A coleta de amostras no asteroide Bennu marcou sua superfície — literalmente

Por Danielle Cassita | 16 de Abril de 2021 às 12h50
NASA

Enquanto Neil Armstrong deixou sua pegada na superfície da Lua em 1969, ao pousar com a missão Apollo 11, a sonda OSIRIS-REx também deixou sua própria marca no asteroide Bennu. A missão chegou ao objeto no ano passado para coletar amostras e fez seu último sobrevoo em torno do asteroide recentemente. Contudo, a equipe ainda precisava de algum tempo para receber os dados que mostrariam como a coleta alterou a superfície do asteroide — e essas informações acabam de ser publicadas.

Lançada em 2016, foi somente em outubro de 2020 que a sonda chegou a Bennu. Ela tocou brevemente a superfície do objeto durante a manobra Touch-and-Go (TAG); ali, o instrumento de coleta afundou 48,8 cm na superfície do asteroide e disparou depois um jato pressurizado de nitrogênio para liberar poeira e “abocanhar” este material, que deverá chegar aqui em 2023. Essa foi a primeira missão lançada pela NASA com destino a um asteroide próximo da Terra, para estudar sua superfície e coletar material.

A superfície do asteroide após a coleta das amostras (Imagem: Reprodução/NASA/Goddard/University of Arizona)

Depois, quando a sonda reativou seus propulsores para mudar sua direção e realizar o último sobrevoo antes de iniciar a viagem de volta, mais rochas e poeira foram liberadas. Os resultados desses dois procedimentos ficam bem perceptíveis nas imagens de antes e depois do pouso, que mostram claramente uma perturbação na estrutura do asteroide. Parece haver uma depressão no ponto de coleta das amostras, além de algumas rochas na parte inferior da imagem, que podem ter sido expostas durante a coleta.

Além disso, o local da TAG tem agora mais material com grandes propriedades refletivas, que se contrasta àquele de fundo, que geralmente é mais escuro. Por fim, o disparo dos propulsores também causou algumas alterações na superfície, movendo algumas rochas. Jason Dworkin, cientista de projeto da missão, percebeu que uma formação de 1,25 m no limite do local da coleta parece ter aparecido somente na imagem após a TAG: “essa rocha provavelmente pesa cerca de uma tonelada”, estima ele.

Já Dante Lauretta, principal investigador da missão, destacou que a formação é provavelmente uma das que estava presente nas imagens do Bennu antes da TAG, mas que ficou bem mais perto do local da coleta, tanto que ela pode ter sido lançada a 12 m de distância durante a coleta de material. A equipe só conseguiu levantar as possibilidades sobre o que aconteceu após o planejamento cuidadoso do último sobrevoo da sonda, antes de se afastar gradualmente dele.

Dathon Golish, membro da equipe de processamento de imagens da OSIRIS-REx, explica que Bennu tem uma estrutura irregular e rochosa, e a aparência muda completamente de acordo com o ângulo da imagem ou da direção da luz solar: “essas imagens foram feitas ao meio-dia, em que a luz do Sol incide para baixo e não tem tantas sombras”, explica ele. Essas observações “extras” não faziam parte do plano original da missão, e elas documentam o que foi feito.

Agora, a sonda ficará nos arredores do asteroide até 10 de maio, quando iniciará sua viagem de volta à Terra, que levará dois anos. Quando estiver a uma distância adequada, ela lançará a cápsula Sample Return Capsule (SRC), com as amostras em seu interior, para viajar pela atmosfera e descer de paraquedas em Utah, no final de 2023. Após ser recuperada, a cápsula será transportada para as instalações do Johnson Space Center, em que o material será distribuído para cientistas em todo o mundo. Por fim, a NASA estuda a possibilidade de aproveitar o bom estado da sonda e enviá-la para estudar o asteroide Apophis.

Fonte: NASA

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