Cerca de 100 mil supernovas explodiram na Via Láctea há 1 bilhão de anos

Por Daniele Cavalcante | 18 de Dezembro de 2019 às 09h19
ESO/NOGUERAS-LARA ET AL

Cientistas descobriram recentemente um dos eventos de maior liberação de energia da história da Via Láctea: a explosão de aproximadamente 100.000 estrelas em supernovas no centro da nossa galáxia. Isso teria produzido um incrível espetáculo luminoso no céu logo após um longo período de “dormência estelar”, quando estrelas se formavam e morriam em taxas muito abaixo do normal.

Isso aconteceu há um bilhão de anos. Se considerarmos que a Via Láctea se formou há cerca de 13 bilhões de anos, o evento foi relativamente recente - embora tenha sido antes que a vida complexa surgisse na Terra. Esse foi “provavelmente um dos eventos mais enérgicos de toda a história da Via Láctea”, segundo Francisco Nogueras-Lara, astrônomo do Instituto Max Planck de Astronomia, na Alemanha, e principal autor do estudo.

De acordo com o artigo, publicado na Nature Astronomy, “as condições na região estudada durante essa explosão de atividade devem se parecer com as das galáxias ‘starburst’” - um tipo de galáxia que experimenta um processo intenso e contínuo de formação estelar, com velocidade cerca de 100 vezes maior que a de galáxias normais".

Embora a explosão de supernovas tenha acontecido antes da nossa presença no universo, o evento ainda "deixa uma marca visível" no centro da Via Láctea. E a equipe conseguiu detectar essa marca com o equipamento HAWK-I, do Very Large Telescope (VLT) no Observatório Europeu do Sul. Para ver a região repleta de poeira no núcleo da Via Láctea, a pesquisa observou o infravermelho próximo, que revelou as consequências do período de explosão estelar.

Tirada com o instrumento HAWK-I no Very Large Telescope, esta imagem impressionante mostra a região central da Via Láctea. A imagem combina observações em três diferentes faixas de comprimento de onda, e ao observar no infravermelho próximo, o HAWK-I conseguiu ver através da poeira, permitindo enxergar estrelas na região central de nossa galáxia que, de outra forma, estariam escondidas (Imagem: ESO/NOGUERAS-LARA ET AL)

Isso também permitiu que os pesquisadores encontrassem mais informações sobre a história inicial da nossa galáxia. A equipe acredita que cerca de 80% das estrelas da Via Láctea se formaram durante os seus primeiros cinco bilhões de anos. Após esse tempo, nossa galáxia se acalmou em uma “dormência estelar” por alguns bilhões de anos, até que subitamente iniciou-se o período de explosões de supernovas.

Ainda não há certeza sobre o que provocou o repentino evento de supernovas, mas há possibilidades levantadas pelos cientistas. O estudo aponta que o gás de uma galáxia anã próxima tenha sido gravitacionalmente consumido pela Via Láctea, e isso teria injetado uma afluência de material novo em torno de seu núcleo. Com o novo material, houve um nascimento abundante de novas estrelas massivas - e estrelas massivas têm uma vida útil relativamente curta. Assim, essa “geração” de estrelas que nasceram na mesma época explodiu cerca de 100 milhões de anos depois.

Mesmo que essa hipótese esteja correta, ainda há muito o que descobrir sobre a história da nossa galáxia. De acordo com a equipe, futuras observações permitirão “restringir ainda mais os diferentes eventos e nos ensinar sobre a história da formação do centro galáctico e suas implicações na evolução da Via Láctea e seu buraco negro supermassivo”.

A imagem do estudo é o primeiro lançamento da pesquisa GALACTICNUCLEUS, um programa que usa o amplo campo de visão e a alta resolução angular do HAWK-I para produzir uma imagem nítida da região central da galáxia. Foram estudadas mais de três milhões de estrelas.

Fonte: NatureEurekAlert

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