre o céu noturno e nosso lugar no cosmos".

A agência espacial publicou uma conversa com parte da equipe que trabalha no desenvolvimento do telescópio, e como eles usarão os dados coletados por ele. Uma das entrevistadas foi a Dra. Amber Straughn, que chegou ao NASA Goddard para estudar galáxias usando dados do telescópio espacial Hubble e hoje trabalha com as atividades de comunicação e divulgação do Webb. Ela usará os dados do novo telescópio em suas pesquisas sobre formação e evolução de galáxias.

Já o Dr. John Mather é cientista sênior do projeto Webb, e líder da equipe científica. Ele ganhou um Prêmio Nobel em 2006 por confirmar a teoria do Big Bang com extrema precisão por meio de uma missão chamada Cosmic Background Explorer (COBE), e é especialista em cosmologia, astronomia e instrumentação infravermelha.

Amber afirmou que o James Webb foi projetado essencialmente “para responder a algumas das maiores perguntas que temos hoje em astronomia”, e não são apenas questões científicas. Por exemplo, como de onde viemos? Como chegamos aqui? E, claro, estamos sozinhos? “Para responder às maiores perguntas da astronomia hoje, precisamos realmente de um telescópio muito grande. E o Telescópio Espacial James Webb é o maior telescópio que já tentamos enviar para o espaço”.

Para Mather, “um dos desafios maravilhosos sobre astronomia é que precisamos imaginar algo para poder procurá-lo”. Por outro lado, a natureza “tem uma maneira de ser ainda mais criativa do que nós, por isso sempre nos surpreendemos com o que vemos no céu [...] Toda vez que construímos um [telescópio] melhor, vemos algo que nunca imaginamos estar lá fora”. Assim, Mather acredita que o Webb, por ser melhor e mais poderoso que os anteriores, certamente nos surpreenderá de alguma maneira que nem mesmo ele pode prever.

Como lembrou Amber, o projeto trouxe “grandes desafios de engenharia”. Nunca um instrumento tão ambicioso foi feito antes - o Webb tem como objetivo detectar as primeiras estrelas e galáxias que nasceram no universo primitivo, uma região do cosmos que ainda não vimos. Para capacitá-lo para essa tarefa, a equipe precisou inventar “uma nova maneira de fabricar os espelhos, uma maneira de focalizá-lo no espaço sideral, vários novos tipos de detectores de infravermelho e inventar o grande guarda-chuva que chamamos de protetor solar”, listou Mather.

Amber destacou que a equipe também quer ver como as galáxias crescem e mudam com o tempo. “Temos perguntas sobre como as galáxias se mesclam, como os buracos negros se formam e como as entradas e saídas de gás afetam a evolução da galáxia”. No entanto, uma das peças fundamentais desse “quebra-cabeça” é “como as galáxias começaram”.

Uma coisa que a equipe do Webb tem certeza é que eles não sabem quais novas descobertas devem esperar. John recorda que, durante toda a história da astronomia, os estudiosos pensaram que o universo funcionava de uma forma, só para em seguida novas descobertas mostrarem o contrário. Até mesmo Einstein, que ao imaginar que o universo tem uma idade infinita, estava errado. “Estamos bastante confiantes de que não sabemos o que vamos encontrar”, disse o pesquisador. Para Amber, essa perspectiva de não saber é “uma das coisas mais empolgantes de trabalhar em um telescópio como esse”.

O telescópio espacial James Webb está programado para ser lançado em 2021.

Fonte: NASA

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